Morumbis: promotor apura desvios no São Paulo FC 21/01/2026

Morumbis: promotor apura desvios no São Paulo FC – 21/01/2026 – Esporte

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As ações da Polícia Social e do Ministério Público apontam que o esquema ilícito de vendas de camarotes no Morumbis, estádio do São Paulo Futebol Clube, localizado na zona oeste da capital, tem causado prejuízos ao clube e oferecido lucro aos envolvidos.

Na manhã desta quarta-feira (21), foram cumpridos quatro mandados de procura e mortificação contra três investigados. A ação resultou na mortificação de verba, documentos e um computador. O promotor José Reinaldo Guimarães Carneiro, que atua no caso, classificou a operação porquê exitosa.

Em conversa com a Folha, ele afirmou que as apurações apontam o envolvimento de mais pessoas do que o observado inicialmente. O esquema também seria idoso, envolvendo vários shows, não somente o da cantora colombiana Shakira, em fevereiro de 2025.

Segundo Carneiro, o montante obtido pelos envolvidos era repartido entre eles, sem que zero fosse revertido para o clube. “O São Paulo é vítima dos recursos manipulados pela própria diretoria. O Morumbis se transformou em uma máquina de arrecadação pessoal”, afirmou o promotor.

As buscas e as apreensões nesta quarta foram realizadas contra Douglas Schwartzmann, diretor-adjunto de futebol de base, Mara Casares, ex-mulher de Julio Casares, presidente remoto do clube, e Rita de Cássia Adriana Prado.

Rita Adriana não foi encontrada em seu endereço. Seus filhos, que estavam no sítio, informaram que ela mora atualmente em outro lugar. A polícia afirma ter apreendido anotações de interesse da investigação.

Na residência de Mara Casares foram apreendidos R$ 20 milénio em espécie, além de documentação e um computador.

Douglas Schwartzmann também não estava em lar. As equipes descobriram que ele está fora do país. Os filhos dele receberam os policiais.

Em nota, a resguardo de Mara disse que ela foi “surpreendida na data de hoje com o cumprimento de medida cautelar de procura e mortificação em sua residência” e acrescentou que “mantém a sua postura irrestrita de colaborar amplamente para a elucidação dos fatos perquiridos, cuja lisura de seus atos será comprovada ao longo desta investigação policial”.

Os advogados de Douglas criticaram a operação. “A toda evidência, a procura realizada na presente data – justamente quando as autoridades tinham prévia ciência que Douglas estaria fora do país – tem a finalidade única de constrangê-lo, uma vez que tal medida foi totalmente inócua”, afirmaram.

A assessoria do clube declarou à Folha que o São Paulo é vítima e vai contribuir com a investigação.

IMPEACHMENT DE CASARES

O Recomendação Deliberativo do São Paulo aprovou na sexta-feira (16) o retiro de Julio Casares da presidência do clube. Na votação do impeachment, 188 conselheiros votaram contra sua permanência no função. Foram 45 votos pela repudiação do pedido e dois em branco.

A queda de Casares é consequência do derretimento de seu capital político, provocado por uma série de escândalos que abalaram a gestão. O vice-presidente Harry Massis Junior, 80, assume o função interinamente.

O pedido de destituição, protocolado em 23 de dezembro, tem porquê base a suspeita de uso irregular de camarotes do Morumbis durante shows.

Em dezembro, o site ge.com divulgou áudios que indicariam um suposto esquema de venda clandestina de ingressos de um torrinha reservado à presidência em dias de eventos musicais no estádio.

Posteriormente a divulgação do material, Mara Casares, logo diretora feminina, cultural e de eventos, e Douglas Schwartzmann se afastaram de seus cargos.

Nas últimas semanas, enquanto o caso do torrinha ganhava repercussão, a Polícia Social já mantinha um sindicância franco, com frentes de investigação distintas: uma sobre supostas irregularidades no departamento de futebol e outra relacionada às contas bancárias do São Paulo Futebol Clube e de Julio Casares.

A Polícia Social apura, por exemplo, o recebimento de R$ 1,5 milhão em depósitos em verba nas contas pessoais do dirigente. Outra risca de investigação tenta esclarecer a realização de 35 saques nas contas do clube entre 2021 e 2025, que somam R$ 11 milhões.

Os advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, que representam Casares, afirmaram que as movimentações financeiras apontadas em relatório do Coaf “têm origem lícita e legítima, patível com a evolução da capacidade financeira” do dirigente.

Segundo a resguardo, antes de assumir a presidência do São Paulo, Casares ocupou cargos de subida direção na iniciativa privada, com remuneração elevada. A origem dos recursos, afirmam os advogados, será esclarecida ao longo das investigações, com a apresentação de documentos e declarações fiscais.

Veja nota da resguardo de Mara Casares

A Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares, por meio de seus advogados Rafael Maluf, Paula Stoco e Chiara de Siqueira, vem a público informar que foi surpreendida na data de hoje com o cumprimento de medida cautelar de procura e mortificação em sua residência.

Cumpre realçar que a Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares sempre se colocou à inteira disposição da Poder Policial para prestar os devidos esclarecimentos acerca dos fatos perquiridos nos autos do referido Sindicância Policial, nunca tendo sido intimada para qualquer ato que objetivasse a sua respectiva elucidação, mesmo com o jacente contato presencial de seus advogados com a Poder Policial. É inegável a postura colaborativa da Sra. Mara Suely Soares de Melo Casares com o deslinde das investigações, tal qual texto é amplamente divulgado pelos meios de informação. Dessa forma, uma medida desta seriedade, cujos fatos são públicos, a torna desnecessária e inócua, restando porquê objetivo somente e tão somente a exposição midiática e abusiva da Sra. Mara e de seus familiares.

A Sra. Mara Casares mantém a sua postura irrestrita de colaborar amplamente para a elucidação dos fatos perquiridos, cuja lisura de seus atos será comprovada ao longo desta investigação policial. Por termo, a Resguardo esclarece que ainda não teve entrada à íntegra da decisão proferida pelo Pensamento da Vara das Garantias do Mensalidade Mediano Criminal da Capital do Estado de São Paulo, que determinou a medida de procura e mortificação.

Veja nota da resguardo de Douglas Schwartzmann

No final do ano pretérito, quando tomou ciência da investigação pela mídia, a Resguardo se dirigiu a Delegacia e informou que o Sr. Douglas Schwartzmann estava à inteira disposição da Poder Policial para prestar esclarecimentos sobre os fatos.

Ato seguinte, no dia 9 de janeiro, a Resguardo comunicou formalmente a Poder Policial que o Sr. Douglas faria uma viagem ao exterior na semana do dia 18 de janeiro, em razão de compromissos profissionais.

Inclusive, naquela oportunidade, apresentou-se transcrição das passagens aéreas – ida e volta -, muito porquê a documentação comprobatória das atividades que faria no exterior.

Hoje, policiais civis se dirigiram a residência do Sr. Douglas e constataram o óbvio: ele não estava.

À toda evidência que a procura realizada na presente data – justamente quando as Autoridades tinham prévia ciência que Douglas estaria fora do país – tem a finalidade única de constrangê-lo, uma vez que tal medida foi totalmente inócua.

Folha

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