Leo lins: como é stand up após condenação do humorista

Leo Lins: Como é stand-up após condenação do humorista – 07/07/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

No show de sua novidade turnê “Enterrado Vivo”, Leo Lins faz piadas com pedofilia, escravidão, pessoas com deficiência auditiva, LGBTQIA+ e outras minorias. Artistas que já o processaram no pretérito, uma vez que a cantora Preta Gil e a dançarina Thais Carla, voltam a ser seus alvos, muito uma vez que membros da prensa.

O comediante, porém, tem tomado precauções inéditas —os celulares do público precisam permanecer lacrados em sacos pretos durante a apresentação. Logo no prelúdios, o telão exibe um aviso de que é proibida a gravação, transcrição e veiculação de quaisquer trechos do stand-up, com base na lei de direitos autorais. Segundo o artista, é um pedido de seu jurisperito, numa tentativa de não piorar sua situação jurídica.

Réprobo, no mês pretérito, em primeira instância a oito anos e três meses de prisão por piadas consideradas preconceituosas, feitas em um show de 2022 que circulou no YouTube, o comediante tem recta a recurso e aguarda em liberdade.

A Folha esteve em uma de suas apresentações na noite deste domingo (6), no Teatro Sir Isaac Newton, espaço do escola de mesmo nome na zona setentrião de São Paulo, com capacidade para 550 pessoas. O espaço já é publicado por sua programação de shows e apresentações de humor, que não são organizadas pelo escola, apesar de usarem o espaço.

O show era o segundo do dia, e ambos lotaram. Comentários sobre a pena do artista pipocavam entre o público, pouco antes de a apresentação principiar.

Por pouco mais de uma hora, o comediante comentou o que vê uma vez que tentativas de sepultar sua reputação e sua liberdade por meio de decisões judiciais e da cobertura midiática. Defende ainda que o que é dito ali não pode ser tomado uma vez que um ataque preconceituoso, já que as falas não seriam suas, mas do personagem que interpreta no contexto artístico.

“Para quem veio esperando aquele humor mais ácido, desta vez eu peço desculpas. Esse show, realmente, precisei modificar. É um show mais light. Vou principiar com um tema ligeiro: escravidão”, disse na buraco.

Entre as risadas do público, Lins lembra quando foi confrontado ao expressar que o termo do racismo deixou problemas para todo mundo. Disse que os brancos também teriam sofrido, finalmente, perderam vários trabalhadores que não ganhavam zero.

Já pessoas com deficiência auditiva são frequentemente comparadas a focas, enquanto o humorista faz sons caricaturais. Os gestos da Libras, a Linguagem Brasileira de Sinais, se assemelham, ele diz, a uma reunião de maestros.

A {sigla} LGBTQIA+ é mencionada numa de suas versões mais longas. O “mais”, indicador de grupos não identificados pelas outras letras da {sigla}, é associado pelo comediante a soropositivos, pessoas que vivem com o HIV.

Na novidade apresentação, Lins volta a zombar de Thais Carla por seu peso. Entre outros insultos, diz que seus movimentos no palco são a rotação e a trasladação, em referência aos giros dos planetas em torno do próprio eixo e do Sol.

Em 2021, a Justiça o condenou a remunerar R$ 5.000 de indenização por danos morais à influenciadora, ao considerar que ele promoveu oração de ódio e feriu seu recta de imagem ao comentar um vídeo do conduto do YouTube dela.

Outro claro é Preta Gil, comparada a uma leitoa. “Ela veio me processar devido a uma piada de anos detrás. Três meses depois que chegou o processo, ela apareceu com cancro. Bom, parece que Deus tem um predilecto. Acho que ele gostou da piada. E pelo menos ela vai emagrecer”, disse.

O comediante diz com frequência que suas piadas são tiradas de contexto em reportagens de jornal —na apresentação, chamou de “puta” uma jornalista de O Orbe, sem reportar seu nome, que teria gravado e publicado trechos do show. Chegou ainda a mencionar à provável presença de um repórter da Folha na apresentação.

Também procura nas gargalhadas do público uma espécie de solidariedade em relação à suposta perseguição que sofre. Afirma, por exemplo, que Paulo Gustavo brincava com minorias sem ser “cancelado” —a não ser pela Covid-19, diz, zombando da morte do artista em março de 2021, depois passar dias internado com a doença.

Ele dá um exemplo ao público da diferença entre seu comportamento no palco e na vida. Se entrasse numa igreja e visse um padre transando com o coroinha, não riria, já que pedofilia não tem perdão. Agora, piada com pedofilia pode ter —e solta piadas com “botar um terço” e “fazer o sinal da cruz”, trocadilhos com movimentos de penetração.

Piadas com minorias embalam todo o contexto da apresentação, desde o vídeo de introdução, com recomendações de segurança, recheado de trocadilhos com travestis, feministas e pessoas gordas. Houve ainda, antes da atração principal, um limitado stand-up do comediante convidado Edegar Agostinho —uma versão mais moderada do colega que o apadrinhou.

Ao termo, o humorista se dispôs a tirar fotos com seus fãs. Quem comprasse qualquer de seus livros de piadas furava a fileira, que cortava o salão da ingresso do teatro e se estendia até o estacionamento.

Folha

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