Alguém disse há um tempo que estamos vivendo a era da séries medianas, e é verdade. E nascente 2025 foi um pouco isso. Com algumas exceções, foi um ano de séries medianas. Muitas série boas, sim, mas poucas séries incríveis. E tá tudo muito, se é o que temos, vamos testemunhar, a gente gosta de ver série de qualquer maneira, no termo das contas.
dez séries que marcaram 2025
as melhores séries de 2024
Portanto segue a lista do que eu vi, do que eu tentei ver e do que eu larguei neste ano. Está mais ou menos (não exatamente) em ordem do melhor para o menos melhor.
Vale lembrar que as avaliações são baseadas puramente na minha opinião (que deve servir para alguma coisa, por fim nascente blog, embora meio semimorto, acaba de completar 20 anos no ar só falando de série, uhu). Esteja totalmente à vontade para discordar nos comentários e sugerir séries que não estão cá (só não me xinga, vai).
‘Ruptura’
A segunda temporada da série ‘Ruptura’
Divulgação
A felicidade que é ter essa série de novo numa listinha de final de ano, ai ai. A gente esperou quase três anos pela prolongação da história dos caras que dividiram sua personalidade em duas para trabalhar numa empresa misteriosa, e valeu a pena. Depois do final estrondoso da primeira temporada, a segunda não decepcionou nadinha, pelo contrário: foi melhor ainda, resolveu uns mistérios, criou outros e, melhor que tudo, teve a relação entre os personagens indo a um outro patamar. E, simples, ainda teve um final pra deixar a gente morta de sofreguidão até o terceiro ano. Sim, vale todo o hype, vá detrás. (Apple tv)
‘The Pitt’
Uma mistura de “Grey’s Anatomy” com “E.R.” (tem até o doutor Carter!), “The Pitt” é a série médica de que a gente estava precisando. No primórdio parece que vai ser aquela sucessão de clichês, mas passados os primeiros episódios a série acha o tom, os personagens se desenvolvem de um jeito ótimo, tem aqueles casos médicos que mexem com a gente. Cá, a temporada toda se passa meio em tempo real, durante um dia num pronto-socorro caótico, com recta estudantes fazendo seu primeiro plantão, uma grande catástrofe que quase leva o PS ao colapso e aqueles episódios que a gente termina de ver querendo abraçar a TV. (HBO Max)
‘Pablo e Luisão’
O elenco da série ‘Pablo e Luisão’
Divulgação/Globoplay
Tudo nesta série funciona, é impressionante. O roteiro é bom demais (fundamentado nas histórias reais e inacreditáveis vividas pelo comediante Paulo Vieira e sua família quando ele era gaiato), a direção é ótima, o elenco está tinindo e as intervenções inesperadas do próprio Paulo Vieira, versão adulta, no meio das histórias são de gargalhar. Melhor comédia brasileira desde “Os Normais”. Paulo Vieira é mesmo um gênio. (Globoplay)
‘Long Story Short ‘
A animação ‘Long Story Short’
Divulgação/Netflix
Seria uma tristeza você deixar de ver essa série só porque não curte esboço entusiasmado. Uma das melhores coisas deste ano, a novidade série de Raphael Bob-Waksberg, instituidor da maravilhosa “Bojack Horseman”, é tocante é engraçada, ainda faz a gente permanecer pensando na vida enquanto acompanha uma família judia ao longo dos anos, em acontecimentos tão banais quanto definidores. (Netflix)
‘Dying For Sex’
É uma das coisas mais bonitas e delicadas – e ainda assim muito engraçada – que eu vi nos últimos tempos. Uma mulher (Michele Williams, perfeita no papel) com cancro em estágio terminal resolve dar um termo no seu enlace burocrático e ir detrás de, pelo menos no final, ter uma vida sexual satisfatória. Apesar do cancro terminal da protagonista, não é uma série sobre morte, pelo contrário: é sobre a vida, sobre amizade, sobre ser satisfeito. Faz a gente chorar, lógico, mas não de tristeza. (Disney +)
‘O Tentativa ‘
É meio difícil definir essa série – que não é uma série, exatamente, é meio que um documentário, ou um docudrama, mas também um reality show músico (em que os jurados são copilotos de avião), um estudo sobre aplicativos de namoro e uma cruzada pela prevenção de acidentes aéreos. É tudo muito bizarro, mas tudo faz muito sentido. Exclusivamente assista. (HBO Max)
‘Andor ‘
Diego Luna em cena de ‘Andor’
Divulgação
Essa série é um prequel ou uma sequência de qualquer filme de “Stars Wars”, acho. Não sei recta e ligo absolutamente zero para isso. E, ainda assim, a segunda temporada de “Andor” está entre as melhores coisas que eu vi em 2025. É sobre o primórdio da rebelião contra o Predomínio e não é uma temporada muito facinha. Tem uns episódios lentos, talvez exija qualquer conhecimento do universo de Guerra na Estrelas (o qual não tenho). O negócio é: quando a série é boa, é boa demais, não dá pra largar, tem uma sequência de episódios ali que faz a gente perder o fôlego, aplaudir de pé, querer transpor na rua fazendo passeata. Valeu a pena. (Disney+)
‘Dept Q’
Um policial que não segue regras (amamos) e que, depois de um evento traumático, é rebaixado de função e ganha um “departamento” para reabrir investigações de crimes nunca solucionados. Aquela série gostosa de investigação que estava faltando por cá, sabe? (Netflix)
‘Common side effects’
Um pesquisador hippie descobre na selva do Peru um cogumelo mágico capaz de sarar qualquer doença. Em sua procura por tentar cultivar o cogumelo, ele acaba sendo perseguido por poderosos de uma grande farmacêutica. Aquelas histórias que só conseguem ser muito contadas em uma boa animação. Imperdível. (HBO Max)
‘Slow Horses’
Uma das séries mais consistentes – no melhor dos sentidos – no ar hoje, a história dos espiões do MI5 que são rebaixados de filial chegou à quinta temporada com o mesmo humor refinadíssimo e uma investigação magnífico. Não sei por que você ainda não começou a ver, mas sempre é tempo. Gary Oldman no melhor papel da curso. (Apple tv)
‘Only Murders in the Building’
Outra série que chega à quinta temporada em sua melhor forma. A história nem precisava fazer mais sentido – um podcast feitos por três vizinhos sobre assassinatos ocorridos exclusivamente no prédio de NY onde eles moram -, só que ainda faz. Continua divertidíssima e ainda teve um gancho ótimo para o sexto ano. Steve Martin, meu ídolo da vida, e Martin Short são a melhor dupla surgida em décadas. (Disney +)
‘Juvenilidade’
Cena da série ‘Juvenilidade’
Divulgação/Netflix
Acho até que as pessoas se emocionaram um pouco demais com essa série sobre um menino aparentemente bonzinho e pacato que é culpado de matar uma colega da escola. Em secção porque as pessoas descobriram (só agora?) que adolescentes ficam trancados no quarto sendo doutrinados em fóruns incel na internet e isso pode ser muito perigoso, e todo mundo ficou preocupado. Em secção porque todos os episódios foram filmados em projecto sequência, o que realmente é um feito, tirando que o recurso funcionou para só para secção dos episódios. Mas é uma ótima minissérie, sem incerteza. (Netflix)
‘Hacks’
Mais uma, hã, veterana nesta lista, que alegria que dá. Confesso que por um tempo considerável deste quarto ano eu achei que a série tinha se perdido – o primórdio da temporada foi muito esgotante, com a disputa entre as duas protagonistas demorando muito mais do que era preciso. Mas aí a história entrou nos eixos e terminou de uma forma meio catártica, até. Se você nunca viu, veja: a história da parceria improvável de uma comediante veterana com uma roteirista jovem é uma das melhores coisas desta dezena. (HBO Max)
‘Pluribus’
Rhea Seehorn em cena de ‘Pluribus’
Divulgação
Ai, gente. Talvez eu seja uma das únicas doze pessoas no mundo que não estão maravilhadas com “Pluribus”, mas honestamente eu acho que tá todo mundo fazendo uma força enorme pra ADORAR essa série. Finalmente é a novidade série do gênio instituidor de “Breaking Bad” (mas também da chatice “Better Call Saul”, não nos esqueçamos), é esteticamente linda, é rica, praticamente uma obra de arte, tirando que é… chata.
Amamos Vince Gilligan e amamos Rhea Seehorn, mas haja saco para nove episódios focando na mesma rosto de “sou mal-humorada” que ela faz o tempo todo. A premissa da série é ótima – a humanidade toda é contaminada por uma espécie de vírus (não fica muito simples o que está rolando, na verdade) que deixa todo mundo compartilhando a mesma mente e um estado permanente de felicidade, com exceção de uma dúzia de pessoas pelo mundo, entre elas nossa protagonista.
Mas faltou dar uma desenvolvida no roteiro, minha gente, não dá pra permanecer fazendo aquelas cenas intermináveis e gastar 50 minutos por semana para mostrar o tédio da protagonista só porque a Apple te deu um caminhão de verba por incidente. Obviamente que verei a segunda temporada, quero mais é estar errada e ver essa série melhorar e permanecer ótima, mas foi difícil chegar ao termo deste primeiro ano, vamos ser sinceros. (Apple tv)
‘The Lowdown’
Ethan Hawke está magnífico nessa minissérie que estreou agora no finalzinho do ano, no papel de um jornalista freelancer que resolve investigar o suposto suicídio de um milionário. A série começa muito demais – um dos melhores pilotos do ano – e no meio dá umas derrapadas no roteiro, que fica meio rocambolesco, envolvendo políticos, terras indígenas, uma igreja neonazista e outras coisas mais. Mas no termo a história volta pros eixos e é uma ótima diversão, vá detrás. (Disney +)
‘Poker Face’
A segunda (e infelizmente última) temporada da série sobre a mulher (Natasha Lyone) que é um detector de mentiras ambulante foi meio irregular – teve alguns episódios muito bobinhos, mas compensou com outros episódios geniais. Tipo da série que quase ninguém vê, mas todo mundo deveria. (Globoplay)
‘#1 Happy family USA’
Uma das coisas mais divertidas do ano – embora trate de preconceito, discriminação, islamofobia e outras coisas -, essa comédia mostra a vida de uma família islâmica superadaptada à vida nos EUA até que vem… o 11 de Setembro. E aí tudo muda. (Prime Video)
‘Your friends and neighbors’
John Ham cá faz uma espécie de Don Drapper contemporâneo (lindo, charmoso, mulherengo, infeliz, alcoólico) que vive entre ricos e milionários e, depois de perder o tarefa, começa a cometer furtos nas casas dos seus vizinhos para tentar manter o padrão de vida. Uma mistura de “Desperate Housewives” com “Breaking Bad” e pitadas de “Mad Men”, não é nenhuma genialidade mas é muito divertida. (Apple tv)
‘Too Much’
Seriezinha boa da Lena Dunham, a mente genial por trás da maravilhosa “Girls”. Casalzinho genZ, trilha sonora ótima, zero tão emocionante mas uma boa historia de paixão. (Netflix)
‘Task’
Fui toda empolgada ver essa minissérie do instituidor da belíssima “Mare of Eastown”, e o primeiro incidente foi muito promissor, embora com a fórmula meio repetida (policial perturbado com uma tragédia na família precisa investigar um violação numa cidadezinha triste). Mas aí a história começa a focar numa gangue de motoqueiros chatíssima e violentíssima e eu quase desisti de ver. Sorte que continuei, porque o final compensou. (HBO Max)
‘The Bear’
Acho que está na hora de todo mundo permitir que não, “The Bear” não é boa. E está tudo muito. Talvez a primeira e talvez a segunda temporadas tenham sido realmente boas, todo mundo adorando ver a vida num restaurante e tal, comprando camiseta da série, mas depois disso a história ficou patinando no mesmo lugar. Ninguém aguenta mais a rosto de cão esquecido do Bear, suas crises sobre o que fazer da vida, dos pratos, do restaurante, todo mundo falando ‘yes chef’ e fazendo rosto de bonzinho, os diálogos ridículos de todo mundo, que nunca dizem zero, a Sydney indecisa, os primos mais idiotas da história. Simplesmente não dá mais. (Disney +)
‘The Studio’
Eu realmente não entendo o que acontece no mundo quando essa comédia bocó, no mau sentido, é premiadíssima e eleita por um monte de gente uma vez que a coisa mais engraçada do ano. E olha que eu me esforcei, eu vi a série inteira, tentando entender onde estava a genialidade. Não achei nenhuma. É uma série sobre um diretor muito atrapalhado de um estúdio de cinema e no primórdio de cada incidente você imagina todas as piadas que farão e no termo do incidente você vê que estava certa: só obviedades, só clichês, só piadas totalmente bobas (com referências ao mundo do cinema, o que não exatamente é um isca pra mim). (Apple tv)
‘White Lotus’
O bom de não se esperar zero de uma série é que você não fica decepcionada quando a temporada é esse abacaxi que foi. Achei ok até. (HBO Max)
Outrossim, eu vi, ou tentei ver:
“Chesperito” (HBOMax): acho que ninguém no mundo nutriz “Chaves” e “Chapolin” mais que eu, mas a série biográfica do gênio por trás das melhores coisas do audiovisual mundial é um pouco cansativa e às vezes meio cafoninha (uma vez que quando o Roberto Bolaños tem uns insights que virariam tiradas no horizonte). Mas é uma produção caprichada.
“Etoile” (Prime Video): quem já acompanhou nascente blog sabe o quanto eu senhor uma série da Amy Sherman-Palladinof (“Gilmore Girls”). Mas essa série sobre duas companhias de balé, uma de Novidade York e outra de Paris, deu uma cansada, apesar do texto ótimo, do elenco idem e das belíssimas cenas de dança. Não rolou. E foi cancelada.
“Nobody Wants This” (Netflix): depois de ser eleita a série mais fofa do ano pretérito, a segunda temporada da história de paixão entre um rabino e uma podcaster voltou e é exclusivamente mediana. Ainda assim vale testemunhar.
“The Beast in Me” (Netflix): eu senhor a dupla de protagonistas (Mathews Rhys e Claire Danes), mas chegou um momento em que eu me perguntei por que eu estava gastando tantas horas com uma história tão chata – na verdade eu acho que só vi três episódios, mas pareceu uma perpetuidade.
“Last of Us” (HBO Max): vi a primeira temporada, curti até, mas a segunda não me pegou. Assisti ao tal incidente estrondoso e larguei. A vida é curta pra permanecer presa numa série só pelo hype (e séries de videogame me irritam porque as pessoas precisam permanecer andando pra qualquer lugar o tempo todo).
“Uma Família Perfeita” (Disney +): a primeira irrupção de Ellen Pompeo em uma série pós-“Grey’s Anatomy” não deu não. Chatona.
“As quatro estações do ano” (Netflix): zero me dói mais na vida que não gostar de alguma coisa da minha ídola Tina Fey, a mente brilhantes por trás de “30 Rock”, mas eu simplesmente esqueci de continuar a ver. Casais de meia idade e suas vidas. Talvez eu volte para terminar, por fim é a Tina Fey.
“Paradise” (Netflix): uma cidade construída para homiziar o que sobrou da raça humana em seguida uma catástrofe no planeta. E aí é tudo tão clichê, todo mundo é tão canastrão que eu nem lembrei de voltar para ver o incidente final.
“Alien Earth” (Disney +) : alguém me falou que essa série era genial e eu fui ver e é o pior piloto que eu vi no ano.
“Black Mirror” (Netflix) – nossa, nem lembrava mais que tinha tido temporada nascente ano. Lembro que o incidente do Paul Giamatti é demais, não lembro do resto. Talvez porque eu não tenha visto. “Black Mirror” já deu o que tinha que dar, acho.
Portanto é isso. Ano que vem a gente volta. Feliz ano novo.
Fonte G1
