Jensen huang: medo de falir assombra fundador da nvidia

Jensen Huang: Medo de falir assombra fundador da Nvidia – 03/10/2025 – Mercado

Tecnologia

Jensen Huang, 62, possuidor de uma riqueza de US$ 164 bilhões (R$ 877 bilhões) segundo a Forbes e fundador da Nvidia, a empresa com maior valor de mercado do mundo, é obcecado pela possibilidade de ir à falência. Um de seus mantras corporativos é: “Nossa empresa está a 30 dias de fechar as portas”.

“Ele acorda todos os dias pensando nisso”, disse em entrevista o jornalista Stephen Witt, responsável de “A Máquina que Pensa: Jensen Huang, Nvidia e o Microchip mais Cobiçado do Mundo”, que chegou às livrarias no mês pretérito.

Não que isso seja lá tão impossível, mesmo para uma companhia avaliada em US$ 4,6 trilhões (R$ 25 trilhões). Witt explica: a lucidez sintético, tecnologia que fez a companhia deixar de ser uma empresa de claro sucesso, focada no nicho de hardware para games, para se tornar uma potência, pode se revelar uma bolha, chegando a um platô de desenvolvimento. Huang teme essa possibilidade, segundo o responsável.

Outro pavor do empresário é que a Huawei ou outra empresa chinesa consiga inferir a Nvidia uma vez que fornecedora de infraestrutura de IA, fazendo com que a empresa deixe de ser protagonista na China. Fator que também poderia fazer as ações da empresa despencarem e é segmento da força motriz obsessiva do CEO para se distanciar do fracasso.

Huang, aliás, odeia competição, em um traço que ajuda a explicar o sucesso do empresário, nascido em Taiwan e criado nos Estados Unidos. Desde o início da companhia, no prelúdios dos anos 1990, ele buscou deliberadamente edificar ferramentas que o mercado ainda não pedia, com poucos ou nenhum cliente potencial, para prometer que, se a aposta desse claro, a Nvidia fosse a única na raia.

“À medida que desenvolvia essas ferramentas, seu raciocínio era: ‘Se um dia eu conseguir fazer isso funcionar, logo seremos o único fornecedor'”, conta Witt. É o concepção de “mercado de zero bilhão de dólares”, por possivelmente nem viver ainda.

O empresário nunca quis, por exemplo, espancar de frente com o gigante Intel, atualmente em apuros. A estratégia era vender produtos alternativos, que a rival não queria fabricar, para clientes que ela não queria atender (no mês pretérito, a Nvidia anunciou um investimento de US$ 5 bi na Intel, tornando-se uma das maiores acionistas da empresa, que procura se reerguer).

Essa aposta no inexplorado, que pode levar anos para dar resultado, é de cimo risco.

O domínio da Nvidia na lucidez sintético é resultado da união estratégica de tecnologias antes desacreditadas: computação paralela (com uma mudança na arquitetura de seus processadores para que a máquina resolva mais de um problema por vez) e redes neurais (tecnologia que imita o escorço do cérebro humano para fazer cálculos estatísticos complexos, que foi testada por décadas, sem funcionar a contento).

Essa estratégia muitas vezes causava embates. Durante uma dez, até por volta de 2012, as ações da companhia ficaram estagnadas porque os lucros eram reinvestidos em projetos de longo prazo. Um dos mais polêmicos foi a tecnologia que gerou a plataforma de software Cuda, que consolidou a dominância da empresa no mercado de IA, por facilitar a solução de problemas complexos pelos programadores.

Os primeiros clientes eram de nichos acadêmicos, sem muita verba, e a adesão à tecnologia foi lenta. Investidores viam o projeto uma vez que um ralo de moeda que afetava o valor das ações da empresa. Huang chegou a ser cândido de investidores ativistas, que pediam sua saída.

A viradela só veio com a lucidez sintético. Em 2012, um grupo de acadêmicos de Toronto usou GPUs (unidades de processamento gráfico) da empresa para treinar uma rede neural chamada AlexNet. O sistema venceu uma competição de reconhecimento de imagem por margem esmagadora, mostrando que a tecnologia da Nvidia era centenas de vezes mais rápida para treinar IA do que os concorrentes.

Depois disso, o empresário decidiu apostar “a empresa inteira” na lucidez sintético. A ação da companhia saiu de muro de US$ 0,30 em meados de 2012 para US$ 187 agora.

Mourejar com o empresário não é fácil, é uma vez que “inserir o dedo na tomada”, afirma um dos executivos no livro. O CEO é venerado pelos funcionários, mas ao mesmo tempo tem acessos de fúria ao cobrar os empregados, com recta a plateia.

“Quando Huang detonava um funcionário, costumava fazê-lo em público, para que os demais aprendessem com a experiência”, conta o livro. O objetivo é “compartilhar o fracasso”. É uma relação que mistura paixão, pânico e culpa

“Sim, Huang pode ser reprovável”, afirma o responsável, que sentiu essa fúria pessoalmente, ao fazer uma pergunta que ligava os possíveis efeitos da IA sobre a sociedade a um cenário de ficção científica.

“Esta empresa não é uma revelação do Star Trek! Não é isso que estamos fazendo! Somos gente séria, fazendo um trabalho sério. E… é só uma empresa séria, e eu sou uma pessoa séria, fazendo um trabalho sério”, berrou, segundo relato do livro.

O biógrafo considera que a próxima grande fronteira para Huang e a Nvidia é o mercado de robôs. “Ele quer estar no meio da revolução da robótica”, o que inclui edificar, treinar e vender o cérebro para essas máquinas: “Ele tem pânico de permanecer de fora, ele não pode não estar lá”.

Ao contrário de Witt, que teve o receio com a lucidez sintético uma vez que um dos motivos para ortografar o livro, o possuidor da Nvidia se irrita com catastrofistas. Ele vê essa tecnologia uma vez que uma instrumento poderosa para o progresso humano, uma novidade revolução industrial, e não uma vez que uma ameaço à humanidade.

“A tecnologia só processa dados”, diz ele. “Há muitas outras coisas para nos preocuparmos.”

Folha

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