Mostra reúne obras de pierre verger em salvador 09/09/2025

Mostra reúne obras de Pierre Verger em Salvador – 09/09/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Em 1953, Pierre Verger morreu para logo depois renascer. À era, o fotógrafo foi iniciado no literato da divinação no Benin e recebeu o título de babalaô —sacerdote que oferece orientação às pessoas tendo uma vez que base um jogo de búzios chamado ifá. Depois dessa experiência, o gálico passou a ser sabido uma vez que Fatumbi, termo iorubá que significa “nascido de novo graças ao Ifá”.

Essa jornada de morte e renascimento é um dos fios condutores da exposição “Fatumbi”. Segmento da temporada França no Brasil, a mostra reúne no Museu de Arte da Bahia, o MAB, trabalhos daquele que é um dos mais importantes retratistas do universo afro-brasileiro.

Num primeiro momento, o público tem contato com fotografias feitas em Recife e Salvador, cidade que ocupa lugar medial na produção de Verger.

Nascido em uma família abastada da França, ele decidiu viver uma vida nômade depois que sua mãe morreu, em 1932. Com isso em mente, viajou por países uma vez que Espanha, Japão, China, Senegal e a antiga União Soviética. Em 1946, desembarcou na capital baiana influenciado pelo romance “Jubiabá”, de Jorge Querido.

Na cidade, fotografou a efervescência do Carnaval, a fé das religiões de matriz africana e a rotina dos trabalhadores, registros que estão na mostra do MAB. São imagens que não almejam tomar zero além da trivialidade dos dias.

“Verger é um fotógrafo do povo e do cotidiano. Ele quase nunca fez fotos em estúdio e não se interessava por temas que estavam nas manchetes dos jornais”, diz Alex Baradel, que assina a curadoria da mostra ao lado do artista visual Emo de Medeiros.

Em uma das imagens mais interessantes da exposição, o fotógrafo capturou o momento em que um grupo de homens arrasta uma corda durante o trabalho de pesca em Itapuã. A obra tem tanta dramaticidade que é quase verosímil sentir o esforço físico empreendido pelos pescadores.

Em outro registro, Verger fotografou a sarau do Senhor Bom Jesus dos Navegantes. No núcleo da cena, há um varão de blusa listrada e chapéu de palha. Detrás dele, é verosímil ver uma profusão de frutas, uma vez que abacaxis e melancias. Na frente do rapaz, dezenas de pessoas observam a baía de todos os santos.

Cá, o que surpreende é a elaboração do retrato e o estabilidade entre os diferentes elementos que compõem a imagem.

Baradel, o curador da mostra, diz que Verger tinha grande domínio técnico do seu ofício, propriedade que desenvolveu ao ser pupilo do fotógrafo Pierre Boucher. Apesar disso, o gálico considerava que os aspectos técnicos estavam em segundo projecto.

“Ele costumava manifestar que nem sabia porque fazia uma foto. Só tinha essa resposta na hora da revelação”, diz Baradel, que também é responsável pelo ror fotográfico da Instauração Pierre Verger, localizada em Salvador.

Para ele, o trabalho do artista era quase instintivo, postura dissemelhante daquela adotada por seus contemporâneos, uma vez que Henri Cartier-Bresson e Marcel Gautherot. “Ambos pensavam muito na retrato e na elaboração dela. Eram imagens tecnicamente perfeitas. Já Verger era um fotógrafo que não estava pensando na construção de suas fotografias. Havia muito menos um raciocínio de elaboração e mais uma trova do cotidiano.”

O fotógrafo também não pretendia fazer de suas imagens um estudo etnográfico sobre Salvador. “A retrato dele era um encontro com culturas e com pessoas. O objetivo não era antropológico.”

Isso começa a mudar de figura a partir de 1948, quando ele viajou para a África em seguida lucrar uma bolsa de estudos do Institut Fondamental d’Afrique Noire, o Ifan. A partir daí, começou a estudar de forma mais aprofundada o literato aos orixás, processo que havia começado quando ainda estava na Bahia.

Pouco antes de viajar, o fotógrafo passou a seguir de perto o candomblé, registrando rituais em terreiros uma vez que o da Tumba Junsara e o de Joãozinho da Goméia.

Presentes na exposição do MAB, essas imagens mostram os fiéis em transe e trajando vestimentas que remetem a orixás uma vez que Omolu, a potestade da trato e da doença.

Verger se aproximou ainda mais dessa tradição religiosa em seguida lucrar a bolsa de estudos do Ifan, produzindo muro de dois milénio negativos uma vez que resultado da pesquisa.

Nos anos seguintes, voltou ao Benin em outras ocasiões para registrar cerimônias sagradas. Na mostra, há fotografias de pessoas com o corpo vestido pelo efun, uma pintura de cor branca e formato circundar usada em rituais de iniciação.

É justamente nesse período que o trabalho de Verger sofre uma inflexão. “Eu diria que essas fotos, sim, têm um objetivo mais antropológico”, diz Baradel.

A produção fotográfica não foi o único resultado da pesquisa no continente africano. A pedido do Ifan, o artista passou a sistematizar em textos as suas descobertas. Em 1954, publicou o livro “Dieux d’Afrique”, obra em que descreve os orixás.

Em 1968, foi a vez de lançar “Fluxo e Refluxo”, considerada uma de suas obras mais importantes. Fruto de uma ampla pesquisa, o livro analisa os elementos culturais que ligam a Bahia ao continente africano. Graças ao estudo, Verger ganhou o título de doutor pela Sorbonne mesmo sem nunca ter frequentado a universidade francesa.

“Quase ninguém tinha feito esses trabalhos na África”, afirma Baradel. “São obras que se tornaram uma natividade de informação importantíssima.”

Lançado em 1981, “Orixás” é outro trabalho basilar. Não à toa, foi eleito pela Folha um dos 200 livros mais importantes para entender o Brasil. “De forma universal, não somente esse livro, mas a obra de Verger uma vez que um todo é fundamental para o povo do candomblé e para a cultura brasileira.”

Para ilustrar isso, a mostra traz depoimentos de pessoas ligadas às religiões de matriz africana, uma vez que Cici de Oxalá, Obaraí e Moa do Katendê.

A exposição traz ainda 16 trabalhos feitos por Emo de Medeiros, artista franco-beninense que também assina a curadoria do projeto.

Uma das fotografias mostra um navio todo pintado de preto afundando no oceano, enquanto duas pessoas vestidas de branco observam o naufrágio. É uma vez que se a obra fosse um ritual lutuoso que anuncia o término de uma jornada e o início de outra.

“Eu quis gerar obras que servissem de metáfora para a trajetória de renascimento de Verger”, diz Medeiros.

Para isso, ele produziu as imagens por meio da perceptibilidade sintético, usando uma vez que comando as orações do ifá, o sistema divinatório iorubá. “Meu objetivo era narrar a história pessoal de repúdio de Verger, mas também a história coletiva de libertação dos afrodescendentes.”

Folha

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