Isso Ainda Está de Pé? reúne drama e comédia no

Isso Ainda Está de Pé? reúne drama e comédia no stand-up – 17/02/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Mais do que um duplo sentido, o título “Isso Ainda Está de Pé?” pode fazer pensar que estaremos diante de uma comédia. E não está completamente incorrecto. O novo filme de Bradley Cooper pode ser visto uma vez que uma atualização das antigas —e não vasqueiro geniais— comédias do “recasamento”.

Cá, temos um parelha de meia-idade, Alex Novak, papel de Will Arnett, e Tess, personagem de Laura Dern, que já viveram melhores dias juntos e hoje preparam uma separação razoavelmente pacífica e com os problemas habituais —o que sofrerão os filhos, os pais dando previsão.

Alguns lances do roteiro já são muito interessantes desde cá. Ninguém faz drama em torno dos filhos, por exemplo. Também os personagens, ao menos por um bom tempo, não cuidam de seus problemas profissionais. O filme se dedica quase todo a eles.

A Alex muito mais, na verdade. Ele é que sai de morada, ele é que não sabe o que fazer de sua vida, ele é que acaba uma vez que comediante de “stand-up”, num show muito estranho, em que conta os azares e desencontros de sua vida para uma plateia que ri, quase sempre, por solidariedade.

Muito, uma vez que se vê, esse filme que poderia ser classificado uma vez que comédia de “recasamento” avança de forma melancólica. Mas não se pode ver nisso um defeito. Toda a sombria evolução em torno do “stand-up” nos introduz a esse gênero de teatro cômico que raramente é cômico, do qual sucesso se deve a uma particularidade dos americanos, creio eu, mais do que a qualquer outra coisa —numa sociedade tremendamente individualista uma vez que a dos Estados Unidos, esse é um momento de solidariedade, que mesmo um sofredor uma vez que Alex pode encontrar quando precisa desoprimir enquanto olha para si mesmo.

O lado de Tess parece menos desenvolvido ou, em todo caso, ela tem menos problemas na novidade vida do que o ex-marido. Ela tem amigas, que acham ótimo a hipótese de arrumar outro varão para estrear. Do lado profissional, ela, que aparentemente estava no ramal, é convidada para ser técnica de um time de vôlei.

Cá uma explicação sobre Tess se faz necessária —ela foi uma famosa jogadora de vôlei, fez secção da seleção e foi até aos Jogos Olímpicos. Portanto, parece que ela terá mesmo uma novidade vida, porque um macróbio treinador ou um pouco assim a convida para trabalhar de novo no vôlei e a convida também para trespassar com ele.

Portanto estamos nesse pé —o filme precisa nos expor o que deve sobrevir na vida de ambos para que o reencontro aconteça.

Do ponto de vista do roteiro é preciso expor que “Isso Ainda Está de Pé?” tem a vantagem de atualizar o esquema clássico das comédias do “recasamento”, a saber —varão se separa da mulher e se dá muito até desenredar que ela tem um outro pretendente e está inclinada a matrimoniar com ele; logo o macróbio marido precisa se virar para que isso não aconteça.

Cá, Cooper deixa de lado a vida profissional de Alex —aparentemente bem-sucedida e mal mencionada— para se destinar a sua errância no mundo do espetáculo, que corresponde, de certa maneira, a uma jornada de autoconhecimento.

As crianças contam, simples, mas não são de modo qualquer decisivas para o desenrolar da trama. De modo que o roteiro sabe uma vez que evitar certas armadilhas muito frequentes no cinema industrial contemporâneo. No entanto, a direção pode ser discutida em alguns pontos.

O primeiro deles parece ser um excessivo apego de Cooper aos diálogos uma vez que suporte da ação, uma vez que se não tivesse segurança na capacidade das imagens de se explicarem —isso melhora muito do meio para o termo do filme. O segundo é que parece guiar seu filme mais para TV ou streaming, deixando a imagem fechada no rosto dos atores, o que tolhe um tanto a ação e faz com que o filme perdida boas situações (cômicas, sobretudo).

Ao mesmo tempo, Cooper dirige muito os seus, aliás, muito bons atores —com isso, ele os valoriza sempre, mesmo que por vezes em detrimento do filme.

Outro problema é incontornável. Sabemos que a indústria do tabaco está por trás de cada cigarro usado em qualquer filme, desde sempre. Até se aceita que Alex apareça fumando, com alguma frequência, mas é, só para estrear, inverossímil que uma ex-atleta olímpica apareça fumando por aí.

Simplesmente porque não dá para fumar e fazer qualquer atividade física nesse nível. Pode sobrevir? Pode. Tudo pode no mundo. Mas verossímil não é, nem de longe, e pega mal para o filme —embora se possa compreender que para realizar a obra é preciso quantia e coisa e tal.

Por termo, é muito bom que títulos de duplo sentido apareçam. Eles eram frequentes no tempo da chanchada —e do teatro de revistas— e a anfibologia de sentidos que instauram só faz muito. Cá, eles sugerem um pouco próximo de uma comédia. Invocar isso de comédia dramática é o supremo que dá. Talvez expor que é um drama com qualquer humor e isento de excessos dramáticos desnecessários esteja mais próximo de uma designação exata.

Folha

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *