Indústria de novelas do Brasil é o agente secreto por

Indústria de novelas do Brasil é o agente secreto por trás de filmes poderosos no Oscar

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Atores Danton Mello, à esquerda, e Theresa Fonseca, segunda da direita, se preparam para filmar uma cena da romance A Nobreza do Paixão, em um estúdio da TV Orbe no Rio de Janeiro, na quinta-feira, 12 de março de 2026. (AP Photo/Bruna Prado)
AP
Atores de Hollywood podem dominar as telas de cinema, uma vez que a premiação do Oscar deste domingo (15) deve mostrar. Mas, no Brasil, o caminho para o estrelato muitas vezes começa sob as luzes intensas de um estúdio de TV, e não em um grande set de filmagem.
Desde pelo menos os anos 1960, as telenovelas — séries de TV latino-americanas frequentemente comparadas às soap operas norte-americanas — produzidas pela principal emissora do país, a TV Orbe, evoluíram de dramas diários simples para uma indústria multimilionária, com 13 estúdios, três cidades cenográficas, 122 ilhas de edição e alcance semanal de até 60 milhões dos 213 milhões de brasileiros.
Muitos atores brasileiros associados a filmes que disputaram o Oscar — uma vez que “A Meão do Brasil (1998)”, “Ainda Estou Cá” (2024) e o indicado deste ano em quatro categorias, “O Agente Secreto” (2025) — primeiro se tornaram nomes conhecidos do grande público por meio da TV Orbe. Atores uma vez que Wagner Moura e Fernanda Torres ganharam ampla visibilidade pátrio através das telenovelas.
Em contraste, o Brasil tem somente muro de 3.500 salas de cinema, a maioria localizada em grandes cidades, onde sucessos de bilheteria dos Estados Unidos ocupam lugar de destaque. Isso cria um ecossistema em que o sucesso na TV pode levar a grandes papéis no cinema, que por sua vez retornam às populares telenovelas — e depois novamente aos filmes.
Telenovelas alimentam a reputação
Wagner Moura, protagonista de “O Agente Secreto”, atuou na telenovela “A Lua Me Disse” há 21 anos. De forma semelhante, Fernanda Torres, estrela de “Ainda Estou Cá”, que conquistou o primeiro Oscar para o Brasil na categoria de melhor filme internacional, já era uma atriz muito querida graças a duas grandes séries cômicas da TV Orbe que muitos do público consideram telenovelas.
“As telenovelas da TV Orbe são fundamentais para a produção audiovisual do Brasil”, disse Amauri Soares, diretor da TV Orbe e do Orbe Studios, descrevendo-as uma vez que “uma plataforma contínua de geração e produção de teor”.
“O Agente Secreto” tem atores e profissionais que trabalharam na TV Orbe, que voltarão a trabalhar na Orbe, e o próprio filme tem investimento da Orbe, apesar de ser independente”, afirmou Soares.
Amauri Soares, diretor da TV Orbe
AP/Bruna Padro
A TV Orbe exibe três telenovelas simultaneamente, do início da noite ao horário sublime. Elas são produzidas em estúdios no Rio de Janeiro e costumam permanecer no ar por seis meses, de segunda a sábado, envolvendo mais de milénio pessoas na produção. O capítulo final pode se transformar em um evento pátrio de audiência, com bares, restaurantes e academias exibindo os episódios principais.
A indústria exige adaptabilidade. Com alguns capítulos escritos somente dias antes da exibição, com base na audiência, as telenovelas permitem que os espectadores assumam a cocriação da narrativa. E seu impacto econômico é poderoso: um remake do sucesso “Vale Tudo” teria gerado mais de R$ 200 milhões em publicidade — quatro vezes a bilheteria global de “O Agente Secreto”.
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Dezenas de atores descobertos todos os anos
Todos os anos, a TV Orbe recruta até 70 novos atores vindos do teatro, do cinema e de produções regionais. Amauri Soares diz que eles aprimoram suas habilidades durante um ano com equipamentos de ponta e novas técnicas. Depois, muitos partem para outras produções, enquanto alguns permanecem na emissora para séries mais curtas.
Dira Paes, atriz veterana e uma das comentaristas frequentes da TV Orbe na noite do Oscar, observa que as indústrias de telenovelas e cinema no Brasil estão cada vez mais interligadas, já que profissionais transitam entre uma e outra para produzir — e também lucrar mais verba. Ela esteve recentemente na romance “Pantanal” e no filme “Manas”, elogiado por Julia Roberts e Sean Penn.
“As telenovelas não são somente sobre audiência, mas também sobre coração e afeto. Quando você faz uma no horário sublime, experimenta o poder de uma pátria inteira assistindo. Quando o público patroa seu personagem… é uma popularidade muito privativo”, disse Paes, estrela de Três Graças, série filmada no Rio de Janeiro, mas ambientada em uma extensão empobrecida de São Paulo.
A atriz brasileira Dira Paes sorri antes de uma entrevista em um estúdio da TV Orbe no Rio de Janeiro, na quinta-feira, 12 de março de 2026.
AP
Maurício Stycer, responsável e crítico de cultura televisiva, diz que a desigualdade no Brasil impulsionou canais de TV ensejo uma vez que a TV Orbe de uma forma que reduziu o interesse universal do público pelo cinema. No termo das contas, argumenta ele, isso levou a “um ressentimento do cinema brasílio por não ter o mesmo alcance das telenovelas”.
TV uma vez que “porto seguro” para alguns atores
Stycer acrescenta que muitos atores enfrentam um dilema quase hamletiano sempre que são convidados para uma telenovela.
“Ser popular e ter uma renda garantida todo mês ou percorrer riscos em uma curso que envolve teatro e cinema? A TV sempre foi um porto seguro para a maioria dos atores”, afirmou.
Embora outras redes de TV brasileiras tenham tentado desafiar a supremacia da TV Orbe no gênero, poucas alcançaram sucesso. Ainda assim, até mesmo as produções da Orbe já não são tão dominantes quanto eram até o início dos anos 2010. Executivos da empresa reconhecem que enfrentam concorrência crescente do vídeo por streaming.
Mesmo assim, “a Orbe ainda é a maior empresa do Brasil para atores”, disse Stycer. “Até o ano 2000, a Orbe sozinha era responsável por muro de 50% da audiência de TV no Brasil.”
O ator e diretor Lázaro Ramos apareceu pela primeira vez em telenovelas posteriormente iniciar sua curso no teatro e no cinema. Ele afirma que os brasileiros aprenderam a amar tanto as telenovelas quanto os filmes com a mesma intensidade quando conseguem retratar a personalidade satisfeito — e às vezes sombria — do país.
“Os brasileiros se veem nas telenovelas cada vez mais. Nossos roteiristas consagrados criaram muitas delas baseadas em clássicos da literatura”, disse Ramos. “Elas são um investimento em uma voz pátrio por meio de personagens, linguagem e estética com os quais os espectadores se identificam profundamente.”
O ator Lázaro Ramos posa para fotos posteriormente uma entrevista no Rio de Janeiro, na quinta-feira, 12 de março de 2026.
AP/Bruna Prado
Ramos, que é colega de longa data de Wagner Moura, vai participar do Oscar, mas retornará ao Brasil logo depois para continuar trabalhando em sua novidade romance, “A Nobreza do Paixão”.

Fonte G1

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