Ivete sangalo canta joelma em show pró amazônia em belém

Ivete Sangalo canta Joelma em show pró-Amazônia em Belém – 21/09/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Ivete Sangalo cantou Joelma, discursou em obséquio da floresta amazônica e dos povos indígenas e estreitou os laços com o Pará em show gratuito na noite deste sábado (20), no estádio Mangueirão. “Paladar de estar cá porque vocês são diferentes. Tem mais de 30 anos que venho e toda vez é esse calor, essa gostosura”, disse na apresentação. “A melhor, não sei se sou, mas sou a de vocês —e está bom demais.”

A baiana foi ovacionada e promoveu um verdadeiro Carnaval no Mangueirão, mais ainda depois que cantou “Voando Pro Pará”, hit da ex-vocalista do Calypso que se tornou uma espécie de hino não solene de Belém. O show teve rodinhas de bate-cabeça, declarações de paixão da cantora e da plateia, trenzinhos humanos, muita dança e suor por segmento dos paraenses.

Ivete foi a principal atração do evento “Amazônia Live – Hoje e Sempre” no maior estádio de Belém, que também recebeu Viviane Batidão, a rainha do tecnomelody, o grupo Lambateria com Lia Sophia e a Orquestra Jovem Vale Música. Foi a segunda ação dos festivais Rock in Rio e The Town na cidade nesta semana —a primeira foi um peculiar de TV gravado na quarta (17).

No primeiro evento, Mariah Carey e divas paraenses —Dona Onete, Joelma, Gaby Amarantos e Zaynara— foram gravadas e transmitidas cantando em cima de um palco flutuante em formato de vitória-régia no rio Guamá. Realizados com o intuito de gerar conscientização em relação à preservação da Amazônia ao volta do mundo, os shows foram fechados para o público lugar, com a presença de murado de 300 convidados numa jangada.

Ao longo da semana, o “Amazônia Live” recebeu críticas da população lugar porque não foi desimpedido ao público. Os shows de sábado no Mangueirão, que não foram gravados para a TV, foram a oportunidade para os paraenses de ter aproximação às ações de Rock in Rio e The Town, tendo a Vale porquê principal patrocinadora, em resguardo da Amazônia.

Ivete falou sobre o tema. Disse que o show era para “falar de alegria, de porvir e de floresta em pé”, o que chamou de “premência urgente”. Afirmou também que é necessário ter “consciência limpa” para preservar a Amazônia. “Estamos fazendo um tanto que é mercê da gente, da nossa sobrevivência. Temos não só o recta, mas a obrigação de falar disso.”

Os 47 milénio ingressos disponibilizados foram todos adquiridos —de forma gratuita, depois responder um questionário—, mas o Mangueirão não ficou lotado. No show de Ivete, a plateia não ultrapassava as últimas torres de som, nos fundos do estádio, e as arquibancadas altas —as maiores— não chegaram à metade da lotação. Ainda assim, havia bastante gente para ver a baiana, e o público teve conforto e espaço para pular e dançar.

O repertório abrangeu mais de três décadas de hits, a principiar pelos mais recentes —”Pujança de Gostosa”, “Macetando” e “Cria da Ivete”. Seguiu com uma sequência de sucessos deste século, incluindo “Tempo de Alegria”, “Abalou”, “Sorte Grande”, “Sarau”, “Acelera Aê” e não parou mais. “Faz de conta que sou um bombom de cupuaçu e vocês vão me morder todinha”, ela disse, com a plateia na mão.

A segunda metade contou com um conjunto nostálgico de outros carnavais, mais especificamente dos anos 1990, com músicas da estação de Filarmónica Eva e até de outros artistas —casos de “Faraó, Nume do Egito”, famosa com Margareth Menezes, e “Prefixo de Verão”, da Filarmónica Eva. “Alô Paixão”, “Formosura Rara” e “De Ladinho” entraram nesse balaio.

Já na reta final, Ivete disse que a noite ficaria marcada em sua história e voltou a discursar sobre a preservação da Amazônia e em obséquio dos povos indígenas. Falou que o show era uma “convocação para que a gente cuide disso que não é só nosso, é a gente”. “A gente é a natureza, não são coisas diferentes.”

“Pode toar piegas, mas é um traje”, ela seguiu. “A gente precisa viver num envolvente que nos favoreça. Se somos a natureza, quando a gente agride a natureza, a gente nos agride. Essa floresta gigante, poderosa, para mantê-la em pé, primeiro é preciso respeitar os donos desse lugar —os povos originarios”.

A baiana ainda afirmou que os povos indígenas do Setentrião do país são “importantes para a existência dessa floresta e consequentemente do mundo”. “É cientificamente genial o que esses povos fizeram, uma cultura organizadíssima. E não se ouve essa população. A gente fala muito de porvir, mas que porvir é esse que você pretende e vai deixar para as próximas gerações?”

O exposição precedeu uma performance emotiva de “Sal da Terreno”, música de Beto Guedes e Ronaldo Bastos que marcou o momento mais explicitamente pró-Amazônia da apresentação.

Ivete cantou até depois da 1h da madrugada de domingo (21). Seu show, marcado para as 22h30, só começou por volta de 23h30 e teve quase duas horas de duração.

Antes da baiana, a paraense Viviane Batidão comandou o Amazônia Live. Há 20 anos rainha do tecnomelody, ela dominou o Mangueirão com seu espetáculo que é a melhor representação de uma apresentação com todos os maneirismos do pop, só que usando porquê material prima a música do Pará.

Viviane mimetiza a pirotecnia das aparelhagens, troca de looks porquê uma diva pop e sabe porquê poucos conduzir uma plateia em sua terreno natal. Ela foi dos tempos do auge do tecnomelody nos anos 2000, com “Xanana” e “Galera da Golo” aos sucessos mais recentes, porquê “É Sal”, “Haja Paciência” e “Olha Muito Pra Mim”, incluindo as versões de sucessos estrangeiros —de Rihanna e Lady Gaga, entre outros.

Ainda que na pista o som estivesse potente, Viviane ouviu os gritos de “aumenta o som” em coro vindos do público na arquibancada —e pediu que a equipe adequasse os equipamentos. “Joga minha voz para fora, meu rebento!”, ela gritou.

Também recebeu Gaby Amarantos para uma performance de “Te Senhoril Seu Fudido”, de “Rock Doido”, mais recente álbum da cantora. As duas trocaram elogios e cantaram, a capella, alguns sucessos de Amarantos —incluindo “Foguinho”, outra da leva das mais novas.

O show contou com um momento de rock doido, o estilo de tecnobrega atual mais rápido, com influências do funk de Rio de Janeiro e São Paulo e do brega funk de Recife. Nessa sequência, Viviane botou um óculos no estilo Juliete e incendiou a plateia com gritos coreografados, um canhão de fumaça, muita dança e performances teatrais com seu balé.

As portas do Mangueirão foram abertas às 16h30, mas o primeiro show só começou perto de 19h, depois de uma chuva mais poderoso do que tem ocorrido nos últimos dias na capital paraense. A chuva que caiu do firmamento também deve explicar a chegada lenta do público, que só foi encher o estádio nos últimos shows da noite.

Quando a Orquestra Jovem Vale Música tocou a primeira nota, o Mangueirão ainda estava praticamente vazio. Quem chegou cedo, porém, viu o grupo mostrar meia hora de clássicos de carimbó e até do samba num formato instigante —com os tambores do ritmo paraense em primeiro projecto, dando potência à seção melódica.

A apresentação seguiu um roteiro, homenageando mestres porquê Pinduca e Damasceno, com “No Meio do Pitiú” e “Sinhá Pureza” no repertório. A cantora Gigi Furtado entoou “Zé do Caroço”, samba sabido na voz da carioca Leci Brandão, com a orquestra.

Alguns desses clássicos do carimbó voltaram ao palco no repertório da Lambateria Dança Show, comandada por Félix Robatto. O músico levou ao estádio uma versão de gala do evento que faz toda as quintas, no espaço Apoena, em Belém, devotado a ritmos mais tradicionais do Pará, porquê a lambada, a guitarrada, a cúmbia e o merengue, além do carimbó e do brega.

Foi a celebração mais conectada de traje com as florestas, não só porque contou com uma cantora indígena, Carol Pedroso, de Alter do Soalho, mas porque destacou a música que nasceu e se desenvolveu nas matas e beiras dos rios. Robatto recebeu Lia Sophia, que cantou bregas antigos e carimbós, e os vocalistas da orquestra Warilou, outro clássico da região Setentrião.

Além dos músicos, Robatto levou ao palco gerações de dançarinos —porquê Seu João e Dona Nanci, idosos que são instituições da dança na cidade, e batem ponto semanalmente no Apoena. A dupla, homenageada em música de Robatto que leva o nome deles, foi ovacionada pela plateia no Mangueirão.

Foi um show quente e rico ritmicamente, onde brilhou a guitarra do barbudo que comandou a sarau. Mais importante, foi a apresentação que mais casou com o tema da preservação —neste caso, mantendo não só vivo, mas pulsante e capaz de fazer mexer e emocionar, algumas das músicas mais tradicionais que emergiram dos rios e florestas do Setentrião brasílio.

Foi o que disse Robatto ao falar da preservação da Amazônia. “É importante misturar cultura e meio envolvente porque a base dessa nossa cultura é o meio envolvente. E assim a gente consegue preservar mais e conscientizar mais sobre o meio envolvente.”

Folha

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