Os segredos da seleção de elenco do filme “O Agente Secreto”
Indicado ao Oscar na recém-criada categoria de Melhor Direção de Elenco, o brasílico Gabriel Domingues viu seu trabalho em O Agente Secreto lucrar destaque internacional — e, junto com ele, histórias curiosas sobre porquê achou alguns dos rostos mais marcantes do filme, incluindo o do “matador que dá insensível na espinha”.
A produção, que também concorre a Melhor Filme, Melhor Filme Internacional e Melhor Ator para Wagner Moura, reúne 65 atores e atrizes de diferentes regiões do Brasil, muitos deles desconhecidos do grande público. A volubilidade, segundo Domingues, foi forçoso para erigir a “paisagem humana” que Kleber Mendonça Rebento imaginou para o longa.
Garimpagem pelo Brasil
Diretor de elenco funciona, no cinema, porquê o olheiro funciona no futebol: viaja, vasculha teatros, observa quem está fora do radar e monta um banco de talentos. E é desse trabalho de mina que saíram alguns dos nomes mais comentados do filme.
Um deles é Robério Diógenes, escolhido para interpretar o representante Euclides. Domingues nunca tinha ouvido falar dele até que o ator cearense respondeu a uma convocatória oportunidade nas redes sociais. O teste impressionou tanto que o personagem — originalmente pernambucano — mudou de origem.
“Ele disse: Gostei muito do teu vídeo. Você dá uma leveza ao personagem ao mesmo tempo que dá uma densidade. O representante pode ser cearense.”, conta Robério.
No mesmo caminho, veio Jeane Albuquerque, do Teatro Experimental de Fortaleza. Sua aspecto com “alguma coisa dos anos 70” encantou o diretor. Jeane vive Elisângela, uma funcionária pública.
“O primeiro longa que eu faço? E a primeira participação num projeto tão cobiçoso, num projeto tão gigantesco”, conta Jeane.
O matador que não era um brutamontes
A procura pelo ator que faria Vilmar, o matador do filme, virou uma saga interna. Gabriel Domingues chegou a perguntar: “Mas o que exatamente vocês estão procurando?” A resposta: “A gente quer alguém que dê um insensível na espinha.”
Foi quando ele pensou em Caoni Venâncio, com quem já tinha trabalhado. No teste em vídeo, não restaram dúvidas.
“Se tivesse Oscar de melhor caminhar eu ganhava, viu?”, brincou Caoni ao lembrar dos elogios ao seu jeito de caminhar.
O ator entregou exatamente o que a produção buscava: um olhar insensível e aterrorizante, contrastando com sua personalidade calma e gentil fora de cena.
“Eu não sei se fiquei feliz com o encómio ou se fiquei com susto.”, comentou, entre risos.
Convites inesperados e veteranos de crédito
Alguns nomes já eram certeza. Rubens Santos, presente em todos os longas de Kleber, recebeu a mensagem do diretor com a habitual tranquilidade:
“Tenha calma.”
Quinze dias depois, veio o invitação para interpretar Natalice.
Já Alice Roble, que vive Fátima, esposa do protagonista, entrou na produção às pressas unicamente porque houve uma mudança no projecto de filmagem. Estava gravando Renascer e nem passou por teste. Mesmo com pouco tempo de tela, sua participação precisava ter impacto equivalente à força emocional da personagem.
A volubilidade que intrigou Hollywood
Participando de eventos pré-Oscar, Gabriel Domingues notou a reação dos profissionais americanos ao elenco brasílico.
“Eles ficam intrigados. Não entendem exatamente porquê são as caras do Brasil.”
Para ele, a indicação é também um reconhecimento coletivo:
“Acho até que essa indicação é um pouco para o povo brasílico.”
O diretor de elenco destaca que a combinação de atores profissionais, iniciantes e pessoas que nunca haviam atuado formou uma seleção única — tão única que deixou os estrangeiros “zonzos”.
Com chance real de Oscar
Com a categoria de Melhor Direção de Elenco estreando depois 24 anos sem novidades no prêmio, O Agente Secreto chega potente e pode surpreender. Domingues admite ainda não ter pensado no oração.
“Não pensei exatamente no que expressar lá.”
Conheça Tânia Maria, a Sebastiana de “O Agente Secreto”
Reprodução/Fantástico
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Fonte G1
