Marty Supreme tem Timothée Chalamet em seu melhor momento

Marty Supreme tem Timothée Chalamet em seu melhor momento – 21/01/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Quase não há sutilezas em “Marty Supreme”, longa mais recente de Josh Safdie que finalmente chega ao rodeio mercantil brasílico. Na maior segmento do tempo, é uma vez que uma jamanta descendo uma grande ladeira com o freio comprometido. Nessa situação, qualquer vacilo da direção pode terminar em sinistro.

Para tornar as coisas mais complicadas, Safdie resolve filmar várias cenas de perto, com a câmera ou os cortes imprimindo rapidez. É uma vez que se o motorista da jamanta tivesse comportamento hostil ao volante. A claustrofobia domina em várias sequências.

O longa acompanha Marty Mauser, personagem de Timothée Chalamet, um vendedor de sapatos que costuma rutilar no tênis de mesa. Seu sonho é ser vencedor mundial no esporte, mas seu superintendente, inteligente de sua lábia de vendedor, quer promovê-lo a gerente da loja.

No meio desse impasse, Marty ainda se envolve com uma atriz casada e muito mais velha, interpretada por Gwyneth Paltrow, e descobre ter engravidado uma vizinha, também casada.

É praticamente um para-raios de encrenca. Avisado da impossibilidade de tomar banho num hotel barato onde se hospeda, desobedece o aviso e cai com a banheira no quarto do marchar de inferior, ferindo o cachorro fedido de um gangster interpretado por Abel Ferrara.

O trajo de Ferrara não ser muito um ator, mas um dos diretores mais importantes do cinema americano dos anos 1990, assegura uma filiação estratégica para Safdie, no seio do cinema autoral feito nos Estados Unidos.

Com um trabalho de câmera na risca de John Cassavetes e do Ferrara de “New Rose Hotel”, além, simples, de uma escolha de elenco que também podemos invocar de estratégica, o diretor ensaia o seu salto no cinema contemporâneo. Em alguns momentos, parece que vai conseguir.

Uma particularidade de “Marty Supreme” é a recusa ao filme de estação tradicional. A trama se passa em Novidade York, 1952, em meio às comunidades italiana e judaica. A trilha sonora, mas, é recheada de hits dos anos 1980, quando Safdie nasceu.

Esse desrespeito às regras realistas do drama histórico traz um bem-vindo frescor e permite vermos o filme uma vez que um retrato da perseverança e da insistência, ontem uma vez que hoje. Em outros aspectos, não se observa tamanha independência. O que temos em boa segmento do tempo, incluindo os primeiros minutos na loja, é o domínio da convenção.

A estrutura contrapõe o tempo vertiginoso do tênis de mesa –e do esforço para se tornar vencedor no esporte– ao tempo da loja e da família, ambientes cada vez mais minoritários no longa.

Josh Safdie é o irmão mais velho de Benny Safdie. Juntos, fizeram alguns filmes interessantes uma vez que “Bom Comportamento”, de 2017, e o elogiado “Joias Brutas”, de 2019.

Depois desse último, os irmãos se separaram. Benny fez o irregular “Coração de Lutador – The Smashing Machine”, de 2025. Josh fez nascente “Marty Supreme”, lançado nos EUA no final do ano pretérito, posteriormente exibição no New York Film Festival.

Ambos foram produzidos pela A24, responsável por alguns dos filmes independentes mais premiados do cinema americano recente. É uma companhia que divide opiniões. Há quem a considere a salvação do cinema. Há quem a entenda uma vez que uma fábrica de afetações que raramente acerta no escopo.

Podemos expor que Josh se saiu melhor que o irmão mais novo, mas uma certa química, presente em “Joias Brutas”, se perdeu com a separação, ao menos momentaneamente.

No lugar de uma rica variação de tons que ajudava a forjar no testemunha uma sensação universal de anfibologia no trato com o protagonista, ali interpretado por Adam Sandler, temos agora a afobação e a histerismo no séquito de um jovem intragável.

Chalamet está em seu melhor momento no cinema até cá. O ator já está sendo premiado, e deve ser ainda mais, por nascente papel. É merecida a louvação. Ele tenta, com seu carisma e a óptimo atuação, dar uma anfibologia maior ao personagem, levando eventualmente o filme para um registro mais francamente humorístico.

O desenvolvimento da trama não o ajuda. As constantes concessões ao palato médio do público atual, incluindo um final bonito, mas forçado pelo que havíamos visto até logo, afastam o longa dos modelos mencionados anteriormente neste texto.

O cinema americano atual não permite vermos protagonistas num beco sem saída.

Folha

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