Marcha pelo Clima reúne 70 mil e leva força amazônica

Marcha pelo Clima reúne 70 mil e leva força amazônica às ruas de Belém

Brasil

Máscaras de Chico Mendes e do cacique Raoni. Parábola de boitatá. Carros de som alternando entre discursos políticos, ritmos de carimbó e brega. A Marcha Mundial pelo Clima ocupou neste sábado (15) as ruas de Belém com uma modelo expressiva da variedade cultural e social do povo amazônico.

Segundo os organizadores, pelo menos 70 milénio pessoas estiveram presentes na revelação, que saiu do Mercado de São Brás, no meio histórico, até a Localidade Palhoça. Um trajeto de aproximadamente 4,5 km feito sob um sol poderoso de 35°C. Zero mais representativo para um ato que teme a falta de decisões efetivas de combate à emergência climática na 30° Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30).

A marcha foi organizada por integrantes da Cúpula dos Povos e da COP das Baixadas, e teve a participação de representantes de organizações de todos os continentes, de povos tradicionais e das comunidades paraenses.

“Estamos cá com todos os povos do mundo e movimentos sociais para um grito de alerta sobre as ameaças e os ataques aos territórios, e contra defensores e defensoras dos direitos humanos e do meio envolvente. Precisamos que órgãos oficiais e a ONU reconheçam que, para ter transição justa, é preciso proteger quem protege a floresta”, disse Darcy Frigo, do Comitê Brasílico de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH) e da percentagem política da Cúpula dos Povos.

“Queremos expressar todas as demandas que têm surgido durante a Cúpula dos Povos. Queremos denunciar as falsas soluções para as mudanças climáticas, uma vez que fundos de financiamento para florestas. Pedimos para não explorarem petróleo na Amazônia e para não proliferar os combustíveis fósseis em todo o mundo”, disse Eduardo Giesen, coordenador na América Latina da Global Campaign to Demand Climate Justice.

 


Belém (PA), 14/11/2025 - Marcha Global pelo Clima, evento paralelo à COP30. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil
Belém (PA), 14/11/2025 - Marcha Global pelo Clima, evento paralelo à COP30. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Marcha Global pelo Clima. COP30, por Bruno Peres/Filial Brasil

As ministras do Meio Envolvente e Mudança do Clima, Marina Silva, e dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, subiram no carruagem principal da marcha para manifestar pedestal ao ato pelo clima. Marina destacou o caráter mais popular da COP que é realizada no Brasil.

“Depois de outras COPs, em que as manifestações sociais ocorriam exclusivamente dentro de espaços oficiais da ONU, no Brasil, no Sul Global, em uma democracia consolidada, podemos ocupar as ruas. A COP30 permite o encontro das periferias, das águas, das cidades, dos campos, das florestas. Lugares que enfrentam as mudanças do clima. Em que pesem nossos desafios e contradições, temos que fazer um planta do caminho para transição justa e fechar a subordinação dos combustíveis fósseis”, disse Marina.

Força cultural

Um dos exemplos das tradições locais de cultura e organização social presentes no ato em Belém foi o Arraial do Pavulagem, grupo que divulga a música popular paraense e amazônica, misturando elementos regionais. O coordenador do Pavulagem, Júnior Soares, entende que é impossível falar de tradições culturais urbanas, sem abordar os extremos climáticos.

“Nós temos 38 anos de construção desse grupo e das apresentações de rua na região de Belém. E as condições ambientais do lugar onde a gente vive sempre foram importantes para nós. Estamos na marcha com uma representação dos nossos brincantes, nos somando a essa luta para pedir um olhar próprio do mundo pela Amazônia e para os povos que vivem cá”, disse Soares.

Marciele Albuquerque, indígena Munduruku, ativista e cunhã-poranga do Boi Caprichoso, foi às ruas para tutorar a demarcação de terras dos povos tradicionais uma vez que política climática.

“A marcha é mediano para as nossas demandas, porque tem povos, vozes e línguas do mundo inteiro. Uma variedade cultural muito grande para mostrar a nossa força tanto nas ruas uma vez que para o mundo. Nós estamos no meio de todas as discussões na COP30 cá em Belém, defendendo as pessoas que vivenciam a Amazônia e que pagam pelas consequências climáticas das quais não são responsáveis”, disse Marciele.

Na marcha deste sábado, chamou a atenção uma ofídio de 30 metros, com a frase: “Financiamento direto para quem cuida da floresta”. A estátua é resultado de um trabalho coletivo de 16 artistas de Santarém, criada em 15 dias de produção, e apoiada pelo movimento Amazônia de Pé. Construída em parceria com a Coligação dos Povos pelo Clima, a obra apoia a campanha “A gente ofídio”, que exige o financiamento direto para as populações que vivem na floresta amazônica.

Movimentos sociais

O Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) trouxe a demanda social por moradia, relacionada aos problemas climáticos. Segundo Rud Rafael, coordenador vernáculo do MTST, a questão ambiental tem ganhado cada vez mais centralidade nas pautas do movimento.

“Não tem uma vez que pensar mais a questão da moradia, sem pensar a questão ambiental. A gente teve no Rio Grande do Sul, por exemplo, um evento climatológico extremo que impactou mais de 600 milénio pessoas. Não tem uma vez que pensar mais a questão da moradia só pelo déficit habitacional, quando cada evento climatológico extremo gera milhares e, às vezes, milhões de impactados. A teoria é colocar a periferia no meio das soluções”, disse Rud.

O ato contou com manifestantes de diferentes organizações internacionais. Kwami Kpondzo, de Togo, na África, veio uma vez que representante da Global Forest Coalition, e defendeu a união de todos os movimentos populares uma vez que forma de mourejar com os problemas ambientais globais.

“Estamos cá para dar pedestal às pessoas impactadas pelas mudanças climáticas, pela degradação florestal, pela mineração, pelo desmatamento. Queremos nos posicionar na marcha contra o capitalismo e o colonialismo. Estamos muito felizes porque as pessoas juntas têm poder e são capazes de mudar esse sistema que destrói o nosso planeta”, disse Kpondzo.

 

Fonte EBC

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