Jorge Zalszupin ganha mostra com seus móveis icônicos 20/11/2025

Jorge Zalszupin ganha mostra com seus móveis icônicos – 20/11/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

No final da dez de 1950, o arquiteto e designer Jorge Zalszupin deu início a uma empreitada que transformaria o perfil do mobiliário brasiliano. À quadra, a arquitetura do país vivia um impetuosidade modernista, do qual ele próprio era um dos representantes ao lado de nomes porquê Oscar Niemeyer, Lúcio Costa e João Batista Vilanova Artigas. A produção de móveis, porém, não havia incorporado ainda essa efervescência.

Não à toa, clientes de Zalszupin tinham dificuldade na hora de encontrar móveis que refletissem o vanguardismo dos projetos que o arquiteto havia concebido. Para suprir essa demanda, ele criou a

L’ Atelier, marca que revolucionou o mobiliário no Brasil ao apostar em trabalhos de estilo futurista e irreverente.

Segmento dessa produção está reunida agora em uma exposição na Lar Zalszupin, residência do arquiteto por seis décadas tornada núcleo cultural em 2021, um ano posteriormente a sua morte. Intitulada ‘L’Atelier’ , a mostra leva ao público alguns dos móveis mais icônicos produzidos por Zalszupin, porquê a poltrona Dinamarquesa, inspirada nas curvas das construções de Oscar Niemeyer e na sofisticação de designers escandinavos porquê Hans Wegner e Finn Juhl.

Outro exemplo é o carrinho de chá, peça que traz uma estrutura de ferro e madeira sustentada por duas grandes rodas de latão. Para conceber esse objeto, o arquiteto se inspirou nos carrinhos de bebê da Polônia, onde ele nasceu, em 1922, e morou até 1940, quando fugiu da ruína causada pela Segunda Guerra Mundial.

“O mobiliário de Zalszupin carrega ludicidade”, diz Marina Frúgoli, que assina a curadoria da exposição. “Ele brincava com as formas e fazia móveis de vista futurista, quase porquê se fossem segmento de uma nave espacial. Ou por outra, ele tinha a maleabilidade de usar elementos modernistas, mas de incluir também outras referências.”

Isso pode ser sentido, por exemplo, na moradia que o arquiteto projetou para morar, residência localizada na zona oeste da capital paulista. O imóvel incorpora características do modernismo europeu, porquê a presença das linhas puras e da transparência de grandes janelas. No entanto, ele adicionou elementos que conferem certa brasilidade à construção, porquê um teto formado por toras de madeira e uma parede cravejada com pedras.

“Um prelúdio desta exposição é a própria moradia de Zalszupin”, diz a curadora. “Nesse espaço, ele propunha um diálogo com o mobiliário, a arquitetura e as artes plásticas.” Esse diálogo, aliás, se fazia presente também na L’ Atelier.

Os cartazes de divulgação da marca incluíam não unicamente móveis, mas também obras construtivistas, movimento que primava pelo racionalismo e por produções de caráter geométrico.

Para se manter leal ao espírito da L’ Atelier, a mostra reuniu obras concretas e neoconcretas de artistas porquê Amilcar de Castro, Luiz Sacilotto, Hércules Barsotti e Judith Lauand.

Um dos destaques são seis telas da série “Tecelares”, de Lygia Pape. Nesse trabalho, a artista fez gravuras em que uniu o artificialismo da geometria às formas orgânicas dos veios da madeira. As linhas presentes no trabalho lembram os padrões encontrados nos móveis de jacarandá criados por Zalszupin.

“A escolha das obras foi feita levando em conta aspectos específicos do mobiliário da L’ Atelier”, diz Frúgoli, a curadora. “Um desses aspectos são os veios de madeira das peças. Por isso, pensei que a gente poderia produzir um diálogo entre o mobiliário e essas obras de Lygia Pape. São telas que trazem tanto organicidade quanto um pensamento racional, elementos que estão presentes também no mobiliário de Zalszupin.”

Outro elemento que permeia o trabalho do designer é a inovação. Ele foi um dos responsáveis por introduzir mobiliários de plástico no Brasil, no final da dez de 1960.

A sua empresa começou a trabalhar com esse material posteriormente conseguir a licença para fabricar no Brasil a cadeira Hille, do designer britânico Robin Day.

O sucesso do resultado foi enorme, fazendo dele um item quase onipresente em escritórios e universidades do país. A partir daí, Zalszupin diversificou a produção, investindo em outros utensílios de plástico, porquê açucareiros, colheres, medidores, porta-garrafas e banheiras para crianças. São itens que se popularizaram no Brasil e fazem segmento da memória afetiva de muita gente.

“Ele saiu da unicidade da madeira e de móveis para mobiliar casas modernistas e se tornou presente no imaginário popular brasiliano”, diz Frúgoli.

Essa produção massificada e em larga graduação encontra sonância no quadro “L’Oréal”, de Geraldo de Barros. Em um diálogo com a arte pop, o artista reproduziu a propaganda de um resultado cosmético, adicionando à imagem cores berrantes para fazer um glosa irônico sobre a sociedade de consumo.

Tons vibrantes estão também nos objetos de plástico produzidos pela L’ Atelier. Para Frúgoli, esse vista vai na contramão do design contemporâneo.

“A gente tem visto cada vez mais a prevalência do cinza e de cores neutras. Mas a subida visitação que essa mostra tem tido reforça que o público gosta também de cores vivas”, diz ela. “A exposição traz obras e móveis históricos, mas ainda assim ela é muito contemporânea.”

Folha

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