Mostra de sp revê tensões com monstros e oriente médio

Mostra de SP revê tensões com monstros e Oriente Médio – 15/10/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Diante da guerra na Fita de Gaza, e que agora parece caminhar para um término definitivo, a 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo traz, uma vez que em 2024, diversos filmes guiados por tensões no Oriente Médio. É o caso de “Foi Exclusivamente um Acidente”, do iraniano Jafar Panahi, que virá para receber o Prêmio Humanidade, “Palestina 36”, escolha da Palestina para tentar uma indicação ao Oscar internacional, e “O Bolo do Presidente”, que retrata a repressão no Iraque pelo olhar de uma muchacho.

Dessa vez, entretanto, o clima de mal-estar dita os mais variados gêneros, não restrito a uma única região do mundo ou a documentário e dramas mais rígidos. Nesta edição, as angústias sobram para monstros, ideias absurdas e mesmo para a comédia. Os primeiros, aliás, aparecem em peso.

O evento traz duas novas versões do vampiro mais famoso de todos. Concebida pelo romeno Radu Jude, lembrado pelo humor exagerado e nome recorrente no evento, “Dracula” brinca com o esgotamento do personagem e zomba da lucidez sintético e de incertezas do capitalismo. “Nosferatu”, por sua vez, do brasílio Cristiano Burlan, apresenta o último papel de Jean-Claude Bernadet e opta pelo experimental ao retratar as crises existenciais do monstro.

Os vampiros dividem a programação com outra adaptação de “Frankenstein”. Lançado em Veneza e dirigido por Guillermo del Toro, o filme vem sendo descrito pelo cineasta mexicano uma vez que um drama familiar sobre dores geracionais. “Bugonia”, de Yorgos Lanthimos, mira o espaço sideral e segue conspiracionistas que creem que a CEO de uma grande empresa é uma forasteiro, e “Resurrection”, do chinês Bi Gan, imagina um universo povoado por fantasmas onde os sonhos foram proibidos.

Quem também desenvolve uma narrativa subjetiva é o roteirista e diretor americano Charlie Kaufman. Escrito pela poeta Eva H.D., o curta “Uma vez que Fotografar um Fantasma” —e que em será exibidos junto de “Anomalisa”, lançado pelo cineasta em 2015— segue as andanças de dois espectros pela Grécia. Ao unir arquivos e filmagens próprias, a produção traça paralelos entre os personagens e traumas de guerra.

O curta antecede a exibição de “Sirât” na lisura da Mostra, que acontece na Sala São Paulo na noite desta quarta (15). Selecionado pela Espanha para simbolizar o país no Oscar de 2026, o filme segue a luta de um pai e seu rebento por sobrevivência. Ao questionar os limites da humanidade, o diretor Oliver Laxe se afilia ao paradoxal e ambienta a trama em raves extremas que acontecem no deserto do Marrocos.

A fantasia, inclusive, dá as caras em títulos sobre questões históricas. É o caso do representante brasílio ao Oscar de 2026, “O Agente Secreto”. Premiado em Cannes com os troféus de melhor direção e melhor ator, o longa de Kleber Mendonça Fruto reúne ação e drama ao retratar a ditadura militar.

Menos propensa à atmosfera lúdica, a escolha alemã para tentar uma vaga ao prêmio da Ateneu aposta na vexação típica do terror. “O Som da Queda” acompanha a deterioração de uma família ao continuar entre mulheres de gerações distintas. Entre elas, a tragédia se mantém uma vez que fio condutor.

O ramal do realismo também norteia filmes uma vez que “Folha Seca”, que usa o desaparecimento de uma fotógrafa para abordar a memória, e “Fuck the Polis”, que reforça o compromisso de Rita Azevedo Gomes com narrativas abstratas. Já na comédia, os destaques são filmes que utilizam a ironia para criticar cenários políticos. É o caso de “Era uma Vez em Gaza”, que retrata a vexação pela ótica do humor obscuro, e “Almas Mortas”, que evoca a violência enraizada na cultura americana num faroeste cômico.

Assim uma vez que Jafar Panahi, Charlie Kaufman e Eva H.D, estão entre os mais de 50 convidados da Mostra, em que o cineasta dará uma lição na Cinemateca Brasileira e receberá o Prêmio Leon Cakoff. O troféu celebra artistas que contribuíram criativamente com o audiovisual e também será entregue, na lisura, ao cartunista Mauricio de Sousa. A cinebiografia do quadrinista, “Mauricio de Sousa – O Filme”, no dia 21, também será exibida no evento, além de adaptações de seus quadrinhos para o cinema que integram a Mostrinha.

Ao lado do quadrinista, a cineasta martinicana Euzhan Palcy também recebe o Prêmio Humanidade durante a lisura. Quem ainda recebe a láurea, mesmo que não presencialmente, é a dupla de irmãos Luc Dardenne e Jean-Pierre Dardenne, presentes na programação com o filme “Jovens Mães”.

A Mostra de São Paulo exibe quase 400 filmes, em 52 salas de cinema da capital paulista. O evento vai do 16 a 30 de outubro, quando será encerrado pela exibição de “Jay Kelly”, filme de Noah Baumbach.

Folha

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