Uma mulher que teve as pernas amputadas em seguida ser atropelada e arrastada por 1 quilômetro, em São Paulo, por um suposto ex-namorado. A professora que foi violentada, estrangulada e teve seu corpo ocultado por um ignoto, em uma trilha de Florianópolis. Duas profissionais da superfície da ensino foram mortas a tiros dentro de uma escola do Rio de Janeiro por um funcionário da instituição. Um menino de 9 anos que conseguiu fugir em seguida ver a mãe, uma ex-guarda municipal, ser assassinada pelo padrasto, em Dourados (MS).
A tentativa de feminicídio e os feminicídios foram cometidos no mesmo período em que é realizada a campanha vernáculo 21 Dias de Ativismo pelo Término da Violência contra as Mulheres e do Racismo, que acontece de 20 de novembro a 10 de dezembro em todo o país.
Os casos não são isolados. Dados divulgados pela ministra das Mulheres, Márcia Lopes, mostram que de janeiro a novembro deste ano 1,2 milénio mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil.
“As mulheres querem uma vida digna, uma vida livre de qualquer tipo de violência”, disse a ministra das Mulheres, Márcia Lopes.
A enunciação da ministra foi dada nesta terça-feira (2), em Brasília, durante o lançamento do projeto Tenda Lilás com o slogan Não Passe Tecido. Proteja. Denuncie. Ligue 180, uma vez que forma de fazer um apelo à sociedade para que não seja cúmplice, não acoberte, não minimize e não ignore as violências contra as mulheres.
A iniciativa de mobilização da Tenda Lilás é itinerante e percorrerá todas as regiões do país, entre janeiro e julho de 2026, com o objetivo de convocar toda a sociedade a assumir o compromisso de enfrentar essas violências ao lado do poder público.
Às pessoas que passaram pela Rodoviária do Projecto Piloto, no meio da capital federalista, a ministra Márcia Lopes explicou que a campanha evidencia a Medial de Atendimento à Mulher – o Ligue 180, uma vez que meato de denúncia para quem presencia, suspeita ou mesmo vive uma situação de violência.
“Não deixe chegar ao termo da risca. Ligue 180! A nossa equipe do 180 tem 350 mulheres falando, recebendo denúncias de todo o Brasil. Quase 700 milénio mulheres já foram atendidas [em 2025]”, afirmou a ministra.
Transportes públicos
A escolha do sítio para instalação da Tenda Lilás, em Brasília, na Rodoviária do Projecto Piloto não foi aleatória.
Dentro da programação da campanha 21 Dias de Ativismo pelo Término da Violência e do Racismo contra as Mulheres, a mobilização marca o Dia M: Mulheres, Mobilidade e Mais Reverência, comemorado em 2 de dezembro. A data é dedicada ao enfrentamento do assédio e da importunação sexual nos transportes públicos, uma vez que ônibus, trens e metrôs.
A ação conjunta no terminal rodoviário com a maior circulação de pessoas em Brasília conta com o pedestal da Organização Internacional para as Migrações (OIM); da Secretaria de Estado da Mulher do Região Federalista (DF), de movimentos sociais e outras instituições públicas e privadas.
A secretária da Mulher do DF, Giselle Ferreira, destacou que a Tenda Lilás é uma importante estratégia para prometer informação e proteção às usuárias de transportes públicos contra o assédio e a importunação sexual. “O assédio acontece todos os dias e nos mais diversos locais. Estar cá, no coração da cidade, significa chegar onde as mulheres estão.”
Os caminhantes, passageiros e ambulantes puderam ouvir a playlist com músicas engajadas pelo termo da violência contra as mulheres, com Maria da Vila Matilde, do álbum A Mulher do Término do Mundo (2015), da cantora Elza Soares.
“Cadê meu celular? Eu vou vincular pro 180. Vou entregar teu nome e explicar meu endereço. Cá você não entra mais. Eu digo que não te conheço E jogo chuva fervendo, se você se aventurar […] ‘Cê’ vai se arrepender de levantar a mão pra mim”, cantou a tradutor falecida em 2022.
A Tenda Lilás do ministério funcionará até quinta-feira (4), com a oferta de atendimentos, oficinas, sessões de conversa e atividades culturais.
Confira a programação da Tenda Lilás de Brasília.
#21 dias de ativismo
A campanha vernáculo 21 Dias de Ativismo pelo Término da Violência e do Racismo contra as Mulheres, de 20 de novembro a 10 de dezembro, é coordenada pelo Ministério das Mulheres em pronunciação com secretarias estaduais e órgãos de políticas para as mulheres em todo o país. O período abrange o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher, comemorado em 25 de novembro.
Ao longo dos 21 dias, a agenda reúne ações culturais, de informação nas redes sociais e de mobilização social, além de intervenções no espaço público, para invocar a atenção da sociedade para a urgência de proteger os direitos das mulheres.
Violência de gênero
A violência de gênero não escolhe classe social, raça ou etnia, idade, nível de escolaridade ou profissão. O 19º Anuário Brasílio de Segurança Pública, do Fórum Brasílio de Segurança Pública, registrou 1.492 feminicídios em 2024, o maior número desde 2015, representando uma média de quatro mulheres assassinadas por dia no Brasil.
Houve aumento de 19,52% nas tentativas de feminicídio, no ano pretérito, totalizando 3.870 casos.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, alerta que a violência começa de forma silenciosa e graduação para níveis mais altos. Ainda assim, muitas mulheres sequer imaginam que sofrem alguns tipos de violências.
“Nós não podemos descobrir que isso é oriundo. Às vezes, começa com um xingamento, um empurrão, uma vocábulo, uma grosseria, até chegar no feminicídio. Às vezes, morosidade um ano, dois anos, até a mulher ser morta. Temos que fazer um grande esforço vernáculo.”
Ligue 180
Segmento médio da campanha vernáculo, o Ligue 180 prestou atendimento a aproximadamente 16 milhões de pessoas em 20 anos de existência, conforme números do Quadro da Rede de Atendimento do Ligue 180.
Criado em 2005, o serviço é gratuito, secreto e funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, oferecendo escuta, protecção, orientação e o registro de denúncias que são encaminhadas aos órgãos competentes.
O meato está disponível pelo telefone 180, WhatsApp (61) 9610-0180, pelo e-mail (central180@mulheres.gov.br) e na Língua Brasileira de Sinais (Libras).
