Moda de Valentino ensinou ao mundo o significado da beleza

Moda de Valentino ensinou ao mundo o significado da beleza – 19/01/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

É quase uma tautologia tentar definir o trabalho de Valentino Garavani uma vez que elegante ou impecável. Também é um tanto injusto resumi-lo, ainda que no melhor sentido da vocábulo, a glamuroso. O estilista italiano, morto aos 93 anos nesta segunda-feira, não foi denominado de imperador por mero recurso retórico. É indelével o capítulo escrito por um jovem que só conseguia pensar em vestidos e no seu fascínio pela venustidade.

Ao longo de 45 anos adiante da geração da maison que leva seu nome, ele transformou o vermelho vibrante, quase laranja, em um de seus maiores símbolos. Pôs a capital italiana no planta da alta-costura, na sotaque de um nome não gaulês pelos maiores clientes de luxo americanos. Ensinou ao mundo da tendência —e de fora dele— uma vez que fazer um tirocínio de vantagem a partir de uma peça simples, não simplista, desde que feita com tecidos luxuosos e remate sublime.

Vestiu estrelas uma vez que Elizabeth Taylor, Audrey Hepburn, de quem foi colega íntimo, e a socialite Jacqueline Kennedy —que, depois seu himeneu com o magnata Aristóteles Onassis, em 1968, usando um protótipo branco, quase creme, ajudou a vender 30 peças idênticas.

Nesse círculo havia também uma seleta constituição artística, que ia de Jean-Michel Basquiat a Andy Warhol, colega próximo e responsável de uma de suas campanhas —lembrada uma vez que uma das primeiras ações publicitárias de uma grife assinada por um artista.

A vida de Valentino era uma sarau, mas, uma vez que ele mesmo disse certa vez, gostaria de transpor à francesa enquanto ela ainda estivesse enxurrada. E o fez em seu desfile de alta-costura primavera–verão 2008, no Musée Rodin, em Paris.

Foram mais de quatro décadas obstinado a tornar as mulheres bonitas. Desde a puerícia em Voghera, quando, aos seis anos, observava as primas mais velhas desfilando com vestidos de sarau. A preocupação se tornaria ainda mais latente ao escoltar a mana mais velha, Wanda Garavani, ao cinema. Enquanto ela tentava justificar as saídas com o namorado, o pequeno Valentino se deixava hipnotizar pelos figurinos das telas —tons acinzentados, brilhos, plumas, opulência. Foi ali que disse ao pai não querer seguir os estudos de latim e helênico, mas, sim, tornar-se costureiro.

Aos 15 anos, mudou-se para Paris e, três anos mais tarde, ingressou na escola da Chambre Syndicale de la Couture, onde aperfeiçoou sua técnica de ilustração.

Ainda nos tempos de escola, Valentino Garavani já se destacava uma vez que ilustrador. Ao se permitir enamorar pela profissão, trabalhou com o egípcio Jean Dessès, um estilista reconhecido por transformar os tecidos uma vez que chiffon e musseline em vestidos noturnos de drapeados elaborados.

Em seguida cinco anos, Valetino decidiu seguir uma vez que inexperiente de Guy Laroche, outro pupilo de Dessès. Com ele, percebeu que, assim uma vez que seus mestres, poderia em breve perfurar a sua própria maison.

O retorno a Roma ocorreu em um período de efervescência e glamour, quando o filme “A Rebuçado Vida”, de Federico Fellini, de 1960, não unicamente pôs Anita Ekberg na Fontana di Trevi à espera de Marcello Mastroianni, mas transformou a própria cidade em orientação internacional. Foi nessa atmosfera que, em um moca da Via Veneto, Valentino teve um encontro que à primeira vista pareceu casual, mas se revelaria decisivo —conheceu o estudante de arquitetura

Giancarlo Giammetti, seu porvir sócio, parceiro de vida e uma das duplas mais longevas da tendência.

Enquanto Garavani estava trancado em sua sala, Giammetti se dedicava a estruturar a empresa, permitindo que o estilista tivesse unicamente olhos para brilhos, plumas e suas clientes célebres.

Mas antes de ocupar o guarda-roupa da fidalguia, seu début aconteceu em 1962, no Palazzo Pitti, em Florença, em um cenário que parecia desfavorável. Marcado para o último horário do último dia, seu desfile prometia ter menos sucesso. Mas acabou reunindo compradores curiosos para saber do que se tratava esse novo talento.

A partir de logo, o seu vermelho, primeira a cor a impactá-lo, levou o nome da sua etiqueta para a boca da clientela, e garantiu que, mesmo na exiguidade da cor mais quente, sua assinatura de nobreza fosse reconhecida em criações de uma cartela branca.

Foi o caso da “The White Collection”, de 1968. Além de surpreender o público com um desfile final formado unicamente por looks brancos, vestiu Elizabeth Taylor com um vestido de penas de avestruz para a estreia do filme “Spartacus”. Espantado pela repercussão, percebeu que sua visão transcendia uma cartela cromática e que poderia explorar composições de cores, texturas e acabamentos.

“Senhoril a venustidade e não é culpa minha”, declarou certa vez o estilista que, nas décadas seguintes, assumiu que seu objetivo quotidiano era preencher qualquer coisa que exaltasse o belo. Não à toa, Valentino tornou-se um grande colecionador de arte —com obras de Lucio Fontana a Arnaldo Pomodoro, passando por Cy Twombly.

Tanto ele quanto Giammetti, em determinado momento, decidiram buscar obras que fossem vermelhas — e as encontraram nas casas de colecionadores e em leilões. De Picasso a Basquiat, tudo o que poderia assumir o domínio do carmim estaria nas mãos da dupla.

Essa coleção foi apresentada pela primeira vez entre criações de seu ror na exposição “Orizzonti Rosso”, que ficou em papeleta no espaço expositivo da Fondazione Valentino Garavani e Giancarlo Giammetti, a PM23, em Roma. A iniciativa, fruto de investimento direto de Garavani e Giammetti, é uma espécie de celebração da venustidade e uma forma de transmiti-la ao porvir.

“A venustidade sempre foi nosso guia e nossa inspiração mais profundos. Dedicamos nossas vidas a celebrá-la, deslindar suas infinitas nuances e compartilhá-la com o mundo”, disseram na ocasião da sinceridade da PM23, em fevereiro de 2025.

Valentino Garavani se recusou a aderir ao sistema de pré-coleções, capsule collections e a conciliar sua rotina a uma novidade lógica de calendário mercantil. Por isso, decidiu parar. Mesmo remoto das passarelas desde a aposentadoria, em janeiro de 2008 —quando entregou a direção criativa a Pierpaolo Piccioli e Maria Grazia Chiuri e, nos últimos anos, assistiu a Alessandro Michele reinterpretar seu legado— construiu um predomínio.

Mesmo sem a independência idealizada de um Giorgio Armani, que controlou até os últimos dias tudo o que levava seu sobrenome, expressar que ele não conseguiu o que queria é equivocado. O último imperador, entre seus fiéis pugs, ensinou ao público —da tendência e de fora dela— o verdadeiro significado da venustidade.

Folha

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