Jair Bolsonaro: Diretor fala pela primeira vez sobre filme

Jair Bolsonaro: Diretor fala pela primeira vez sobre filme – 17/12/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Diretor do filme sobre Jair Bolsonaro idealizado por apoiadores e escoltado por familiares do ex-presidente, o cineasta Cyrus Nowrasteh diz que o longa, com previsão de lançamento em 2026, ano de novidade eleição à presidência, vai fazer um “retrato multíplice e honesto” do político brasílico.

Em entrevista por email à BBC News Brasil, a primeira vez em que fala à prelo sobre o filme, Nowrasteh conta que sabia que Bolsonaro era uma “figura controversa e polarizadora” no Brasil, mas que por isso mesmo valeria a pena ser retratada.

“Uma figura polarizadora não é um tema fértil para um filme? Artistas não deveriam ser agentes de ruptura? Não deveríamos questionar a mando? Não deveríamos questionar as visões e narrativas predominantes?”, diz Nowrasteh.

Nowrasteh, um diretor americano de progénie iraniana e que tem no currículo filmes com poderoso apelo cristão e político, também é responsável pela edição de “Dark Horse” (um pouco porquê “Azarão”, em tradução livre).

As gravações foram encerradas em dezembro, em São Paulo, e as primeiras imagens foram divulgadas nas redes sociais nas últimas semanas por políticos e militantes bolsonaristas.

A teoria e o argumento do filme são do deputado federalista Mario Frias (PL-SP), ex-secretário de Cultura do governo Bolsonaro e um dos apoiadores mais vocais do ex-presidente no Congresso.

Frias tem compartilhado imagens dos bastidores do filme nas redes social.

“@jairbolsonaro, tudo por sua vitória!”, escreveu o deputado ao mostrar uma cena em que ele e Carlos Bolsonaro ouvem uma reza de Jim Caviezel, ator que interpreta o ex-presidente, no set de filmagem.

O diretor Cyrus Nowrasteh conta que estava desenvolvendo outro projeto para ser feito no Brasil quando um produtor americano o colocou em contato com a produtora GoUp Entertainment, de Karina Ferreira da Gama, e com Mario Frias.

“Eles queriam fazer um pouco sobre Bolsonaro. Fiquei impressionado com o Mario e com a paixão dele pelo projeto. Eu sabia que Bolsonaro era uma figura controversa e polarizadora —mas também muito querida”, diz o diretor.

Nowrasteh já tinha uma relação com o Brasil porque, em 1995, foi coautor do roteiro do filme brasileiro-americano “Jenipapo”, dirigido por Monique Gardenberg, mesma diretora de “Ó Paí, Ó”, a quem labareda de uma “cineasta extraordinária”. Na história, um jornalista americano tenta entrevistar um padre apoiador da reforma agrária no Nordeste.

O filme mais reconhecido de Nowrasteh é “O Apedrejamento de Soraya M”, de 2008, que trata da história de uma mulher muçulmana condenada à morte em terreiro pública no Irã devido a uma querela falsa de adultério.

O filme teve claro reconhecimento: ficou em terceiro lugar no prêmio do público no Festival Internacional de Cinema de Toronto, no Canadá.

Nowrasteh também dirigiu “O Jovem Messias”, em 2016, sobre o jovem Jesus, e “Sequestro Internacional”, de 2019, sobre um jornalista-blogueiro cristão que vira prisioneiro do Irã em seguida falar de Jesus.

Seu último filme, “Sarah’s Oil”, deste ano, é sobre uma rapariga negra que tem a fé de que a terreno que herdou é rica em petróleo. Uma sátira do New York Times diz que o longa traz uma “veneração incidental aos combustíveis fósseis”.

Em cláusula no meato Fox News de 2016, Nowrasteh explica que não cresceu cristão de forma tradicional, já que sua família é muçulmana. Sua aproximação com o cristianismo ocorreu em seguida se matrimoniar com sua esposa, Betsy.

“É minha esperança que aqueles que já veneram Jesus de Nazaré passem a amá-lo ainda mais”, disse sobre o filme “O Jovem Messias”.

Ainda não está evidente se haverá qualquer tom religioso ao retratar Bolsonaro em “Dark Horse”. O ex-presidente é católico, mas se aproximou dos influentes setores evangélicos na política brasileira, principalmente por meio de sua esposa, Michelle.

O idealizador do filme, Mario Frias, é cristão e, na sua concepção, religião deve se envolver na política. Em um sábio numa igreja de Campinas em 2022, ele disse: “Nós cristãos estamos falando de política hoje, para não sermos proibidos de falar de Jesus amanhã”.

O que esperar de “Dark Horse”

Junto a Frias, o diretor escolheu focar a história de “Dark Horse” na tentativa de assassínio em 2018, quando Bolsonaro levou uma facada em Juiz de Fora, em Minas Gerais, durante um ato da campanha eleitoral à Presidência.

“Senti que havia muitas perguntas sem resposta em torno desse evento e que valia a pena explorá-las em um filme”, afirma Nowrasteh.

“Vejo a obra porquê um thriller político contemporâneo, que ajudará a iluminar muito do que está acontecendo no Brasil hoje —e no mundo.”

No filme, o ex-presidente lembra da sua vida em flashbacks enquanto passa por cirurgias. O longa termina com a eleição de Bolsonaro naquele ano, segundo Frias.

Todo falado em inglês, o longa terá uma versão dublada para o Brasil. “Buscamos um público internacional”, explica Nowrasteh.

O diretor compara o que faz no filme a cineastas porquê o greco-francês Costa-Gavras, que se notabilizou por fazer filmes de denúncia política, porquê “Z, Estado de Sítio e Sumido – Um Grande Mistério”.

Ele também usa porquê exemplo o diretor americano Oliver Stone, vencedor de três Oscars e responsável de filmes polêmicos que desafiam versões oficiais de fatos históricos.

A conferência com Stone é ainda mais significativa porque o diretor é nome por trás do documentário “Lula”, exibido em 2024 no Festival Cannes, na França, sobre trajetória do presidente brasílico nos anos que antecederam sua vitória nas eleições de 2022.

Stone chegou a expor em entrevistas que “Lula foi recluso por uma armação. Ele provou isso no filme”, indicando o tom da produção a reverência da prisão do petista na Lava Jato em 2018. O documentário, ainda não foi lançado oficialmente.

“Todos se concentram em temas polarizadores e questionam vigorosamente as ‘visões aceitas’. Essa é uma tradição longa e transcendente. Estou exclusivamente fazendo o mesmo”, comparou Nowrasteh.

O tradutor de Bolsonaro em “Dark Horse” é um velho espargido de Nowrasteh em seus filmes e, segundo Frias, a única escolha verosímil para o papel.

O americano Jim Caviezel ganhou reputação internacional ao interpretar Jesus no filme “A Paixão de Cristo”, de 2004, de Mel Gibson, marcado por polêmica nos Estados Unidos por sua violência e pela querela de supostamente promover antissemitismo ao focar nos judeus porquê culpados pela morte do messias.

Em seguida essa produção, Caviezel focou em sua curso em filmes com temas religiosos ou com argumentos caros à direita.

Sua produção de maior destaque nos últimos anos foi “O Som da Liberdade”, que teve mobilização de evangélicos e bolsonaristas para ser líder de bilheteria no Brasil e no mundo em 2023.

Gravado em 2018 e financiado por investidores independentes, o filme narra a história de um agente do governo americano que desmantela uma rede de doesto sexual infantil que operava na Colômbia.

O filme também foi associado por críticos ao movimento americano QAnon —que propaga a tese de que políticos porquê o presidente americano, Donald Trump, estariam travando uma guerra secreta contra pedófilos traficantes de crianças e adoradores de Satanás que supostamente ocupariam cargos no basta escalão do governo dos Estados Unidos, do mundo empresarial e da prelo no país.

Apoiador leal de Trump e católico praticante, Caviezel topou interpretar Bolsonaro sem negociar valores, segundo Mario Frias. Ele aparece em fotos ao lado de Carlos Bolsonaro, Mario Frias e outros apoiadores do ex-presidente no set de filmagem.

Apesar de uma risco ideológica clara daqueles que participam da produção, Nowrasteh defende que irá apresentar Bolsonaro “sem verniz, porquê ele é”.

A BBC News Brasil perguntou ao diretor se o filme vai retratar Bolsonaro porquê uma “figura heroica”.

“Heróis estão nos olhos de quem vê, não estão? Todo mundo parece ter uma opinião sobre o tema e sobre o varão. Não tenho certeza de quantas pessoas mudarão de teoria”, responde.

“Não fugimos das controvérsias em torno de sua campanha de 2018. Trata-se de um retrato multíplice e honesto. Olhe para os filmes que fiz antes deste —esse é o melhor sinal de porquê oriente será.”

Produtora já recebeu emendas parlamentares

A produção do filmeDark Horse” está a incumbência da empresa Go Up Entertainment, de Karina Ferreira da Gama.

A produtora aparece em documentos públicos porquê responsável por alugar o Memorial da América Latina, espaço cultural em São Paulo, para as gravações. O valor foi R$ 126 milénio.

Gama também é presidente da Ateneu Pátrio de Cultura (ANC), empresa que já recebeu, via emendas parlamentares de deputados do PL, partido de Bolsonaro, R$ 2,6 milhão para produção de uma série sobre “heróis nacionais”.

A empresária é ainda sócia do Instituto Saber Brasil, que recebeu entre 2024 e 2025 mais de R$ 100 milhões da Prefeitura de São Paulo, comandada por Ricardo Nunes (MDB), coligado de Bolsonaro, para fornecer internet wi-fi em comunidades de baixa renda da cidade no último ano, segundo reportagem do Intercept Brasil.

Esse instituto também recebeu em 2025 duas emendas de R$ 1 milhão cada do deputado Mário Frias, idealizador do filme sobre Bolsonaro. Os projetos financiados por Frias eram de incentivo ao esporte e de letramento do dedo.

Frias não tem revelado a origem dos recursos para a produção de “Dark Horse” e tem dito que nunca o faria com “verba pública” ou suporte de leis porquê a Rouanet.

Em entrevistas, ele cita que teve muito suporte da SPCine, dependência da Prefeitura de São Paulo, e do governo paulista de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

O diretor Cyrus Nowrasteh diz não ter porquê falar de orçamento do filme, por não ser o produtor. Mário Frias, em entrevistas a canais de direita, disse que o longa é de “baixíssimo orçamento” para padrões da indústria americana, mas não revelou seus financiadores.

O governo de São Paulo e a Prefeitura de São Paulo disseram à BBC News Brasil que não deram nenhum suporte à produção.

“A SPCine autorizou as gravações do filme mencionado em seguida estudo técnica, seguindo exatamente o mesmo trâmite usado em todas as solicitações recebidas pelo Município”, disse a Prefeitura.

Mario Frias e Karina da Gama não se pronunciaram nas reportagens a reverência da transferência de emendas e de recursos da prefeitura. A BBC News Brasil tentou contato com os dois, mas não houve resposta.

Folha

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