Martha nowill discute maternidade e homem hétero no teatro

Martha Nowill discute maternidade e homem hétero no teatro – 27/06/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Separada há mais de uma dezena de sua filha, portanto recém-nascida, depois cometer um violação menor, a protagonista de “Renda-se” recebe uma visitante da moçoilo na prisão.

A jovem tenta convencer a mulher de que ela está presa não por ter sido uma mãe negligente, mas por ser vítima da exaustão, da falta de qualquer espeque social e dos trabalhos precários, tanto no escritório quanto porquê atriz. Enquanto ela conta sua versão do que aconteceu, a trama se desdobra em flashbacks.

Martha Nowill diz ter se questionado, por um momento, se deveria voltar a falar de maternidade quando recebeu o invitação da diretora Fernanda D’Umbra para protagonizar essa peça, um texto feito por duas britânicas, a roteirista Sophie Swithinbank e a atriz Phoebe Ladenburg. Ela tinha entregado pouco antes à Companhia das Letras “Coisas Importantes Também Serão Esquecidas”, livro sobre sua gravidez e os primeiros anos de vida de seus filhos. Mas logo se convenceu de que deveria concordar o projeto.

“São narrativas diferentes, que se complementam”, afirma Nowill. “Acho que a gente vai chamando um pouco as personagens. Elas vão chegando na nossa vida, não são muito por contingência.”

“Renda-se” conversa, de certa forma, com “A Megera Domada”, de William Shakespeare. A protagonista —chamada no texto exclusivamente de “mãe”— chega a fazer uma audição para a montagem do clássico em claro momento da trama.

“O mesmo responsabilidade que prende o servo ao soberano prende, ao marido, a mulher. E quando ela é teimosa, importuno, azeda, desabrida, não obedecendo às suas ordens justas, que é portanto senão rebelde, infame, uma traidora que não merece as graças de seu senhor e amante?”, diz a protagonista do texto de Shakespeare, Catarina, no solilóquio final —a tradução é de Millôr Fernandes.

“Tenho vergonha de ver mulheres tão ingênuas que pensam em fazer guerra quando deviam ajoelhar e pedir silêncio. Ou procurando poder, supremacia e força, quando deviam amar, servir, obedecer.”

A peça das canadenses “é uma resposta, pelo viés da maternidade, a levante solilóquio de uma mulher que se domesticou, se enquadrou para estar de contrato com o que é esperado de uma mulher na sociedade”, afirma Nowill.

No término de semana final da temporada de “Renda-se”, entra em papeleta “A Autoestima do Varão Hétero”, estreia de Nowill na direção. O texto, escrito e protagonizado por Amanda Mirásci, volta a pôr em questão o lugar da mulher na sociedade —desta vez a partir de seu duplo, o varão.

Nowill ensaiou as duas peças ao mesmo tempo. “De manhã, eu dirigia a Amanda, almoçava em 40 minutos e ia para a sala do tentativa com a Fernanda —e, à noite, chegava em mansão com dois filhos carentes, com a vida, com outros trabalhos.”

“Autoestima” acompanha Carina, uma farmacêutica prestes a apresentar ao mundo sua invenção, cápsulas capazes de fornecer aos consumidores a crédito dos homens heterossexuais. Nervosa, decide ela mesma utilizar seu resultado para segurar as pontas durante a palestra.

Na apresentação, ela relembra os homens que inspiraram cada componente da pílula, do grande músico que mal sabe tocar um violão ao mal-parecido que se sente no recta de reivindicar uma mulher escultural.

Mirásci nunca havia assinado um roteiro até portanto, e queria invitar outra pessoa para desenvolver sua teoria, uma mistura de cenas da sua vida e relatos de conhecidas suas com piadas que circulavam na internet sobre os benefícios de encapsular a pretensão masculina. Foi preciso um empurrãozinho da sua diretora —e do canudo de alguns dramaturgos que acabaram abandonando o projeto— para ela resolver racontar a própria história.

“A minha terapeuta até brinca comigo que eu tomei uma pílula de autoestima do varão hétero”, afirma a atriz. “Acho que nós, mulheres, temos uma tendência maior a se criticar, o temor nos acompanha desde sempre.”

Ao escolher a comédia, gênero por vezes mais relaxado, as duas artistas esperam conseguir dialogar com o grupo que é fim das piadas, o que elas consideram indispensável para que a peça possa ter o efeito solicitado de colaborar de alguma forma com uma mudança dos comportamentos.

“Vejo muitos espetáculos que põem o varão porquê o grande competidor —e a figura masculina é a vilã, sim, em muitas histórias”, afirma Mirásci. “Mas tem muito varão legítimo por aí, que também não está sabendo porquê mourejar com toda essa situação.”

Nowill complementa. “A gente quer que os homens vejam a peça, se enxerguem e consigam rir de si mesmos. Eu não quero detonar os homens —eu sou mãe de dois—, mas quero criticar, porque a gente vive numa sociedade super patriarcal.”

Folha

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