Mercado revê modelo para fan tokens e nfts 18/07/2025

Mercado revê modelo para fan tokens e NFTs – 18/07/2025 – Esporte

Esporte

A geração de fan tokens, uma espécie de moeda do dedo, e NFTs, um tipo de certificado único para um item colecionável, foi a principal aposta da chamada Web3 —considerada a novidade temporada de desenvolvimento da internet— para o esporte. A promessa era descentralizar a relação com o torcedor, democratizar decisões e gerar novas experiências, além, é evidente, gerar receitas para os clubes.

Na prática, porém, em seguida o boom entre 2021 e 2022 —período no qual restrições impostas pela pandemia de Covid-19 motivaram torcedores a buscar novas formas de interação no esporte—, as duas tecnologias enfrentaram queda acentuada de valor, uso uma vez que ativos de especulação, perda de credibilidade e questionamentos sobre suas utilidades.

Tentando volver o desgaste do setor, desenvolvedores e plataformas se reuniram em Paris ao longo de três dias na última semana para debater o horizonte da Web3 no futebol e apresentar propostas de reinvenção para os ativos digitais.

O evento, batizado uma vez que Hacking Paris, ocorreu no Parc des Princes, morada do Paris Saint-Germain, que tem buscado novas formas de se realçar nesse mercado.

No ano pretérito, a equipe francesa se tornou o primeiro clube validador de blockchain, em parceria com a Chiliz, que opera a Chiliz Chain —plataforma de fan tokens de mais de 70 clubes, incluindo Barcelona, Flamengo e Corinthians. Com isso, o PSG passou a confirmar as transações na rede de banco de dados, uma vez que vendas de NFTs e fan tokens. Em maio deste ano, o clube também incorporou o Bitcoin às suas reservas financeiras, um tanto vasqueiro no futebol.

Para Max Rabinovitch, CSO (Chief Strategy Officer) da Chiliz, a tecnologia ainda tem potencial, mas precisa evoluir para restabelecer a crédito dos torcedores e prometer um engajamento verdadeiro. “O duelo está em proporcionar experiências digitais significativas, mormente para os fãs remotos, uma vez que aqueles localizados longe da base da equipe, uma vez que foi durante a pandemia”, afirmou o executivo à Folha.

Apesar de diferenças culturais e geográficas entre os clubes, Rabinovitch ressalta que a utilidade dos ativos digitais está em recompensar os fãs com o que todos desejam, uma vez que ingressos, camisas e experiências exclusivas. “Os clubes podem ser diferentes, mas se você perguntar a qualquer torcedor o que eles querem, eles vão manifestar a mesma coisa.”

O executivo reconhece que, nos últimos anos, os tokens passaram a ser vistos sobretudo uma vez que ativos especulativos, um tanto que ele considera normal, já que “operam em mercado livre e, portanto, são transferíveis”. Ele pondera, no entanto, que “o mercado de esportes é movido pelo sentimento” e “espera que o usuário se ligue mais no desempenho de sua equipe, porque esse é o maior valor dos fan tokens”.

No evento organizado por Rabinovitch em Paris, desenvolvedores de nove países, entre os quais o Brasil, participaram de uma espécie de competição com o objetivo de gerar plataformas capazes de engajar os torcedores com novas funcionalidades para seus tokens e NFTs.

Cada grupo buscou formas diferentes de inspiração, mas todos enfrentaram uma dificuldade em geral, com a falta de envolvimento dos clubes para expressar suas necessidades. Isso obrigou os competidores a, primeiramente, identificar problemas do mercado do futebol que pudessem ser resolvidos com suas tecnologias para só logo buscar soluções.

Para driblar esse problema, os amigos Kathelyn Martins da Silva, 20, Davi Abreu da Silveira, 19, e Victor Garcia dos, 18, resolveram trabalhar com uma proposta voltada para torcidas organizadas. O projeto deles tinha uma vez que principal objetivo gerar um espaço virtual onde os torcedores pudessem mostrar seu engajamento com os clubes e, a partir das interações, lucrar recompensas dentro da plataforma.

“Durante o projeto, a gente conversou com representantes de oito torcidas organizadas e identificamos uma dificuldade de organizar as comunidades em espaços online”, explicou Kathelyn Martins. “Logo, nossa proposta partiu de gerar um hub [espaço digital] para as torcidas, onde os fãs podem se engajar e também serem recompensados.”

“É uma vez que uma forma de poder retribuir um pouco para o fã toda a torcida que ele faz pelo clube”, acrescentou Davi.

Bruna Uchôa, Bruna Vidigal e Filipe Saraiva também buscaram um caminho recíproco. Eles criaram uma rede social voltada ao esporte, na qual os usuários, incluindo atletas profissionais e amadores, podem monetizar seu teor por meio da venda de NFTs. A plataforma integra gamificação, competições e outras funcionalidades para atrair possíveis patrocinadores para os usuários.

“Nossa teoria é tentar resolver a falta de patrocínio no esporte, conectando pequenos criadores de teor com patrocinadores de diferentes tamanho”, diz Bruna. “A plataforma usa os fan tokens justamente para facilitar o patrocínio e a monetização.”

Bruna Vidigal, que também é advogada, ressalta que eles tiveram o desvelo de aumentar uma funcionalidade baseada em perceptibilidade sintético para autenticar os conteúdos postados. “A plataforma consegue fazer uma primeira verificação, mas também tem avisos para os usuários sobre questões de direitos autorais.”

O principal prêmio do evento em Paris, de US$ 30 milénio (R$ 167 milénio), foi para uma equipe formada por desenvolvedores franceses. O projeto, batizado uma vez que FanScan, é uma plataforma que transforma itens reais comprados pelos torcedores em ativos digitais, uma vez que tokens, dando uma segunda propriedade aos portadores, com as quais eles podem ter aproximação a recompensas.

“Todos os projetos que nós recebemos apresentaram elementos inovadores, principalmente aqueles que apostaram em utilidades de gameficação que, junto com as possibilidades dos fans tokens, são componentes importantes para o engajamento do usuário”, afirmou Bruno Pessoa, diretor universal da Chiliz no Brasil.

Além de buscar novas alternativas para os fan tokens, o executivo tem atuado junto a outros profissionais do mercado pela regulamentação da atividade no Brasil. Atualmente, os ativos digitais operam ainda sem uma legislação específica, mas podem ser enquadrados na Lei 14.478/22, que trata sobre criptomoedas.

Embora a norma não trate especificamente dos fan tokens e dos NFTs, ela estabelece regras para a prestação de serviços com ativos digitais e indica o Banco Mediano e a CVM (Percentagem de Valores Mobiliários) uma vez que responsáveis por regulamentar e vistoriar o setor.

Folha

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