Martin scorsese fala de infância no subúrbio e hollywood

Martin Scorsese fala de infância no subúrbio e Hollywood – 16/10/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

A violência é a língua de Travis Bickle, personagem encarnado por Robert De Niro em “Taxi Driver”. Sua ira representou uma geração que, nos anos 1970, presenciou a morte do sonho americano, açoitado pela Guerra do Vietnã e pela crise econômica. O ressentimento de Bickle, porém, espelhava também a solidão de Martin Scorsese —na era já um diretor respeitadíssimo e solitário na mesma medida.

É o que conta, aos 82 anos, o próprio cineasta, um dos mais importantes do mundo ainda em atividade. De forma inédita, Scorsese compartilha suas memórias com a câmera em “O Lendário Martin Scorsese”, minissérie da Apple TV+ dirigida por Rebecca Miller, que estreia nesta sexta-feira (17) e também será exibida durante a 49ª Mostra de Cinema de São Paulo.

Logo ele, rabi em extrair emoções nem sempre tão bonitas de personagens durões, é incentivado a divagar sobre suas motivações pessoais por trás de alguns dos títulos mais valiosos de Hollywood, de “Taxi Driver” a “O Lobo de Wall Street”. Mais do que bastidores saborosos, a série mostra porquê o interesse em desvendar a malícia humana e o conflito entre violência e espiritualidade estão ligados à puerícia no subúrbio italiano de Novidade York.

“Todos os seus trabalhos voltam para aquela vizinhança, aquela família”, diz Miller, por videochamada. A diretora, que também filmou um documentário sobre o próprio pai, o dramaturgo Arthur Miller, estava decidida em conquistar o lado mais íntimo de Scorsese, que até portanto só havia falado para as câmeras sobre sua paixão, o cinema, em documentários autorais e, neste ano, para estrear porquê ator na série “O Estúdio”.

Um dos relatos trata do isolamento que sentia nos primeiros anos de sucesso, durante as gravações de “Taxi Driver” —seu primeiro filme autoral bancado por um grande estúdio hollywoodiano. Apesar de ser sociável e ter bons amigos na indústria, porquê Brian De Palma e Steven Spielberg, que conheceu em festas que ia quando chegou a Los Angeles no início dos anos 1970, ele diz, quase porquê um desabafo, que a dificuldade em produzir conexões reais o fazia sentir deslocado.

Sua anelo em fazer cinema levou ao término de seu primeiro tálamo com Laraine Marie Brennan. O diretor não foi um marido réplica ou um pai presente para as duas primeiras filhas —um traço biográfico generalidade entre homens de sua geração.

Uma provável legado da Elizabeth Street, rua onde cresceu em Novidade York. Em prédios povoados por imigrantes italianos e seus filhos, não sobrava espaço para sentimentos. Os meninos logo aprendiam as regras da masculinidade, e brigavam nas ruas, enquanto as mulheres gritavam. Mostrar vulnerabilidade era perigoso. “Me lembro do drama inesperado daquele mundo”, diz Scorsese.

Certa vez, ele viu seu pai colher de um capanga. O vazio deixado pelas instituições era ocupado pelas famílias mafiosas e, mesmo quem não era criminoso, deveria responder a uma delas. O pai de Scorsese e seu assaltante respondiam a famílias rivais.

Ainda menino, ele contraiu asma, e eram as salas de cinema que tinham ar-condicionado no verão. Ali, ele respirava melhor. Quando cresceu, foi pelo cinema que encontrou a possibilidade de mondar as dores e delícias de seu mundo, contrariando a máxima de sua mãe para a boa vizinhança na Elizabeth Street —”se você ver um pouco, não diga zero”.

Posteriormente longas criados ainda na faculdade, porquê “What a Nice Girl Like You Doing in a Place Like This?”, de 1963, e “It’s Not Just You, Murray! —que bebia da nouvelle vague e dos beatniks—, veio “Caminhos Perigosos”.

O filme sobre um jovem rebelde e católico no subúrbio italiano, primeira encarnação de Robert De Niro pelas lentes de Scorsese, ganhou manchetes na seção de cultura dos jornais. O jovem diretor era chamado de prodígio do cinema independente por filmar, com destreza, a verdade da Little Italy, bairro da comunidade italiana em Novidade York.

Posteriormente, o mesmo tema seria desenvolvido, com matizes diferentes, em épicos porquê “Os Bons Companheiros” e “Casino”. Para Miller, a diretora, não dá para limitar Scorsese a um responsável de filmes gangster. “Ele começou contando histórias sobre onde veio para mostrar a verdade [do lugar]. Mas, depois, seu interesse foi penetrar mundos.”

Logo depois “Caminhos Perigosos”, de 1974, Scorsese faz “Alice Não Mora Mais Cá”, a pedido de Ellen Burstyn, que venceu o Oscar pela sua performance no filme sobre uma mãe solteira que viaja pelos Estados Unidos com o rebento em procura de seu sonho. Na era, o filme chegou a ser elogiado pelo diretor francesismo Jean-Luc Godard, considerado difícil de deleitar —mormente por filmes de Hollywood.

Em seu longa mais recente, ainda, “Assassinos da Lua das Flores”, Scorsese expurga a culpa americana pelo massacre dos indígenas osage com um heróico faroeste protagonizado por De Niro, Lily Gladstone e Leonardo Di Caprio.

Leste último marca, aliás, uma novidade período na filmografia do diretor que comçou na viradela do milênio, com “Gangues de Novidade York”, de 2002. “Marty é um rabi em explorar o lado obscuro da quesito humana”, diz Di Caprio, na série. Jodie Foster, Spike Lee, De Niro e De Palma são alguns dos entrevistados de Miller, além do próprio Scorsese.

Ao estudar a intimidade de Scorsese, a diretora faz também um retrato da Novidade Hollywood, era áurea para o cinema americano, quando os grandes estúdios decidiram enfrentar a crise das bilheterias, contratando uma novidade geração de cineastas que não temia a experimentação.

“Fazer cinema independente é difícil. Aquele foi definitivamente um momento único, porque Hollywood tinha perdido a crédito na sua capacidade de tocar a cultura da juventude. E começaram a olhar para esses jovens cineastas, a ensiná-los porquê saber o público. E, por um minuto, eles tinham um poder imenso”, diz Miller. Ao lado de Scorsese, surgiram nomes porquê Woody Allen, Francis Ford Coppola e Steven Spielberg.

“Nos anos 1980, os estúdios se tornaram um esplendor de bancos”, diz Miller. A baixa criativa sintonizou com anos de fracasso de bilheterias para Scorsese, que se recuperou no final da dez com “A Cor do Verba” e, depois, com “Os Bons Companheiros”.

Posteriormente biografar Scorsese em cinco episódios, Miller se diz otimista quanto ao horizonte do cinema independente. “Sabemos fazer filmes muito muito, e há estúdios que ainda tomam riscos”, diz. Um bom presságio do qual Scorsese se tornou porta-voz em tempos de crise das salas de cinema frente ao streaming. Em entrevistas, aparições públicas e até vídeos do TikTok com a neta, ele, que se aproximou da fé católica nos últimos anos, espalha a termo do cinema porquê um fanático.

Folha

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