Matisse, hockney e boudin ganham mostras em paris 12/07/2025

Matisse, Hockney e Boudin ganham mostras em Paris – 12/07/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Para os apaixonados por arte, a primavera em Paris sempre é um delícia, com a brecha da novidade temporada de exposições. Dentre as dezenas inauguradas em abril nos museus da capital francesa, três se destacam pela originalidade e pela multiplicidade de períodos: “Eugène Boudin, o Pai do Impressionismo”, no Marmottan; “Matisse e Marguerite”, no Museu de Arte Moderna; e “David Hockney 25”, na Instalação Louis Vuitton.

As três impressionam pela riqueza das coleções reunidas. A de Boudin (1824-1898) se deve à paixão de um colecionador privado; a de Matisse (1869-1954), ao esforço dos curadores do MAM parisiense; e o de Hockney, à colaboração do próprio pintor britânico, ainda ativo aos 87 anos.

Visualmente, a mais modesta —mas nem por isso menos valiosa— é a dedicada a Boudin, no Marmottan, museu devotado à obra de Claude Monet (1840-1926) que costuma ser subestimado nos roteiros culturais dos turistas em Paris.

Boudin foi escolhido pela influência decisiva que teve na curso de Monet. Os dois se conheceram em 1856, quando o horizonte rabino do impressionismo tinha somente 16 anos e suas caricaturas chamaram a atenção de Boudin, já portanto um pintor reconhecido.

Apesar do título da exposição, Boudin torcia o nariz para os impressionistas, que considerava quase displicentes. Mesmo assim, Monet o considerava seu “rabino”: “Devo tudo a Boudin”, disse no final da vida.

A exposição põe lado a lado telas de ambos pintadas durante estadias em Honfleur, um dos primeiros balneários da França, quando ir à praia começou a se tornar um lazer da escol burguesa. Fica evidente a diferença de estilos entre o rigor das marinhas de Boudin e a liberdade de Monet.

Autodidata, Boudin sofreu até ser reconhecido pelos críticos de sua estação. A preferência por pintar os banhistas ricos de Honfleur (de olho em uma clientela lucrativa) não ajudou: na estação, o tema era considerado terreno.

A história da coleção reunida no Marmottan é inusitada. Duas décadas detrás, visitando um museu na Holanda, Yann Guyonvarc’h viu um quadro de Boudin e a mulher o convenceu a comprá-lo. “Foi uma vez que se eu tivesse contraído um vírus”, conta.

Curiosamente, a formação dele zero tem a ver com artes plásticas: matemático, ele fez riqueza na extensão de segurança do dedo. Hoje, ele possui mais de 300 pinturas de Boudin. “Reconheço imediatamente quando é falso”, disse à Folha o encorpado Guyonvarc’h, de terno preto com lenço vermelho na lapela, orgulhoso por apresentar sua coleção.

Quem também demonstra orgulho é Isabelle Monod-Fontaine, diretora-adjunta do Museu de Arte Moderna de Paris e uma das curadoras de “Matisse e Marguerite: o olhar de um pai”. “Nunca é fácil, mas esse conjunto de uma centena de obras é muita coisa para um único protótipo”, explicou à reportagem.

O protótipo, no caso, era a filha mais velha de Matisse. Marguerite (1894-1982) teve um papel importante na curso do pai, primeiro posando e depois cuidando dele.

A puerícia de Marguerite foi marcada por uma traqueotomia de urgência, aos sete anos, causada pela difteria. Nas pinturas e desenhos do pai, a rapariga aparece tristonha, sempre com uma fita preta no pescoço, escondendo a cicatriz da cirurgia. Só aos 26 anos, depois de outra cirurgia, ela pôde posar sem a fita.

A exposição retrata de forma comovente o paixão de Matisse pela filha, visível na delicadeza dos traços e na escolha das poses —lendo, dormindo ou à espera de alguém numa janela.

Também é valorizada a movimentada biografia de Marguerite, que se arriscou uma vez que pintora, lutou na Resistência contra o nazismo e chegou a ser presa pela Gestapo. Depois da morte de Matisse, ela passou seus últimos 28 anos de vida catalogando e promovendo a obra paterna.

Uma atração imperdível é a experiência em veras virtual “Dança Dança Dança”, simultânea à mostra e cobrada a secção (€ 7, muro de R$ 45). Conta a história fascinante do monumental mural “A Dança”, encomendado na dez de 1930 a Matisse pelo milionário americano Albert Barnes para decorar a sede de sua instauração, até hoje uma importante coleção de arte moderna e impressionista na Pensilvânia.

Dessas três exposições parisienses, a que mais enche os olhos é a dedicada a David Hockney. São 11 galerias, cada uma mais colorida e surpreendente que a outra, na Instalação Louis Vuitton. Descrevê-las é quase injusto: é preciso vivenciá-las presencialmente.

O prédio de Frank Gehry, inaugurado em 2014 no Bois de Boulogne, oeste de Paris, e ainda injustamente ignorado por muitos turistas, presta-se muito à obra de Hockney. Seus espaços de dimensões variadas permitem valorizar pinturas de grandes dimensões, uma vez que “Árvores Maiores Perto de Warter” (2007), maior obra do britânico, com 56 metros quadrados, ou pequenos retratos que Hockney fez de amigos ou pessoas anônimas.

A mostra começa por um retrato que ele pintou do pai em 1955 e termina com um autorretrato recentíssimo, de 2025, um pouco vasqueiro em uma exposição de um artista tão importante. É uma retrospectiva da prolífica trajetória de Hockney, que nunca hesitou em testar novas tecnologias, uma vez que a fotocopiadora ou até o iPad. Uma “Sala da Lua”, devidamente escurecida, mostra 15 “pinturas de iPad” inspiradas no raconto “Luar”, de Guy de Maupassant.

Estão presentes muitas das obras mais pop de Hockney, uma vez que “Retrato de um Artista (Piscina com Duas Figuras)” (1972). Nesse quadro hipnótico, hoje pertencente a uma coleção taiwanesa, um jovem de blazer observa outro que zero. Insatisfeito com a perspectiva da piscina, Hockney destruiu a primeira versão da pintura.

Folha

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