Jesuíta barbosa faz peça inspirada em sidarta ribeiro 03/07/2025

Jesuíta Barbosa faz peça inspirada em Sidarta Ribeiro – 03/07/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Há uma coincidência nas trajetórias de Ney Matogrosso e Jesuíta Barbosa —os dois escolheram o teatro porquê principal forma de frase artística, mas conquistaram grande sucesso em outras frentes. Ney porquê um dos intérpretes mais aplaudidos da música brasileira e Jesuíta com personagens emblemáticos no cinema e na TV.

O ator, elogiado pela versão do cantor no filme “Varão com H”, faz uma correção de rota ao estrelar a peça “Sonho Elétrico”, da Companhia Brasileira de Teatro, liderada pelo dramaturgo e diretor Marcio Abreu.

“De certa forma, é um retorno. Não quero mais permanecer muito tempo longe”, afirma, sobre a peça que protagoniza em seguida seis anos distante dos palcos. “Eu mudei para São Paulo para fazer teatro”, lembra o ator pernambucano sobre a decisão tomada há quase uma dez.

A última experiência nas artes cênicas havia sido em “Lazarus” (2019), músico escrito por David Bowie e Enda Walsh e dirigido por Felipe Hirsch. Na TV e no cinema, por outro lado, Jesuíta construiu personagens marcantes antes de viver Ney Matogrosso, entre eles o Jove da romance “Pantanal”, e Ramirinho/Shakira do Sertão na série “Onde Nascem os Fortes”.

Simpatizante da Companhia Brasileira de Teatro, ele manifestou o libido de trabalhar com Abreu em seguida presenciar a “Ao Vivo: Dentro da Cabeça de Alguém” (2024), peça baseada em uma experiência metafísica de Renata Sorrah.

“Sonho Elétrico” é um espetáculo criado em diálogo com a obra de Sidarta Ribeiro, com foco principal no livro “Sonho Manifesto: Dez Exercícios Urgentes de Otimismo Apocalíptico”, em que o neurocientista denuncia a crise ambiental e social e, ao mesmo tempo, celebra a oportunidade de expandir a consciência planetária.

No espetáculo, uma prosseguimento de “Ao Vivo”, Jesuíta é um músico que faz segmento de uma filarmónica e é atingido por um relâmpago. Em coma, fica no limiar entre a vida e a morte e explora sonhos e memórias. Divide o palco com os atores Jéssyca Meireles, Idylla Silmarovi e Cleomácio Inácio.

A peça é um desdobramento de outros trabalhos da companhia em parceria com Sidarta, porquê a plataforma Voo Livre, criada em 2023 para reunir artistas e pensadores porquê forma de reação às consequências da pandemia e dos ataques do governo Bolsonaro às artes e à ciência.

Idealizada por Abreu e pelos artistas e produtores Cássia Damasceno, Nadja Naira e José Maria, a Voo Livre contou com Sidarta em três momentos —em cena, no evento “Voo Livre – Futuros”, realizado no Sesc Copacabana em 2023; na segunda edição do encontro, em 2024, no Sesc Pompeia; e na terceira edição do projeto, “Voo Livre – Sonho Elétrico”, que deu origem ao espetáculo atual.

“A plataforma se tornou organicamente um conjunto de princípios éticos, estéticos, políticos. Foi uma reação a um sufocamento que vivemos nos anos terríveis da pandemia e do fascismo institucionalizado”, diz Abreu sobre a iniciativa. “Falando de uma maneira muito confessional, eu havia perdido o eros para continuar existindo porquê artista”.

A movimentação em torno dos sonhos e das possibilidades de porvir que eles carregam tiveram no diretor o poder de restabelecer a vitalidade para “carregar uma serra”, ação que, segundo ele, é necessária nas montagens teatrais.

Além de Sidarta, outros pensadores e artistas, porquê Grace Passô e Ave Terena, participaram do período de estudos que culminou em “Sonho Elétrico”. O Meio de Pesquisa Teatral do Sesc Consolação sediou o processo criativo.

“É uma conversa sobre o término do mundo e sobre o início de um novo mundo”, resume Sidarta. “Eu me sinto muito privilegiado de poder me aproximar do teatro, porque é um mundo de asseveração da vida.”

Emocionado nos bastidores do espetáculo, Sidarta lembra que a vida é posta em xeque na maior segmento dos ambientes em que ele circula. No palco, ela volta a dimanar por meio de choros, risadas, amores e emoções.

“Eu acho que é disso que a gente precisa. Nesse mundo de robôs, isso é profundamente humano. No ano que vem temos um encontro marcado com o fascismo. E acho que essa peça é um ato político.”

Tocar, junto com o público, canções populares porquê “Majestade, o Sabiá”, clássico sertanejo de Roberta Miranda, faz segmento dessa resistência, assim porquê recorrer às ancestralidades africanas e indígenas para prometer a existência.

E tem Ney Matogrosso —não dá para deixá-lo fora dessa e de tantas outras conversas.

Jesuíta não teme que o público confunda o personagem da cinebiografia com o que encarna no teatro. No entanto, o cantor performático, rebolando aos 83 anos, é uma inspiração inegável para o ator, à vontade no palco cantando, dançando e usando figurino de paetês.

“O Ney cria personagens nos shows e isso comunica com o teatro. É muito importante para que eu entenda o potencial de um artista cênico”, explica Jesuíta, declaradamente feliz com os encontros que só a arte proporciona.



Folha

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