Morre preta gil, cantora e empresária, aos 50 anos

Morre Preta Gil, cantora e empresária, aos 50 anos – 20/07/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Morreu neste domingo (20), aos 50 anos, a cantora Preta Gil, empresária, apresentadora e um dos nomes mais populares da música e do mercado fonográfico brasílico das últimas três décadas, que transitou por gêneros uma vez que axé, samba e pop. A informação foi confirmada à Folha pela equipe da artista.

A artista recebeu um diagnóstico de cancro colorretal em janeiro de 2023 e tratava a doença desde logo.

Filha do tropicalista Gilberto Gil com Sandra Gadelha, Preta deixa o fruto Francisco Gil e a neta Sol de Maria. O horário e o sítio de seu velório ainda não foram divulgados pelos familiares.

Em agosto do ano retrasado, Preta havia afirmado que seu cancro havia se espalhado por quatro pontos —dois linfonodos na pelve, uma metástase no peritônio e um nódulo no ureter. Durante o tratamento, a artista viveu entre o Brasil e os Estados Unidos.

Enquanto realizava terapias, a artista chegou a participar da turnê “Nós, A Gente”, que uniu três gerações da família Gil no mesmo show, e ainda da turnê em que seu pai se despediu dos palcos, “Tempo Rei”. Em entrevista a oriente jornal, a cantora declarou que as apresentações faziam segmento do seu processo de tratamento. “Estou enfraquecida, mas cada noite é uma ração de adrenalina, paixão e afeto.”

Desde o momento que descobriu a doença, Preta não se distanciou do público, com quem manteve contato por meio de suas redes sociais. “Eu comento sobre tudo, se estou frágil ou triste, sou transparente. Uma vez que uma pessoa pública, posso dividir as minhas vulnerabilidades, não tenho por que fazer tipo na internet.”

Nascida em 1974, Preta Gil se equilibrou entre os holofotes e os bastidores. A curso uma vez que produtora cultural começou aos 16 anos a invitação de Zé Maurício Machline, na organização do Prêmio Sharp, atual Prêmio da Música Brasileira. Em seguida, foi convidada por Nizan Guanaes para trabalhar na sucursal de publicidade DM9.

A par das mudanças nas últimas décadas, presenciou o surgimento dos megafestivais, caso da primeira edição do Rock in Rio, em 1985. Nos anos 1990, trabalhou nas produtoras Conspiração e Dueto, onde criou videoclipes para Ivete Sangalo e Ana Carolina e dirigiu materiais de grupos uma vez que KLB e SNZ, tendo papel fundamental na popularização do formato no Brasil. Seus trabalhos incluem ainda produções uma vez que “Menino”, de Marina Lima, sua prima por segmento de mãe.

Décadas depois, em 2017, fundou a empresa Music2Mynd, centrada em agenciamento de artistas e marketing de influência. Com ela, ajudou a impulsionar a figura do artista uma vez que fundador de teor nas plataformas digitais. Sua própria faceta de influenciadora alcançou mais de 12 milhões de seguidores no Instagram.

Além do dia a dia, com a divulgação dos projetos e teor publicitário, Preta compartilhava mensagens relacionadas à valorização da autoestima feminina e às causas com que se engajava, caso da legalização do monstruosidade. A cantora usou sua voz ainda para estribar pautas dos movimentos LGBTQIA+ e preto.

Sua trajetória artística começou com o disco “Prét-A-Porter”, em 2003, projeto elaborado com outros herdeiros da MPB —Davi Moraes, fruto de Moraes Moreira, Pedro Baby, fruto de Baby do Brasil e Pepeu Gomes, Betão e Gil Aguiar, filhos do Paulinho Boca de Cantor.

“Esse disco mostra as minhas raízes, tanto as tropicalistas da MPB quanto o meu lado lhano, democrático e conectado”, ela escreveu na autobiografia “Preta Gil: Os Primeiros 50”, publicada em 2024. O trabalho traz “Sinais de Queima”, elaboração de Ana Carolina e Antonio Villeroy e carro-chefe de seus shows até o término da vida.

A revestimento, na qual posou nua, fotografada por Vania Toledo, teve muita repercussão. “Vivia no mundo da fantasia da tropicália, achava que todo mundo era uma vez que a gente, cabeça ensejo. Achava que ninguém era racista. Nunca pensei que as pessoas pudessem ser conservadoras ou julgar os outros pelo modo uma vez que vivem ou por uma vez que são”, escreveu em seu livro.

Na idade, aos 28 anos, enfrentou o moralismo da sociedade brasileira, que a repreendia por sua ar e por seu despudor em relação à bissexualidade e à liberdade feminina. Foi a partir dali, no início dos anos 2000, que se envolveu com o debate feminista e antirracista.

Na sua discografia constam mais três álbuns autorais —”Preta”, de 2005, “Sou Uma vez que Sou”, de 2012, e “Todas as Cores”, de 2017, que traz colaborações com Gal Costa, Pabllo Vittar e Marília Mendonça. Ela ainda lançou dois discos ao vivo baseados nos shows “Noite Preta”, em 2010, e “Conjunto da Preta”, em 2014.

A princípio, o projeto “Noite Preta” foi um evento para poucas pessoas no espaço Cinemathèque, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Lançada em 2007, a empreitada trazia no repertório as canções dos discos, versões de clássicos da MPB e músicas de artistas pop da idade, uma vez que Kelly Key. Com a adesão da plateia, o show migrou para a boate The Week, marco da noite gay paulistana, que fechou suas portas em 2021.

Em paralelo à curso músico, Preta se arriscou uma vez que atriz —viveu um varão transexual no músico “Um Varão Chamado Lee”, em 2006, participou da romance “Os Mutantes”, da Record, no ano seguinte, e colaborou com diversos projetos da Mundo, entre eles “Agora É que São Elas”, em 2003, “Ó Pai, Ó”, em 2008, e “As Cariocas”, em 2010. Ao lado da empresária Marlene Mattos, também criou o talk show “Caixa Preta”, em 2004, na Band.

Em sua autobiografia, Preta lembrou uma vez que o projeto valorizava sua negritude. “Tinha as bailarinas, as pretetes. Eram todas negras. Fiz uma material para uma revista das quais título era ‘poder para o povo preto’. Falava sobre empoderamento, mesmo sem esse termo viver na idade.” A faceta de apresentadora ainda deu as caras em “Vai e Vem”, programa sobre sexo exibido no GNT, em 2010.

Nessas três décadas dedicados à cultura, Preta Gil foi uma a artista que acompanhou as principais transformações da indústria do entretenimento, seja uma vez que realizadora de projetos, seja conduzindo multidões em cima do palco.

Folha

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *