Em 2006, a italiana Laura Pausini lançou “Io Esquina”, álbum em que resgatou antigas canções de seu país importantes em sua formação. Porquê resultado, o sucesso global. Agora, 20 anos depois, ela traz “Io Esquina 2”, um disco parecido na proposta, mas dissemelhante na concepção.
“Ele não estava programado”, diz a cantora. “A minha gravadora esperava um disco meu para 2027. Lembro que, em dezembro de 2024, durante um experiência, perguntei para a minha filarmónica se poderíamos tocar uma música fora do meu repertório. Ali, naquele momento, na passagem de som. E foi logo que entendi que tinha chegado a vontade de fazer mais um disco de homenagens.”
Ela chamou portanto sua gravadora e empresários. “Em janeiro do ano pretérito, disse a eles que já me sentia pronta para uma novidade turnê. Meu agente quis me matar. Tínhamos feito uma turnê um mês antes, era muito pouco tempo de pausa.” Pausini associa esse libido cada vez mais potente de ir aos palcos ao sofrimento que relata ter sentido durante a pandemia de coronavírus.
“Fiquei com temor de que não fosse verosímil voltar a ter uma vida normal, aquilo que eu acho que seja minha vida normal. Viajar, sentir as pessoas, me sentir viva. Não faço segmento da turma de artistas que gosta de criar, de gravar no estúdio. Sabor do ao vivo. Não é importante saber quantas pessoas estão lá, o que importa é ter alguém para quem eu possa mostrar a minha música.”
Pausini tem uma explicação muito peculiar para gostar desse tipo de álbum. “Eu só faço um disco de ‘covers’ quando sinto que preciso fazer, é alguma coisa físico, sabe? Parece tolice, mas é alguma coisa que sinto até nas cordas vocais. Eu fico um pouco cansada de trovar somente as minhas canções, que eu trabalhei tanto no estúdio.”
A artista italiana destaca também memórias de juventude ligadas a esse projeto. “É um pouco uma vez que voltar à minha juvenilidade, quando eu cantava em piano-bar com meu pai. Sempre sonhei em trovar, não sonhava em ser uma pessoa famosa”, afirma.
“Para mim, voltar a trovar músicas de outros vem do trajo de, apesar de ter uma curso própria, eu ainda sou uma fã”, diz Laura Pausini. “Quando eu estou em lar, ou no sege, quina junto. Em festas, adoro organizar karaokês.”
Dessa forma, o repertório traz regravações de seus ídolos, num desfile do melhor da música italiana. Estão no repertório Umberto Tozzi, Zucchero, Achille Lauro, Lucio Dalla e outras lendas. E a presença de Madonna, na escolha de “La Isla Formosa”, hit da cantora americana em 1986.
Durante o processo de produção, ela mudou algumas músicas. “Gravei ‘Non Sono una Signora’, da grande roqueira italiana Loredana Bertè. A princípio, queria outra música dela. Mas depois, escutando toda a discografia, mudei de opinião. No ‘Io Esquina’, eu me dediquei mais a canções antigas. Neste segundo disco, apesar de ter uma música de 1963, tenho até uma de 2023, é um pausa muito mais extenso.”
Pausini gosta de expor as motivações por trás dos trabalhos que lança, mesmo que às vezes só façam sentido para ela. “Posteriormente gravarmos 98 ‘demos’, escolhi as que entrariam no disco, para dar um estabilidade entre baladas e coisas mais roqueiras. Percebi que estava ali uma história de canções de autores italianos, e de gente que descende de italianos, uma vez que Marisa Monte”, diz a cantora, justificando assim a gravação de “Já Sei Namorar”, hit dos Tribalistas.
Há outros pedaços de Brasil no disco. Há 25 anos, Ana Carolina gravou uma versão de uma música italiana, “La Mia Storia tra le Dita”, de Gianluca Grignani, com o título “Quem de Nós Dois”. Pausini pensou num dueto, mas depois as duas chamaram também Ferrugem para dividir os vocais.
Outra fita é “Dettagli”, a versão em italiano de “Detalhes”, de Roberto Carlos e Erasmo Carlos, sucesso enorme na Itália em 1973, na voz da diva Ornella Vanoni. Há mais uma fita em português, “O Firmamento Dentro de um Quarto”, mas sem conexão brasileira. É uma música de Gino Paoli, grande colega de Pausini. Ela decidiu trasladar a música, por confiar que teria uma boa sonoridade.
Artista globalizada, aos 51 anos ela vê o mundo muito mais fragmentado. “Todos os dias, levantamos e a primeira coisa que ficamos sabendo, por redes sociais, TV ou jornais, sempre é violência, morte, guerra. Não podemos viver assim. Eu me sinto um pouco Joana d’Arc, mas a minha arma é o microfone. Logo faço sacrifícios, uma vez que deixar minha família e viajar para fazer música.”
A turnê de “Io Esquina 2” vem ao Brasil só daqui um ano, na Mercado Livre Estádio Pacaembu, no dia 27 de fevereiro. Mas quem estiver com saudade de Pausini já pode ter um {aperitivo} nesta sexta, pela televisão, na brecha dos Jogos Olímpicos de Inverno, na Itália, na qual ela é uma das atrações.
