Julio Casares anunciou nesta quarta-feira (21) sua repúdio do missão de presidente do São Paulo. Ele já havia sido retirado do missão pelo Parecer Deliberativo na última sexta-feira (16) e se antecipou à votação dos sócios do clube, que definiria seu retraimento definitivo ou o retorno à cadeira presidencial.
O pregão se dá no dia de uma operação da Polícia Social de São Paulo contra um suposto esquema de venda proibido de camarotes no estádio do Morumbi. Foram cumpridos mandados de procura e inquietação contra três investigados, um deles Mara Casares, que é ex-mulher de Julio e atuou porquê diretora feminina, cultural e de eventos.
Casares publicou a decisão em um longa “epístola à comunidade são-paulina”, publicada nas redes sociais (leia inferior). No texto, afirma que presidiu o São Paulo “com absoluta seriedade, firmeza, responsabilidade e compromisso com a resguardo da instituição”. No entanto, diante de “versões frágeis e boatos tomados porquê verdade”, fez a escolha de trespassar em meio ao processo de impeachment.
“Diante da ininterrupção desse envolvente, da premência de preservar minha saúde e, sobretudo, de proteger minha família de ataques e ameaças gravíssimas, muito porquê para evitar que essa disputa política continue a prejudicar o time de futebol e o envolvente esportivo do clube, apresento minha repúdio ao missão de presidente, com efeitos a partir desta data”, publicou.
Dessa maneira, assume de maneira definitiva a presidência Harry Massis Junior, 80. Ele foi vice-presidente no primeiro procuração de Casares, de 2021 a 2023, e também era o vice na placa que ganhou a eleição para o triênio 2024-2026. Ele havia se tornado presidente interino na semana passada e agora ficará até dezembro, quando terminaria o procuração de Julio.
Massis ocupa o grupo político Vanguarda, que, diante das denúncias, deixou a coalizão que apoiava Casares e virou oposição. Ele foi um dos 188 conselheiros que votaram em prol do impeachment –houve 45 votos contra e dois em branco.
Grupos que eram de oposição dizem que a ordem agora é “orientar o presidente” até a desenlace do procuração. Não há, no momento, o projecto de trocar dirigentes e outros profissionais que haviam sido indicados por Casares.
Confira a “epístola à comunidade são-paulina” publicada por Casares
Ao longo de minha trajetória avante da Presidência do São Paulo Futebol Clube, atuei com absoluta seriedade, firmeza, responsabilidade e compromisso com a resguardo da instituição, sempre orientado pelo saudação à sua história, à sua grandeza e à sua torcida.
Nos últimos meses, o clube passou a viver um envolvente de intensa instabilidade, marcado por ataques reiterados, narrativas distorcidas e pressões externas que extrapolaram o debate institucional legítimo.
O que se iniciou porquê versões frágeis e boatos foi sendo reiteradamente reproduzido, amplificado e, gradativamente, tratado porquê verdade, mesmo sem a apresentação de fundamentos consistentes ou provas robustas.
Formou-se, assim, um contexto de grave contaminação do debate, no qual ilações passaram a ocupar o lugar dos fatos e suposições foram apresentadas porquê certezas, em um processo que, aos poucos, transformou versões construídas em verdades aparentes.
Não afirmo, neste momento, autoria, métodos ou responsabilidades específicas, até porque tais questões devem ser devidamente apuradas pelos órgãos competentes. Porém, é impossível ignorar que houve articulações de bastidores, distorções deliberadas e uma trama política ardilosa, marcada por interesses, traições institucionais e expedientes incompatíveis com a história e os valores do São Paulo Futebol Clube — fatos que o tempo e a história haverão de registrar.
Esse cenário afetou profundamente a governança do clube e, de forma absolutamente incabível, ultrapassou os limites da esfera institucional, alcançando minha família e minha vida pessoal.
Não renunciei anteriormente porque entendi ser meu obrigação trenar, até o término, o recta à ampla resguardo e ao contraditório.
Enfrentei esse processo de maneira direta, presencial e com honra, mesmo diante de um envolvente já contaminado por narrativas previamente construídas.
Na prática, a sintoma realizada na tribuna foi o único espaço efetivo que me foi outorgado para apresentar minha resguardo, em um rito sumário que, ao meu raciocínio, restringiu a necessária produção de provas e o pleno explicação dos fatos.
A decisão tomada por nascente Parecer encerra um processo de natureza política.
Saudação essa decisão, ainda que dela discorde, e reafirmo, com absoluta fé, que nunca pratiquei qualquer irregularidade.
Minha repúdio não representa confissão, reconhecimento de culpa ou validação das acusações que me foram dirigidas.
Diante da ininterrupção desse envolvente, da premência de preservar minha saúde e, sobretudo, de proteger minha família de ataques e ameaças gravíssimas, muito porquê para evitar que essa disputa política continue a prejudicar o time de futebol e o envolvente esportivo do clube, apresento minha repúdio ao missão de Presidente, com efeitos a partir desta data, antecipando, inclusive, o tirocínio do recta estatutário de esperar a Câmara Universal.
Faço questão de registrar que deixo um clube esportivamente estruturado, com um time competitivo, que voltou a disputar decisões, chegou a finais e conquistou títulos de grande relevância. Destaco, de forma peculiar, a conquista da Despensa do Brasil de 2023, título inédito e histórico, que simboliza o trabalho sério, responsável e comprometido desenvolvido ao longo da gestão.
Esse desempenho é fruto do esforço conjunto de atletas, percentagem técnica e profissionais do clube, aos quais manifesto meu saudação e crédito.
Tenho absoluta fé de que seguirão honrando essa camisa e lutando por títulos, com o esteio da torcida e da instituição.
Meu retraimento também tem porquê objetivo permitir que eventuais apurações ocorram de forma ampla, técnica e isenta, sem qualquer argumento de interferência, para que a verdade possa ser plenamente buscada e alcançada.
Reitero, por término, minha certeza de que o São Paulo Futebol Clube é maior do que qualquer missão, estado ou narrativa construída.
Ao São Paulo Futebol Clube, paixão de puerícia e da minha vida, nunca renunciarei. Renuncio, sim, ao envolvente de conspirações, distorções, mentiras e disputas de poder que ultrapassaram os limites democráticos e tentaram manchar trajetórias, biografias e a própria história do clube.
Despeço-me com saudação, gratidão e paixão permanente por esta instituição, que sempre honrarei.
Júlio Casares
