Kasparov reconhece superioridade das máquinas 27/09/2025 esporte

Kasparov reconhece superioridade das máquinas – 27/09/2025 – Esporte

Esporte

Em maio de 1997, o portanto vencedor mundial de xadrez Garry Kasparov perdeu confronto em uma série de seis partidas contra Deep Blue, sistema computacional desenvolvido pela IBM que havia sido derrotado por ele no ano anterior.

Quase 30 anos depois, Kasparov avalia que, com o atual estágio de desenvolvimento da lucidez sintético, as máquinas são hoje muito superiores aos humanos em uma partida de tabuleiro.

Mas ressalta que, mesmo que com chances cada vez mais reduzidas, os humanos ainda têm uma pequena verosimilhança de conseguir fustigar os robôs.

“Sempre há um espaço, mesmo que relativamente pequeno, onde a percepção humana, a compreensão humana, a originalidade humana podem se tornar um fator decisivo”, afirmou Kasparov à Folha.

Para ele, no entanto, a era da competição entre humanos e máquinas ficou para trás. O enxadrista nascido no Azerbaijão defendeu que o foco agora deve estar na união de forças, voltadas ao desenvolvimento de pesquisas que ajudem a solucionar problemas da humanidade.

Considerado o maior enxadrista da história por publicações especializadas, Kasparov está no Brasil para promover as finais do Grand Chess Tour, rotação internacional de xadrez que ajudou a fundar em 2015. O torneio ocorre deste sábado (27) até a próxima sexta (3), em São Paulo, no WTC.

Estão na disputa alguns dos principais jogadores do ranking mundial, porquê o norte-americano Fabiano Caruana, terceiro do mundo, e o indiano Rameshbabu Praggnanandhaa, quarto. É a primeira vez que as finais são realizadas na América Latina, com uma premiação totalidade de US$ 350 milénio (R$ 1,9 milhão).

Suas partidas contra o Deep Blue em 1996 e 1997 foram momentos emblemáticos na história do esporte. Quase 30 anos depois, o sr. acredita que o ser humano ainda é capaz de enfrentar e derrotar a lucidez sintético? Já estamos muito além do estágio de competição. Não se trata de competir, mas de colaborar. Qualquer jogo, qualquer tipo de atividade que tenha padrões, regras e cálculos, é um território que as máquinas dominam, o que não significa que devemos parar de fazê-lo. Simplesmente temos que levar em conta as novas informações disponíveis. Graças aos computadores, entendemos o xadrez melhor do que antes.

Mas o ponto-chave é que, ao interagir com computadores, seja no xadrez, no Go, no pôquer ou em qualquer outro jogo, estamos coletando dados muito importantes e úteis para ser aplicados em pesquisas adequadas. Por exemplo: o projeto DeepMind, levado por Demis Hassabis e sua equipe, sob o guarda-chuva do Google, começou com o desenvolvimento de novos algoritmos para jogos e acabou com um Prêmio Nobel de Química pelos estudos sobre proteínas. É aí que acredito que a colaboração homem-máquina poderia ser testada de forma mais eficiente usando jogos. O xadrez foi um campo pioneiro. E eu fui, de certa forma, o primeiro trabalhador do conhecimento humano que teve seu ocupação diretamente ameaçado por uma máquina.

Existe qualquer paisagem do xadrez em que os humanos ainda são melhores do que as máquinas? Não se trata de xadrez. É vital entender que, na maioria dos casos, na esmagadora maioria dos casos, as máquinas podem tomar melhores decisões. Mas sempre há um espaço, mesmo que relativamente pequeno, onde a percepção humana, a compreensão humana, a originalidade humana podem se tornar um fator decisivo. O sigilo para ser bem-sucedido é reconhecer que tipo de tributo humana é verosímil juntar a uma máquina específica, a um problema específico. Não se trata de competir, mas de buscar a sinergia mais eficiente.

O desenvolvimento da lucidez sintético pode simbolizar um risco para o porvir da humanidade? Esse debate é muito macróbio. Às vezes, lembro às pessoas que o primeiro oração enamorado contra as máquinas foi proferido na Grã-Bretanha, em Londres, na Câmara dos Lordes, em 1812, por ninguém menos que lorde Gordon Byron. De certa forma, foi o manifesto dos luditas que se opunham às máquinas. Uma vez que as máquinas historicamente destruíram as indústrias tradicionais, na cultivação ou na manufatura, elas sempre criaram novas oportunidades. Mas, ao gerar novas oportunidades, elas destruíram antigas indústrias.

Se olharmos para a história da humanidade, as máquinas sempre criaram disrupção e nos ajudaram a buscar novos patamares. A única diferença agora é que não se trata de cultivação, de manufatura, não é sobre força física ou velocidade. Trata-se de pensamento. Trata-se de habilidades cognitivas. Mas, se você parar de pensar nas habilidades cognitivas porquê alguma coisa sagrado, verá o mesmo padrão. Acredito que estamos adquirindo uma força fenomenal que pode nos ajudar a nos tornar mais inteligentes e também a realizar o nosso potencial supremo.

Uma vez que a lucidez sintético contribuiu para o desenvolvimento do xadrez nos últimos anos? As máquinas deram uma tributo tremenda porque, por um lado, mudaram a forma porquê os jogadores profissionais se preparam para o jogo, porque você simplesmente não pode imaginar qualquer preparação sem computadores hoje em dia. Mas também mudou a ênfase de aberturas muito agressivas para um desenvolvimento mais lento, porque você não quer ser vítima de uma estudo superior. É por isso que a ênfase se moveu para o meio do jogo. É um instinto oriundo de sobrevivência dos melhores jogadores. Eles ainda fazem algumas jogadas mais arriscadas, mas raramente.

Outrossim, ajudou mais pessoas a se envolverem, porque agora você pode fazer uma boa pesquisa mesmo sem ser um jogador muito possante, sem a ajuda de uma grande equipe. Mas a coisa mais importante, e positiva, aconteceu na base da pirâmide do xadrez. Porque hoje você pode ter milhões de pessoas assistindo ao jogo de Magnus Carlsen [ex-campeão mundial] e Fabiano Caruana, por exemplo, sem nem mesmo esperar que um comentarista profissional intervenha. Você pode ver exatamente na tela se Magnus fez um movimento bom ou ruim.

Mesmo sendo muito irritante, porque às vezes é irritante sentir que as pessoas podem olhar para a máquina e criticar Magnus Carlsen, entendo que isso ajuda o jogo a lucrar popularidade. Agora você pode presenciar do seu escritório, sentado na sua cadeira, mesmo sendo um jogador medíocre, mas sabe exatamente o que está acontecendo lá, o que é fundamental. Sempre foi um grande repto para o jogo de xadrez, porque as pessoas assistiam ao jogo, mas não entendiam, portanto tinham que esperar pelo observação. E frequentemente os comentaristas eram muito tímidos para criticar os grandes campeões. Agora é a máquina, você aperta o botão e sabe tudo.

Em agosto de 2023, a Fide proibiu a participação de jogadores transgênero em competições femininas, por uma suposta vantagem masculina na modalidade. Qual a opinião do sr. a saudação da proibição? O xadrez teve sorte, não estou cônscio de que esse problema exista no jogo de xadrez. Quanto aos outros esportes, ainda penso que existem esportes masculinos e femininos. E não acho que você deva misturar essas coisas. Se há jogadores transgênero, acho que talvez devessem considerar uma outra categoria. Mas acho que trazê-los para o xadrez feminino não é uma boa teoria.

Judit Polgár foi a única mulher a figurar no top 10 do ranking mundial. Os homens tendem a jogar melhor do que as mulheres? Por quê? Parece que sim. Houve poucas exceções. Judit Polgár foi uma jogadora única, o que prova que não é impossível para uma jogadora. Mas até agora ninguém chegou perto. Talvez seja por culpa do espírito competitivo. Acho que provavelmente tem alguma coisa a ver com as longas tradições da sociedade. Se alguma coisa continua se repetindo ao longo dos séculos, não é verosímil mudar tudo instantaneamente. Exceções porquê Judit Polgár mostram que é verosímil. Mas as tradições e a sociedade estão impedindo que isso se torne geral.

Relâmpago-X | Garry Kasparov, 62

Nascido em 13 de abril de 1963 em Baku, na portanto República Socialista Soviética do Azerbaijão, segmento da hoje extinta União Soviética, foi o mais jovem vencedor mundial de xadrez, aos 22 anos, em 1985. Ele manteve o título até o ano 2000. Cinco anos depois, aposentou-se do xadrez profissional. Em 2015, ajudou a fundar o Grand Chess Tour, rotação internacional patrocinado pelo Saint Louis Chess Club e pela Superbet Foundation.

Folha

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *