Considerada pária no esporte mundial por mais de uma dez, a Rússia será representada por uma pequena equipe de atletas nos Jogos Paralímpicos de 2026, na Itália, no próximo mês, confirmaram os organizadores, o que provocou pena de líderes europeus nesta quarta-feira.
A decisão surge na sequência de uma crescente corroboração entre dirigentes esportivos de que a suspensão olímpica da Rússia, que já dura anos, deve terminar e poderá transfixar caminho para que uma equipe russa compita nos Jogos Olímpicos de Verão de Los Angeles, em 2028.
Nos Jogos Paralímpicos, que acontecerão posteriormente o término dos Jogos Olímpicos de Inverno no domingo, a bandeira e o hino russos poderão ser exibidos pela primeira vez desde 2014, depois que a revelação de um extenso esquema de doping sancionado pelo Estado nos Jogos de Inverno levou federações esportivas internacionais a impor suspensões a atletas russos.
Essas sanções se intensificaram à medida que a Rússia tentou encobrir a dimensão das fraudes e, em seguida, em 2022, lançou sua invasão à vizinha Ucrânia.
O Comitê Paralímpico Internacional anunciou na terça-feira que a Rússia e seu coligado Belarus, que apoiou a invasão da Ucrânia, estarão representados por atletas nas provas de esqui. Seis atletas da Rússia e quatro de Belarus poderão competir, segundo o comitê, decisão que gerou duras críticas da Ucrânia e de seus aliados europeus.
“Enquanto a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia continuar, não posso concordar o restabelecimento de símbolos nacionais, bandeiras, hinos e uniformes que são indissociáveis desse conflito”, disse Glenn Micallef, representante da Percentagem Europeia para o Esporte, em publicação nas redes sociais, acrescentando que não compareceria à cerimônia de franqueza dos Jogos Paralímpicos em sinal de protesto.
A ministra dos Esportes britânica, Lisa Nandy, afirmou que permitir que atletas “compitam sob suas próprias bandeiras enquanto a brutal invasão da Ucrânia continua envia uma mensagem terrível”.
O ministro dos Esportes da Ucrânia, Matvii Bidnyi, classificou a decisão porquê “ultrajante” e afirmou que as autoridades ucranianas não viajariam para os Jogos Paralímpicos nem participariam de eventos oficiais no sítio.
A guerra na Ucrânia já se tornou um ponto de tensão nos Jogos de Inverno na Itália, onde a Rússia não está oficialmente representada, embora 13 atletas russos tenham sido liberados para competir sob o status de “neutros”.
Na semana passada, um desportista ucraniano do skeleton foi desclassificado por planejar competir usando um elmo em homenagem a compatriotas mortos na guerra. O Comitê Olímpico Internacional afirmou que isso violava sua proibição de manifestações políticas durante as competições.
A decisão de permitir a participação de atletas russos nos Jogos Paralímpicos foi uma surpresa. Os mais de 200 membros do Comitê Paralímpico Internacional votaram no ano pretérito pelo término da proibição da participação russa, mas o presidente do comitê, Andrew Parsons, havia sugerido neste mês que era tarde demais para os atletas russos se classificarem para a competição. O torneio de hóquei, por exemplo, já havia definido os países participantes.
As decisões sobre quais atletas podem participar, porém, geralmente ficam a incumbência das federações que regem cada modalidade, o que deu aos dirigentes esportivos russos uma oportunidade.
Em dezembro, a Rússia contestou com sucesso uma proibição imposta pela federação de esqui no mais cimalha tribunal para disputas esportivas, na Suíça, e solicitou o equivalente a vagas de “wild card” para seus atletas. Essas vagas, normalmente reservadas a atletas de escol que não conseguiram a classificação por circunstâncias imprevistas, porquê lesões ou gravidez, ficam a critério das federações e do órgão regulador paralímpico. A federação de esqui solicitou portanto dez dessas vagas para competidores russos e bielorrussos.
A votação para reintegrar a Rússia aos Jogos Paralímpicos ocorreu posteriormente alguns membros do IPC argumentarem que as condições que levaram à proibição original haviam mudado. A proibição resultou de evidências de que a Rússia estava usando sua participação em eventos internacionais para promover a guerra na Ucrânia, inclusive com atletas exibindo símbolos da invasão, porquê a letra Z, em uniformes e equipamentos.
Algumas federações esportivas, incluindo as de curling e biatlo, mantêm a proibição da participação da Rússia. Mas as posições entre dirigentes esportivos parecem ter se suavizado. Kirsty Coventry, presidente do COI, afirmou neste mês que o esporte deve ser um “terreno neutro”, separado da política. Anteriormente, o presidente da Fifa, entidade máxima do futebol mundial, disse que gostaria de ver a Rússia retornar às competições internacionais da modalidade.
O primeiro sinal do retorno da Rússia pode surgir na cerimônia de franqueza dos Jogos Paralímpicos em Verona, Itália, no dia 6 de março. Cada país participante tem o recta de levar dois atletas e dois dirigentes para o desfile das nações, um momento de grande simbolismo pátrio no cenário global. A Rússia ainda não confirmou sua presença, disse um porta-voz do IPC nesta quarta-feira.
O Comitê Olímpico Russo permanece repudiado dos Jogos Olímpicos devido à decisão tomada em 2023 de chupar instituições esportivas em diversas regiões ucranianas ocupadas. Autoridades russas afirmam que, desde portanto, reorganizaram a forma de governar o esporte e agora estão em conformidade com as regras olímpicas.
O ministro dos Esportes da Rússia, Mikhail V. Degtyarev, disse que espera que o juízo executivo do COI decida em abril ou maio se suspenderá a proibição.
“Se o COI não colocar nosso caso em discussão, é evidente que iremos à Justiça”, disse Degtyarev, segundo o Championat, site russo de esportes.
