It: série traz política perto do fim de 'stranger things'

It: Série traz política perto do fim de ‘Stranger Things’ – 25/10/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Em 1986, o bicho-papão deixou o aperto embaixo das camas de criancinhas para viver na imensidão do esgoto. É o que sugere “It – A Coisa”, fenômeno literário de Stephen King que chegou às livrarias naquele ano. Na obra, um ser cósmico chega à Terreno e incorpora medos humanos. Entre ciclos de hibernação que duram quase três décadas, ele assume a forma do que suas presas mais temem e devora músculos humana.

Ao fazer de Derry —pequena cidade do interno americano—um lar, o bicho traumatiza um grupo de jovens e é forçado a enfrentá-lo 27 anos mais tarde. A revanche contra Pennywise —palhaço que representa a carapuça favorita da indivíduo— levou um tempo, mas a primeira adaptação do livro veio logo em 1990. O telefilme “Uma Obra Prima do Temor” fez tanto sucesso que foi reeditado para o cinema.

Muito antes da jornada do “Clube dos Perdedores”, a empreitada da vez é “It: Muito-Vindos a Derry”, série que estreia neste domingo (6) e explora outro período da mitologia criada por King. A produção da HBO secção do desaparecimento de um menino, assim uma vez que a história original.

Estamos em 1962. Os bueiros e o sumiço de crianças não são os únicos motivos de horror. Numa quadra de tensões geopolíticas, na véspera da morte de John F. Kennedy, os duelos invisíveis da Guerra Fria ameaçam se tornar uma guerra nuclear. Temores individuais se misturam à paranoia coletiva e a Coisa aproveita para colocar as metamorfoses em dia.

O subtexto se aproxima daquele de “Stranger Things”. Ambientado na dezena de 1980, o seriado da Netflix, criado pelos irmãos Matt Duffer e Ross Duffer, segue a luta entre uma jovem com poderes psíquicos e monstros além da imaginação. Os dois lados do confronto resultam de experiências do governo, numa desesperada tentativa de vencer os soviéticos.

Em “Muito-Vindos a Derry”, o intuito da vez é Pennywise, papel de Bill Skarsgård. Entre a ruína de povos nativos e o racismo em subida nas ruas, militares tentam conquistar o arauto do temor ao usar seus próprios truques mentais.

Diretor de grande secção dos episódios, Andy Muschietti define o palhaço transmorfo uma vez que um “alarmista”. O termo diz saudação aos que propagam notícias exageradas, habilidosos em aumentar cenários dignos de inquietação. “Vivemos numa quadra em que o alarmismo está no topo de sua produtividade. É o que mantém a metáfora de King relevante”, afirma ele.

“Hoje, muitas estratégias de notícia usadas pela política buscam provocar temor e sofreguidão. Diante de ondas de antissemitismo, islamofobia e ataques armados, precisamos nos distanciar, nos ater aos fatos e restaurar a noção de que somos todos iguais. Não podemos ceder ao temor do outro”, diz a mana do cineasta, a produtora Barbara Muschietti. Não é a primeira vez que eles se aventuram por Derry.

Em 2017, um ano depois a estreia de “Stranger Things”, a dupla foi ao topo das bilheterias de terror com o capítulo inicial de sua versão cinematográfica de “It”. A atmosfera sombria, ainda que amenizada por crianças socialmente excluídas, foi bastante comparada ao hit da Netflix. O excitação da sátira e do público rendeu uma sequência.

Dois anos mais tarde, a proeza adulta do Clube dos Perdedores não foi muito recebida uma vez que a anterior, mas a arrecadação foi a quinta maior do cinema de horror e manteve o interesse da Warner Bros. pelo universo e a pela parceria com os Muschietti.

Andy diz que não viu a concorrente. “Não consigo confrontar nosso trabalho com ‘Stranger Things’. Foi o paixão ao livro que nos levou a explorar esses intervalos, a passar mais tempo com os personagens e edificar uma narrativa que não fosse só uma origem, mas também um pouco novo. Estamos diante de um grande oceano de possibilidades.”

Às vésperas do final de “Stranger Things”, que lança sua última temporada em novembro, a HBO aposta numa espécie de selecta e já anunciou que prevê pelo menos três anos. Apesar das conexões, devem ser pautados por épocas e personagens distintos, além de revelar aos poucos novos detalhes da besta.

A teoria é que cada temporada retroceda 27 anos, situados pelo despertar da Coisa e por seus ciclos de violência. A última, inclusive, aparece em peso em “Muito-Vindos a Derry”. Logo no primeiro incidente, as boas-vindas apresentam crianças esquartejadas e litros de sangue. A decisão pode germinar os mais sensíveis —principalmente os que resistiram ao “Capítulo 2”, em 2019—, mas tenta conciliar a tradição da emissora e a inocência dos mais novos.

O estabilidade é parecido com o que a Netflix vem buscando nos últimos anos. Em 2024, o streaming anunciou que os capítulos finais de “Stranger Things” serão os primeiros classificados para maiores. Alguma coisa parecido aconteceu em agosto, quando a segunda temporada de “Wandinha” —série mais vista da Netflix— restringiu menores de 16 anos. Na prática, o público mais jovem, que impulsionou o projeto, seguiu leal.

“O ano de 1962 se mostrou um óptimo cenário para explorar o horror, o drama e a comédia. São esses os três pilares fundamentais da nossa narrativa”, afirma Andy. É esperar para ver se o seu bicho-papão manterá o sucesso no mundo dos pesadelos.

Folha

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