Mostra de sp escolhe the president's cake como melhor filme

Mostra de SP escolhe The President’s Cake como melhor filme

Brasil

O filme iraquiano The President’s Cake foi o grande vencedor da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo deste ano. O longa, que conta a história de uma moçoila de 9 anos que precisa fazer um bolo para o presidente do Iraque, foi escolhido pelo júri da Mostra uma vez que melhor filme do festival. Ele também já havia sido premiado no Festival de Cannes com o Caméra d’Or para melhor filme de diretor estreante e escolhido pelo público na Quinzena dos Cineastas.

Nesta edição, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo exibiu 374 títulos de 80 países e trouxe ao Brasil nomes importantes do cinema mundial uma vez que o iraniano Jafar Panahi que, em 2010, foi réprobo a seis anos de prisão e proibido de filmar ou transpor do Irã por 20 anos sob a criminação de fazer propaganda contra o regime que governa o país. Apesar disso, ele continua filmando e ganhando prêmios ao volta do mundo. Neste ano, por exemplo, seu novo longa, Foi Unicamente um Acidente, venceu o prêmio principal do Festival de Cannes e foi exibido durante a Mostra de SP, contando com a participação do diretor em todas as sessões.

O filme começa contando uma vez que um pequeno acidente pode desencadear uma série de consequências, refletindo sobre os traumas e as consequências dos regimes ditatoriais e violentos.

Em uma dessas sessões, exibida no Suplente Cultural, Panahi dedicou o seu novo filme aos cineastas iranianos e disse que gostaria muito que seu filme fosse testemunhado em seu próprio país.

“Infelizmente, exclusivamente um de meus filmes foram exibidos no Irã, o restante, nunca. Mas fiz os meus filmes desejando que, um dia, eles sejam vistos no Irã. Infelizmente, no Irã, temos um governo que proíbe nossa conversa, uma vez que cineasta, com seu povo. Qualquer filme que não aceita increpação, é proibido. Mas cineastas iranianos sempre buscam seus caminhos, apesar das proibições. A sessão de hoje eu ofereço, de coração, para todos os cineastas iranianos”, disse ele ao público presente à sessão.

O evento também trouxe ao país o jornalista português Valter Hugo Mãe, que participou das sessões de dois filmes em sua homenagem. O primeiro é o documentário De Lugar Nenhum, um dirigido pelo diretor Miguel Gonçalves Mendes e que filmou Mãe durante sete anos, acompanhando a escrita do seu romance A Desumanização. O outro é o longa O Rebento de Milénio Homens, dirigido pelo brasílico Daniel Rezende e que é fundamentado em um livro de Mãe, de mesmo nome.

Na sessão do documentário De Lugar Nenhum, Mãe disse que leste filme foi um projeto muito importante, que levou sete anos para ser filmado.

“O filme é uma viagem, que espero que gostem de ver e de viver. Estou muito grato de estar cá. Mas eu diria que, se qualquer dia, pedirem para filmar um documentário sobre você, recusem”, falou ele, arrancando risos do público presente à sessão.

Um dos homenageados pelo festival deste ano foi o também jornalista e desenhista Mauricio de Sousa, que completou 90 anos de idade neste mês de outubro. Além de ter exibido o longa Mauricio de Sousa-O Filme, que conta a sua história e que foi interpretado por seu rebento, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo concedeu ao quadrinista brasílico o prêmio Leon Cakoff, um reconhecimento ao seu trabalho e uma celebração de seu natalício.


Com a presença do cartunista e escritor Maurício de Sousa, a Embrapa e parceiros lançam na próxima terça-feira, dia 26 de novembro, na sede da Embrapa, em Brasília (DF), uma revistinha em quadrinhos da Turma da Mônica
Com a presença do cartunista e escritor Maurício de Sousa, a Embrapa e parceiros lançam na próxima terça-feira, dia 26 de novembro, na sede da Embrapa, em Brasília (DF), uma revistinha em quadrinhos da Turma da Mônica

Outros premiados

O prêmio privativo do júri, por sua vez, foi para o filme DJ Ahmet, ambientado na Macedônia do Setentrião. O longa conta a história de um menino de 15 anos que encontra refúgio na música enquanto lida com as expectativas impostas pelo pai.

Já o público premiou os filmes brasileiros Criadas, uma vez que melhor ficção, e Cadernos Negros, uma vez que melhor documentário.

Confira a lista de todos os filmes premiados pela Mostra na edição deste ano:

Prêmio do júri de melhor filme: The President’s Cake, de Hasan Hadi (Iraque, EUA, Espiolhar)

– Prêmio privativo do júri: DJ Ahmet, de Georgi M. Unkovski (Macedônia do Setentrião, República Tcheca, Sérvia, Croácia)

– Prêmio do júri – Menção Honrosa: A Luta, de Jose Alayón (Espanha, Colômbia)

– Prêmio do júri de melhor atuação: Doha Ramadan pelo filme Feliz Natalício, de Sarah Goher (Egito)

– Prêmio do público de melhor filme de ficção brasílico: Criadas, de Carol Rodrigues (Brasil)

– Prêmio do público de melhor documentário brasílico: Cadernos Negros, de Joel Zito Araújo (Brasil)

– Prêmio do público de melhor filme de ficção internacional: Palestina 36, de Annemarie Jacir (Palestina, Reino Uno, França, Dinamarca, Noruega, Espiolhar, Arábia Saudita, Jordânia)

– Prêmio do público de melhor documentário internacional: Yanuni, de Richard Ladkani (Áustria, Brasil, EUA, Canadá, Alemanha)

– Prêmio da sátira de melhor filme internacional: A Sombra do Meu Pai, de Akinola Davies Jr. (Reino Uno, Nigéria)

– Prêmio da Sátira de melhor filme brasílico: A Natureza das Coisas Invísiveis, de Rafaela Camelo (Brasil, Chile)

– Prêmio Brada de melhor direção de arte: Jennifer Anti e Pablo Anti pelo filme A Sombra do Meu Pai, de Akinola Davies Jr. (Reino Uno, Nigéria)

– Prêmio Abraccine: O Pai e o Pajé, de Iawarete Kaiabi, codirigido por Felipe Tomazelli e Luís Villaça (Brasil)

– Prêmio Netflix: Virtuosas, de Cíntia Domit Bittar (Brasil)

– Prêmio Paradiso: Coração das Trevas, de Rogério Nunes (Brasil, França)

– Prêmio Prisma Queer de melhor filme internacional: Queerpanorama, de Jun Li (EUA, Hong Kong, China)

– Prêmio Prisma Queer de melhor filme brasílico: A Natureza das Coisas Invisíveis, de Rafaela Camelo (Brasil, Chile)

– Prêmio Prisma Queer – Prêmio Próprio do Júri: Morte e Vida Madalena, de Guto Parente (Brasil, Portugal)

– Prêmio Humanidade: Euzhan Palcy, Jafar Panahi e os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne

– Prêmio Leon Cakoff: Charlie Kaufman e Mauricio de Sousa

 

Fonte EBC

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