Impeachment de Casares avança, mas oposição tem cautela 07/01/2026

Impeachment de Casares avança, mas oposição tem cautela – 07/01/2026 – Esporte

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Apesar de ter recebido um parecer favorável do Juízo Consultivo, que se reuniu na noite de terça-feira (6) e se posicionou contra a buraco de um processo de impeachment, o procuração de Julio Casares na presidência do São Paulo ainda corre risco.

Formado por ex-presidentes do clube e do Juízo Deliberativo, o órgão é somente consultivo e não tem poder para distanciar ou manter o dirigente no missão. A decisão cabe ao Juízo Deliberativo, que se reunirá no próximo dia 14, a partir das 18h30 (horário de Brasília), para determinar o porvir do presidente.

A plenário foi convocada pelo presidente do juízo, Olten Ayres, depois um grupo de 57 conselheiros protocolar, em dezembro, um pedido formal de isolamento de Casares.

Denúncias sobre a suposta comercialização irregular de camarotes no estádio do Morumbis e sobre movimentações financeiras consideradas suspeitas colocaram o já pressionado presidente do clube na berlinda.

Casares vinha sofrendo desgaste por críticas à gestão. Além de fechar a temporada de 2025 sem conquistas em campo, o São Paulo viu seu endividamento crescer e se aproximar de R$ 1 bilhão. Sem recursos para investimentos, as perspectivas para leste ano também não são vistas uma vez que favoráveis.

Mesmo diante desse cenário, integrantes da oposição demonstram pessimismo quanto à possibilidade de isolamento do dirigente na próxima semana. Além da dificuldade de reunir os dois terços dos votos dos 254 conselheiros aptos —exigência prevista no regime—, a escolha da data da reunião é interpretada uma vez que uma estratégia que favorece a situação.

“Janeiro é um mês em que não se vota zero. Eu aprendi isso na política. Eu fui vereador e sempre ouvi expressar: ‘se você quiser fazer uma malvadeza, faz em janeiro que as pessoas estão desmobilizadas'”, reclama o mentor Marco Aurélio Cunha, umas das principais vozes de oposição atualmente no São Paulo.

Há preocupação entre os opositores de que o encontro seja esvaziado por ocorrer durante o período de férias de segmento dos conselheiros, muitos fora da cidade. A oposição precisa de, no mínimo, 171 votos para legalizar o isolamento. Também há quem veja na rapidez do processo uma forma de evitar que novas revelações negativas possam aumentar ainda mais o desgaste do presidente.

“Entender 171 votos é difícil, mas é provável, sim”, afirmou Flávio Marques, mentor da oposição da mesma placa de Marco Aurélio Cunha e um dos signatários do pedido de impeachment. “Hoje, basicamente, o trabalho é de conversa, praticamente um a um”, acrescentou.

Se o número for atingido, uma plenário universal de sócios deverá ser convocada em até 30 dias para ratificar ou rejeitar a decisão dos conselheiros.

Caso o impeachment seja autenticado, quem assume a presidência é o primeiro vice-presidente, Harry Massis Júnior, que cumprirá o restante do procuração até a realização de novas eleições, previstas para o termo do ano.

O pedido de isolamento se baseia na argumento de “governo temerária”, com descumprimento orçamentário nos últimos anos, falta de transparência na divulgação das contas do clube e comercialização irregular de ingressos para camarotes.

Segundo Marques, o processo é “puramente técnico” e não tem motivação política. “Ele se baseia em uma série de descumprimentos da gestão”, afirmou.

Em dezembro, o site ge.com divulgou áudios que indicavam um suposto esquema de venda clandestina de ingressos para um torrinha do Morumbis reservado à presidência em dias de shows.

Depois a divulgação, Mara Casares, ex-esposa de Julio e logo diretora feminina, cultural e de eventos, e Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto do futebol de base, se afastaram de seus cargos.

Em nota, o São Paulo afirmou que “realizará a devida apuração dos fatos” e que, a partir dela, adotará as medidas cabíveis. O clube abriu duas sindicâncias —uma interna e outra externa, com auditoria independente— para investigar o caso.

“Que gestor é esse que não sabia do que estava acontecendo no próprio quintal? Ou, se sabia, por que não tomou providências?”, questiona Marques.

Também pesou contra Casares a informação divulgada pelo portal UOL de que a Polícia Social investiga o recebimento de R$ 1,5 milhão em numerário pelo presidente do clube, além de 35 saques que somam R$ 11 milhões realizados em contas do São Paulo.

“As investigações estão em curso no DPPC (Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania), em sigilo de Justiça, razão pela qual os detalhes são preservados para prometer a autonomia do trabalho policial”, informou a Secretaria da Segurança Pública em nota.

Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam Casares, afirmaram que as movimentações financeiras apontadas em relatório do Coaf “têm origem lícita e legítima, conciliável com a evolução da capacidade financeira” do dirigente.

Eles destacaram que, antes de assumir a presidência do clube, Casares ocupou cargos de subida direção na iniciativa privada, com remuneração elevada, e que a origem dos recursos será esclarecida ao longo das investigações, com apresentação de documentos e declarações fiscais.

Foi mesmo com essa apuração em curso que o Juízo Consultivo sugeriu a repudiação da buraco do processo de impeachment.

Dos 12 integrantes do órgão, nove participaram da reunião. Exclusivamente José Carlos Ferreira, presidente do Juízo Deliberativo entre 2011 e 2014, votou em prol da buraco do processo, agora nas mãos dos membros do Juízo Deliberativo.

Folha

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