Maria ribeiro volta ao teatro em peça sobre adolescência

Maria Ribeiro volta ao teatro em peça sobre adolescência – 23/10/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Ponto quebradiço e atual, a depressão na juventude é o tema da peça “O Rebento”, do dramaturgo gálico Florian Zeller, que acaba de lucrar uma versão brasileira com os atores Maria Ribeiro e Gabriel Braga Nunes no elenco.

A questão, que assusta mães e pais, inquieta também o elenco e a direção, conduzida por Léo Stefanini.

Porquê mourejar com essa verdade dolorosa e complexa?

No teatro, Stefanini optou por uma montagem enxuta, sem sobras. “Essa peça, justamente pela delicadeza que possui, pelo realismo que buscamos, pela trova, exige precisão em todos os setores”, diz.

Não há pirotecnia em cena e o público é tomado pelo impacto da história.

A montagem tem cenário com poucos elementos, luz e trilha sonora que sinalizam o desenvolvimento da narrativa e atuação em close dos atores —além de Maria Ribeiro e Braga Nunes, o elenco é formado por Thais Lago, Andreas Trotta, Marco Marinello e Carlos Meceni.

A série “Puberdade”, da Netflix, inspirou a escolha do texto. A partir disso, os artistas fizeram pesquisas que abrangem temas porquê a hiperconectividade e as dificuldades dos adolescentes em mourejar com a superexposição do mundo atual.

O livro “A Geração Ansiosa”, de Jonathan Haidt, uma das fontes de estudos, mostra que as taxas de depressão e de outros transtornos mentais crescem desde que a puerícia baseada no entreter entrou em declínio e foi trocada pelo celular.

Entre as consequências dessa mudança, de convénio com a obra, estão a privação social, a má qualidade do sono e a fragmentação da atenção.

No espetáculo, Nicolas (Andreas Trotta), um juvenil de 16 anos, se sente deslocado e sem motivação enquanto lida com a separação dos pais, perplexos diante da tristeza do jovem e incapazes de tomar atitudes que possam, de veste, ajudá-lo.

Ele sai da lar da mãe (Maria Ribeiro) para morar com o pai (Braga Nunes) e com a madrasta (Thais Lago), além de um irmão ainda bebê. Sem vontade de ir à escola e sempre com um celular na mão, enfrenta dificuldades para reencontrar o sentido da vida.

“O tema é muito tocante nesse momento”, diz Braga Nunes, pai de uma pré-adolescente de 11 anos. “Faz sentido falarmos sobre isso agora”.

Amigos, companheiros de trabalho, vizinhos, quase todo mundo conhece uma história parecida com a de Nicolas. “É um tema de todos nós. A gente sente que está fazendo um trabalho relevante e isso dá um prazer enorme”, completa o ator.

Maria Ribeiro, artista que escreve, dirige e apresenta programas, refez os planos para a reta final de 2025 para conseguir participar da peça. “Estava em pé quando comecei a ler o texto e em pé fiquei”, diz.

Ela sempre teve o libido de falar sobre saúde mental em um espetáculo e é conhecida por recomendar auxílio profissional para as pessoas com quem convive.

“Faço bullying com todo mundo, porque acho que muita gente tem preconceito com remédio, com terapia”, justifica.

Há três anos sem fazer teatro, desde a montagem de “Pós-F”, de Fernanda Young (1970-2019), a atriz retorna ao palco em um papel que tem relação com a vida real.

“Eu sou mãe de juvenil e sou uma mãe separada. Logo, de veste, tenho propriedade, conheço o que a personagem sente”.

Maria não gosta de quem critica a juventude e diz aprender muito com os filhos de 22 e 15 anos. Em “O Rebento”, se aproximou de forma maternal do jovem ator Andreas Trotta, 22.

Experiente em musicais, Trotta foi escolhido em uma seleção que reuniu mais de 80 atores e tem porquê uma das inspirações as lembranças de momentos difíceis que já atravessou.

“Cresci em uma bolha da escol branca, heteronormativa, onde eu me sentia um pouco sozinho, deslocado”, descreve o ator.

Ou por outra, ele usou outras obras porquê referência, entre elas os filmes “Querido Menino”, sobre a luta de um pai contra a sujeição química do fruto, e “A Vantagem de ser Invisível”, que aborda a depressão e a sofreguidão na juventude.

A peça é o segundo trabalho de Zeller dirigido por Stefanini. O primeiro foi “O Pai”, espetáculo visto por 120 milénio espectadores e vencedor do Prêmio Shell de melhor ator para Fúlvio Stefanini.

Também desenvolvido no contexto dos conflitos e dos afetos familiares, “O Pai” mostra um varão cuja memória passa por oscilações e tem um enredo que contrasta real e ficção.

Em “O Rebento” também há laços de ternura e dificuldades de relacionamento, além de questionamentos sobre a estrutura machista que ainda domina o funcionamento das famílias.

Na trama, a voz mais lúcida é a da madrasta (Thais Lago), uma mulher que tenta edificar uma família e, ao mesmo tempo, precisa mourejar com a saúde mental do enteado e do próprio marido.

“Fica entre a culpa e a vontade de guarida, além do pânico de perder espaço nessa novidade família”, diz a atriz. “Ela é a única pessoa que consegue olhar e falar: esse menino está precisando de ajuda”.

Sofia, a madrasta, também precisa de suporte e enfrenta a solidão ao carregar quase todas as responsabilidades em relação ao fruto pequeno.

A escassez dela, em um momento decisivo da história, demonstra o quanto é grave a falta de um olhar consciente durante uma crise familiar.

Folha

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