João rock: multidão menor é atraída por música brasileira

João Rock: Multidão menor é atraída por música brasileira – 15/06/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Ao contrário do ano pretérito, quando os ingressos se esgotaram, a edição do João Rock, que aconteceu neste sábado (14) em Ribeirão Preto, no interno paulista, teve público reduzido para ver apresentações de nomes uma vez que Planet Hemp, Barão Vermelho e BaianaSystem.

Embora o festival ainda tenha reunido murado de 60 milénio pessoas, a venda de ingressos não atingiu a lotação máxima de 70 milénio, o que reflete um cenário econômico mais precatado e de saturação dos megaeventos de música.

Em atividade há mais de duas décadas, o evento devotado aos artistas brasileiros conta com 75% do público vindo de cidades vizinhas, uma vez que São Carlos, Franca, Araraquara e até Barretos. Com atrações de rock, MPB, rap, reggae, entre outros estilos, o João Rock se consolidou uma vez que um espaço para jovens de regiões onde o sertanejo predomina e as oportunidades de ver artistas de outros gêneros são escassas.

A baiana Melly foi a primeira a subir ao palco Aquarela —espaço reservado às mulheres—, por volta das 14h, com um show devotado ao seu álbum de estreia “Amaríssima”, de 2024, que inclui canções uma vez que “Azul”, “Cacau” e “Bandidas”.

A cantora se apresentou para uma plateia que parecia realmente não conhecê-la. Exclusivamente “Azul”, seu maior sucesso, foi entoado em coro. Mesmo assim, a artista, vencedora do Prêmio Multishow e indicada ao Grammy Latino, mostrou segurança vocal e presença de palco. A participação próprio de Sued Nunes, com “Menino Molhado” e “Povoada”, indicou o libido do festival em apresentar novas vozes ao público.

No palco João Rock, Rael mostrou a pluralidade de seu repertório, misturando rap, reggae, funk e até pagode baiano. Em sucessos uma vez que “Ser Feliz”, “Flor de Aruanda” e “Aurora Boreal”, o público o acompanhou alvoroçado. O artista ainda surpreendeu com versões de Bob Marley, James Brown e Chic. Nesse momento da apresentação, chamou a atenção com sua extensão vocal e por incorporar trejeitos típicos de cantores gospel americanos. Ele encerrou com as canções “Envolvidão” e “Sempre”.

No palco Brasil, espaço reservado a black music, Sandra de Sá atraiu grande público com seus clássicos “Bye Bye Tristeza”, “Solidão” e “Retratos e Canções”. Ela também interpretou faixas uma vez que “A Namorada” e “Madalena” e fez um oração que enfatizava a volubilidade étnica do país. Segundo ela, quando lançou o álbum “Música Preta Brasileira”, foi acusada de cometer “racismo revirado”. Em sua resguardo, disse que o Brasil é um país preto.

De volta ao principal palco, o Cidade Negra realizou um encontro inédito com o coletivo internacional Playing For Change. Em celebração aos 30 anos do álbum “Sobre Todas as Forças”, o grupo entoou hits uma vez que “Girassol”, “Fundamento” e “Pensamento”, além de receber Rael no palco para uma participação próprio em “O Erê”. A margem só foi atrapalhada por estalos nas caixas de som.

Zélia Duncan subiu ao palco Aquarela por volta das 20h e enfileirou sucessos uma vez que “Não Vá Ainda”, “Enquanto Durmo” e “Pagu”. Seu show contou com a participação de Paulinho Moska, que a cumprimentou com um ósculo na boca, e fez dueto em “Pensando em Você” e “Mesocarpo e Osso”. Ela também enfrentou problemas no som que insistiam em enunciar um sonido grave, um pouco sobre o qual a artista reclamou para a produção.

Ao relembrar sua primeira passagem pelos palcos do João Rock, entre 2006 e 2007, Duncan contou que, na idade, era vocalista dos Mutantes. Ela logo dedicou a música “Meio Desligado” a Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias. Uma curiosidade dessa idade é que Rita Lee cortou relações com Duncan justamente por ter ela aceitado integrar sua antiga margem. Em entrevista à Tati Bernardi no ano pretérito, a cantora fluminense afirmou que isso ainda dói nela.

Em um dos raros momentos políticos do festival, Duncan declarou “sem anistia” em relação aos réus do 8 de janeiro. Ela recebeu uma plateia dividida com reações tímidas de escora ou de insatisfação, com alguns até se retirando do show.

Vanessa da Mata também passou pelo Aquarela com sucessos uma vez que “Ainda Muito”, “Querido” e “Boa Sorte (Good Luck)”, além de homenagens a Jovelina Pérola Negra, Tim Maia e Milionário & José Rico —a estes últimos dedicou uma versão rock de “Vá pro Inferno com Seu Paixão”. Ela ainda apresentou “Maria Sem Vergonha”, de seu novo álbum “Todas Elas”.

Veterano do festival, com ao menos seis participações, Nando Reis levou ao público seu repertório de 40 anos de curso, começando com a recente “Rio Creme” e passando por sucessos uma vez que “Marvin”, “O Segundo Sol” e “All Star”, além de apresentar a novidade “Dois Réveillons”. Mas ele deixou a plateia extasiada mesmo quando apresentou uma versão de “Relicário”, que ganhou um conserto com muito mais espaço para a margem rutilar —foram quase cinco minutos cheios de rock instrumental.

O BaianaSystem, por sua vez, transformou sua apresentação em uma experiência multissensorial, unindo música, cultura e ancestralidade. Com um repertório que incluiu “Firmamento Azul”, “Cabeça de Papel”, “A Mosca”, “Balacobaco” e “Saci”, o grupo resgatou raízes africanas e indígenas, encerrando com a participação de um coral de crianças evocando a fé de Salvador.

Com a programação cronometrada, o festival praticamente não registrou atrasos, mas a rigidez nos horários limitou o tempo dos artistas para apresentar seus maiores sucessos, normalmente reservados para o final dos shows. Zélia Duncan, por exemplo, não pôde trovar “Psique” por falta de tempo, e Sandra de Sá apresentou exclusivamente um trecho de “Olhos Coloridos”. Já o Maneva chegou a anunciar uma temporada reggae na apresentação, mas encerrou logo em seguida, sem sequer se despedir do público.

Seu Jorge foi um dos destaques do festival. Além de uma participação próprio no show do Farofa Carioca, comandou sua própria apresentação no palco Brasil e ainda encontrou fôlego para subir ao palco João Rock com o Planet Hemp, que encerrou o evento.

Mesmo com o público reduzido —um cenário que também atinge grandes festivais uma vez que Lollapalooza e Rock in Rio, que não esgotaram todas as suas datas, e o The Town, que ainda não vendeu todos os ingressos de nenhum dia—, o João Rock reafirma a força da música brasileira em atrair multidões.

A jornalista viajou a invitação do festival João Rock.

Folha

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