Josh o'connor vive ladrão de arte em 'the mastermind'

Josh O’Connor vive ladrão de arte em ‘The Mastermind’ – 22/10/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Alguns homens invadem e roubam um museu durante o dia. Poderia ser o saque de joias ocorrido no Louvre no último domingo (19), mas é a trama de “The Mastermind”, filme em que Josh O’Connor interpreta um jovem malogrado de classe média que surrupia quadros do modernista Arthur Dove de um modesto museu no interno de Massachusetts, estado americano onde mora.

O novo filme de Kelly Reichardt, nome proeminente do cinema americano independente, faz um glosa espirituoso sobre a desilusão da classe média com o sonho americano enquanto acompanha o passo a passo do transgressão de James —e sua fuga.

A trama se passa nos anos 1970. A matança da Guerra do Vietnã é transmitida na televisão e protestos eclodem nas ruas dos Estados Unidos, mas James, personagem de O’Connor, não se importa. Estudante de arte malogrado e pai de família, ele está desempregado e é rechaçado pelo pai, que trabalha na prefeitura da cidade e tem uma lar espaçosa e confortável, onde James cresceu.

“Era um momento interessante. A América estava chocada por deslindar que entrou na guerra [do Vietnã] por uma moca. E depois acontece o Watergate”, disse Reichardt, sentada por baixo de um sombra em um terraço em Cannes. “The Mastermind” brigou pela Palma de Ouro no festival, dada a Jafar Panahi por “Foi Exclusivamente um Acidente”.

“Era a perda de inocência de um país. É difícil convencer uma pessoa jovem sobre isso. Meus alunos só se tornaram politicamente conscientes depois Donald Trump”, diz ela. Diretora de filmes celebrados no giro independente, porquê “Certas Mulheres”, com Kristen Stewart e Lily Gladstone, e “First Cow- A Primeira Vaca da América”, Reichardt dá lição na universidade de Bard College, em Novidade York.

Suas narrativas costumam ser mais contemplativas, com diálogos simples e protagonizados por personagens comuns, que no universal estão às margens das histórias. Em “First Cow”, por exemplo, um chinês e um cozinheiro que procuram oportunidades no oeste americano, em 1820, se tornam amigos e enfrentam perrengues de faroeste juntos.

Já James, de “Mastermind”, é o clássico varão branco de classe média malogrado —e ele parece consciente disso, o que alimenta uma espécie de rancor em relação a tudo e todos ao seu volta. “Isso é interessante para mim. Entender quem somos nós mesmos e quem somos nós em uma sociedade”, diz Reichardt.

Em Cannes, o filme gerou burburinho por ser protagonizado por O’Connor, que desfilou no tapete vermelho do festival também com o longa “A História do Som”, em que vive um romance gay com Paul Mescal. O ator britânico já tinha sido aplaudido antes na Croisette em 2023, quando estrelou o drama italiano de Alice Rohrwacher, “La Chimera”, ao lado de Carol Duarte. Foi pela atriz brasileira, O’Connor conta, que ele conheceu Reichardt. Duarte o apresentou a Karim Aïnouz, que aproximou ele da diretora americana.

Por coincidência, Arthur, personagem de O’Connor em “La Chimera”, lembra James, papel que ele interpreta em “The Mastermind”. No longa italiano, ele também vivia um ladrão de arte, que escavava sítios arqueológicos com amigos para revender estátuas etruscas e romanas no mercado furtivo. Arthur, porém, é perturbado pela perda de sua namorada e parece buscar um pouco mais profundo, ao contrário de James.

“Minha sensação sobre a vida é que estamos fazendo descobertas o tempo todo sobre nós mesmos. E se formos fortes o suficiente, podemos fazer mudanças na nossa vida, nos adaptarmos, sermos pessoas melhores”, diz O’Connor. Ele se identifica com a procura existencialista de Arthur, um pouco que tenta suprir com seus papéis no cinema. “Estou interessado nesses grandes momentos da vida, que talvez não identificamos quando os vivemos. Eu trabalho tentando entender a exigência humana.”

Em “The Mastermind”, ele diz que se interessou pela masculinidade frágil de seu personagem, sustentado pela esposa trabalhadora. “O que isso razão em um varão que cresceu acreditando que seu pai é um vencedor enquanto a esposa fica em lar cuidando da lar? Isso afeta seu ego de alguma forma. Em um pretérito não tão distante, homens que iam para a guerra eram considerados heróis”, diz.

Durante as gravações de “The Mastermind”, ele lembra, foi a situação política nos Estados Unidos que mais o impactou. Secção das filmagens aconteceram em Ohio, estado com poderoso base trumpista e território eleitoral de J.D. Vance, vice-presidente dos Estados Unidos.

“Nem sei porquê chegamos cá. Estou muito confusa sobre o momento em que vivemos. Eu sabia que seria ruim, mas eu não sabia que seria tão ruim, e tão rápido”, disse Reichardt. Apesar do transe que as artes enfrentam no país diante da ofensiva de Donald Trump para controlar o setor cultural, ela diz que a prenúncio a cineastas que não têm o escora de grandes estúdios bilionários não é novidade.

“As pessoas dizem que é o término do cinema independente desde que eu tinha 20 anos. De alguma forma, isso me empoderou”, brinca.

Folha

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