Miceli foi pioneiro da sociologia da cultura no Brasil

Miceli foi pioneiro da sociologia da cultura no Brasil – 12/12/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

A sociologia da USP perdeu nesta sexta, dia 12, um dos seus intelectuais mais inovadores e prestigiados.

Sergio Miceli Pessôa de Barros, professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e diretor-presidente da Edusp, a editora da USP, morreu aos 80 anos em decorrência de um cancro no fígado.

A obra dele foi “um monumento das ciências sociais”, segundo Maria Arminda do Promanação Arruda, vice-reitora da universidade e socióloga da cultura uma vez que ele. Miceli publicou mais de 40 livros, entre publicações de sua autoria e outras organizadas por ele.

Nascido em 1945 no Rio de Janeiro, graduou-se em ciências sociais pela PUC e se mudou para São Paulo para fazer mestrado na USP. “A Noite da Madrinha”, tese publicada em livro em 1972, chamou a atenção uma vez que novidade de peso nos estudos ligados à cultura sob a ótica da sociologia.

A partir do comitiva de programas de auditório, em privativo da atração conduzida por Hebe Camargo, Miceli apresentou uma estudo original da indústria cultural em um país subdesenvolvido uma vez que o Brasil.

Acadêmicos contemporâneos de Miceli e professores das gerações seguintes o veem uma vez que um dos pioneiros da sociologia na cultura no Brasil.

No doutorado concluído em 1978, Miceli obteve dupla titulação, com orientação de Leôncio Martins Rodrigues, na USP, e de Pierre Bourdieu, na École des Hautes Études en Sciences Sociales, de Paris. O resultado foi “Intelectuais e Classe Dirigente no Brasil (1920-1945)”, talvez o seu livro de maior impacto no meio universitário.

Na obra, com prefácio de Antonio Candido, Miceli esmiuçava as relações de intelectuais da República Velha e da era Getúlio Vargas com o Estado.

Entre as figuras que retratava com um olhar um, estava o poeta Carlos Drummond de Andrade, que foi superintendente de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Ensino e da Saúde de Getúlio, de 1934 ao término do Estado Novo, em 1945. Era mais um território fértil e inexplorado que ele desbravava.

Nessa quadra, Miceli também se tornou uma espécie de discípulo de Pierre Bourdieu e, daí em diante, foi o principal responsável pela disseminação da obra do sociólogo galicismo no Brasil.

“É uma perda irreparável, somos amigos há mais de 40 anos. Ou por outra, parceiros intelectuais. Vários trabalhos fundamentais da minha curso vieram de convites do Sergio, uma vez que o projeto A História das Ciências Sociais no Brasil”, lembra a vice-reitora.

Miceli deu aulas na Instalação Getúlio Vargas e da Unicamp antes de se tornar professor da USP em 1989, ano em que publicou a coleção citada por Maria Arminda. Coordenado por ele no Idesp (Instituto de Estudos Econômicos, Sociais e Políticos de São Paulo), o projeto reunia textos de pesquisadores uma vez que Fernando Limongi, Lilia Schwarcz e Maria Herminia Tavares.

Também nos anos 1980, Miceli foi secretário-executivo da Associação Pátrio dos Programas de Pós-Graduação em Ciências sociais (Anpocs).

“Sergio foi um demolidor do pensamento fácil, vigoroso nas controvérsias intelectuais. Mas foi, sobretudo, um construtor: de obra única, de instituições coletivas, de discípulos e pontes”, afirma Angela Alonso, superintendente do departamento de sociologia da USP.

“Amava o debate e a vida e brigou por ela até o término, uma vez que aquilo que foi e seguirá sendo para nós que tivemos o privilégio de privar do seu convívio: uma potência”, complementa a socióloga.

Antes deste atual período primeiro da Edusp, Miceli havia dirigido a editora em meados dos anos 1990. Ressaltava a relevância de uma editora uma vez que a Edusp para publicar obras que não encontrariam base em casas de perfil mercantil. Era ainda membro da Liceu Brasileira de Ciências.

“Sergio é referência meão na estudo da vida intelectual, do sistema artístico, das instituições politicas e religiosas e da vida cultural brasileira em universal. Quem o conheceu de perto sabe que ele amava a vida com a mesma intensidade com que foi querido por ela”, afirma Fernando Antonio Pinho Rebento, professor do departamento de sociologia da USP. Ele foi orientado por Miceli na sua tese de doutorado.

“Ele imprimia a toda conversa, estudo ou opinião um pouco de sempar. Impossível saber uma vez que ele iria responder a um pouco, era pomposo. Foi o melhor sociólogo da cultura brasílio”, diz Ana Paula Hey, também professora de sociologia da USP

Além de “A Noite da Madrinha” e “Intelectuais e Classe Dirigente…”, lançou livros que se tornaram referências na superfície, uma vez que “A Escol Eclesiástica Brasileira” (1988), “Imagens Negociadas” (1996) e “Cultura e Sociedade: Brasil e Argentina” (2014), oriente organizado em parceria com Heloisa Pontes, sua mulher, e “Lira Mensageira: Drummond e o Grupo Modernista Mineiro” (2022).

“Era um varão inacreditável e vai deixar um legado incrível”, diz Heloisa Pontes, com quem viveu durante 36 anos. Além da esposa, Miceli deixa três filhos de casamentos anteriores. A reitoria da USP decretou luto solene de três dias.

O velório será realizado neste sábado, dia 13, no cemitério Parque Morumby, em São Paulo, das 13h30 às 16h30. Não haverá sepultamento.

Folha

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