Jonathan Anderson revê looks da Dior com imaginação fértil – 27/06/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Um jovem estilista do setentrião da Irlanda trazia a chance e a responsabilidade de ressuscitar a subida voga, que quase respirava por aparelhos em meio à crise de novidades e relevância. Ele não desperdiçou nem uma nem outra: na calorenta tarde desta sexta-feira (27), na Semana de Tendência de Paris, em seu primeiro desfile para a maison francesa Dior, Jonathan William Anderson fez história com os 67 looks de sua coleção masculina.

O pregão de sua escolha já aqueceu as expectativas do mercado. Seguido de um longo período de especulações, ele de indumentária tomou o posto antes ocupado por sete anos pelo britânico Kim Jones, na risca masculina, e pela italiana Maria Grazia Chiuri, havia nove anos na ramificação feminina.

Formalizado em abril último uma vez que diretor criativo da grife, Jonathan Anderson se torna assim o primeiro estilista, depois do próprio Christian Dior, a responder por todas as escolhas artísticas na lendária mansão francesa, o que hoje contempla 18 coleções anuais, mais campanhas, redes sociais e eventos. A pressão é enorme e próxima daquela que levou ao surto John Galliano, primeiro do feminino por tapume de 15 anos.

Daí a valimento dessa apresentação, que aconteceu no Hôtel National des Invalides, construído no século 17. Apesar da presença de estrelas uma vez que uma gravidíssima Rihanna, o rapper A$AP Rocky, a cantora Sabrina Carpenter e o planeta Sam Nivola, que exibe as peças no Instagram da marca, toda a internet pode ver o desfile, transmitido ao vivo.

O evento abriu ao som de “State Trooper”, de Bruce Springsteen. Já uma sugestão do tempero americano que Jonathan Anderson daria a essa coleção, que surge mercantil e muito cool. Ele traz elementos do estilo preppy, o melhor da caretice americana no vestir, que se tornou influente a partir de seu interceptação com os esportes associados ao privilégio, desde o final dos anos 1950.

O trabalho de Jonathan Anderson contém ironia e ricas camadas de teor, portanto zero é assim tão literal. O vocabulário desse novo normal, “normcore”, constituído por muitas listras, malhas em V, camisas azuis, cargos, cáquis e os tênis de tiozão vem atravessado por golas do século 18, que oferecem anacronismos para nos tirar do cotidiano.

Zero melhor que buscar consolo e escape na literatura. As interpretações de Jonathan Anderson para a icônica “Book Tote” da Dior buscam “estampas” em capas de livros uma vez que “Drácula” —romance gótico publicado em 1897— de Bram Stoker, e “Ligações Perigosas” — que vê babados da sociedade de 1782.


Românticos florais aparecem cá e ali, uma vez que nos bordados e nos anéis desenhados por Victoire de Castellane, a aristocrática diretora de subida joalheria da Dior, na mansão desde 1999, que o estilista reedita e coloca na edição dos looks, “quebrando” o lado mais padrão da masculinidade cá celebrada. A venustidade do desfile acompanha: sobrancelhas escuras, reforçadas, com blushs que coram as faces dos modelos.

Babados e drapeados ornam as bermudas, aludindo à forma de uma saia volumosa, balonê, uma vez que no look que abre a apresentação. Rapazes imberbes aparecem portanto com as tais golas avulsas, alternadas com gravatas amarradas em laços ou nós, com as pontas voltadas para fora, inspirados naqueles usados pelo próprio Monsieur Dior.

Surge também uma alfaiataria feita de calças de proporções soltas, com coletes, capas, paletós de ombros no lugar. Casacas usadas sem camisa vêm intercaladas com jaquetas que remetem à famosa forma Bar, a que vem com o “new look” e justamente colocou a Dior no mapa-múndi da voga no final dos anos 1940 e no início dos anos 1950.

O new look de Jonathan Anderson vem em tweed Donegal irlandês, símbolo da tradição irlandesa, remetendo a suas origens. Nos pés, sandálias de pescador, chinelos coloridos de quarto (que luxo!); tênis de boxe desbotados, cadarços afrouxados, prontos para o uso.

O recorte histórico se conecta com a estética do período vitoriano (1837-1901), do próprio desenvolvimento do romance uma vez que forma literária, com obras que exploravam a natureza e os sentimentos humanos. É o caso do campestre filme em que Nivola interage com um jardim, com a malha branca bordada de flores, a mesma que ele foi ao desfile.

Uma idade de contradições e bastante hipocrisia, tal qual a nossa, que aparece na imaginação fértil de Anderson. Ideias não lhe faltam, uma vez que provou seu tempo na Loewe, onde ele ficou 11 anos e fez esplender os olhos e os cofres do grupo LVMH, possuidor da Dior.

Em sua marca própria, a JW Anderson, ele deu início à escrita de uma partitura de excentricidade e experimentação, e vai ser no mínimo risonho ver uma vez que ele desdobra essa segmento de sua persona técnica no jogo dos peixes grandes e dos tubarões.

Nessa volta da tendência “normcore”, retornam também logos, sobre os quais vão fazer a sarau os copiadores e falsificadores mundo afora. A Dior que se segure. O garoto que cresceu nos anos 1980 em meio aos conflitos da Irlanda do Setentrião, fruto de uma professora e de um jogador de rúgbi em uma pequena cidade conservadora, foi agora aplaudido de pé. A voga está viva e a temporada segue.



Folha

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