Mulheres do Brasil, um grupo que muda destinos e gera

Mulheres do Brasil, um grupo que muda destinos e gera orgulho – 13/11/2025 – Djamila Ribeiro

Celebridades Cultura

Nesta última semana, no Consulado-Universal do Brasil em Boston, participei do evento “Mulheres que Inspiram”, promovido pelo Grupo Mulheres do Brasil. Dividi a mesa com dona Luiza Helena Trajano, e é sempre uma experiência privativo testemunhar, ao vivo, a potência que ela ajudou a edificar.

O evento estava lotado e foi sincero com a fala do cônsul-geral do Brasil na cidade, Santiago Mourão, que destacou iniciativas fundamentais que o consulado tem desenvolvido no guarida e encaminhamento de mulheres vítimas de violência. A comunidade brasileira em Massachusetts é uma das maiores do mundo: estima-se que vivam tapume de 400 milénio brasileiros na região atendida por aquele corpo consular.

Nesse contexto, não surpreende que o auditório estivesse repleto também de integrantes do Grupo Mulheres do Brasil, cuja presença se faz notar onde quer que haja brasileiras organizadas em torno de causas coletivas.

Uma vez que disse naquele dia —e repito sempre que encontro uma delas, o que ocorre com frequência em qualquer latitude deste planeta—, o Grupo Mulheres do Brasil já domina o mundo. Em diversas cidades em que estive, lá estavam elas: firmes e fortes, organizadas, acolhendo, puxando taxa, estruturando comunidade.

Cá nos Estados Unidos, quando fiz a turnê de lançamento da edição traduzida do meu livro “Lugar de Fala” (“Where We Stand”), a experiência não teria sido metade da que foi se não fosse a força dessas grandes mulheres. Nos bastidores de cada evento, são elas que apoiam a programação, marcam presença, ajudam na logística, criam redes de zelo e solidariedade. Em cada cidade em que fui abraçada pelas Mulheres do Brasil, conheci companheiras de jornada.

Nos palcos do exterior, elas fortalecem a presença do Brasil. Nos palcos brasileiros, lutam por políticas públicas de inclusão de mulheres no poder público e privado. Detrás das cortinas, sustentam uma comunidade em que mulheres se fortalecem mutuamente, constroem projetos, acolhem vítimas de violência doméstica e seguram umas às outras para que ninguém fique para trás.

São mais de 130 milénio mulheres em todas as regiões do Brasil e em dezenas de países. São núcleos de trabalho que vão da instrução à paridade racial, do empreendedorismo ao combate à violência, das políticas públicas à saúde mental. Sou uma admiradora da garra dessa mulherada organizada, que muda destinos e representa, com legitimidade, um orgulho brasílico.

A liderança de Luiza Trajano, empresária que construiu um dos maiores e mais tecnológicos conglomerados do país, se mede pela capacidade de organizar pessoas em torno de um projeto coletivo —e pela sua presença encantadora.

Neste ano, participamos de mais eventos juntas do que conseguimos enumerar, mas me lembro muito da primeira vez em que dividimos uma mesa. Foi numa formatura de uma universidade privada, em 2017, em que fomos homenageadas. O evento atrasou e eu não tinha com quem deixar minha filha em vivenda. Eu havia completo de me divorciar e me mudar de cidade, minha filha ainda era pequena, estava atravessando aquela situação de separação dos pais e estava achando aquilo tudo um saco.

Luiza não precisava, mas ficou comigo e com minha filha, fazendo companhia, sem se incomodar com os pedidos da pré-adolescente para irmos embora para vivenda. Com sua sabedoria, foi conduzindo a conversa de um modo que me fortaleceu e cortou a manha. Eu, uma mãe que sempre saiu para trabalhar, recebi o espeque de que precisava para aquele momento e aprendi o repertório para aquela situação que era muito novidade para mim.

A rede de espeque do Grupo Mulheres do Brasil reflete exatamente essa cumplicidade. Muitas mulheres chegam fragilizadas ou estão tentando se apropriar à verdade de um novo país ou cidade, às vezes sem saber ninguém. E é ali, nesse primeiro gesto de guarida, que a mágica acontece: uma mensagem, um invitação para o encontro, uma escuta atenta. O que começa porquê uma rede de contatos se transforma em laço de pertencimento. Em um mundo em que a solidão é regra, elas insistem na construção de comunidade. Em um país que historicamente empurra mulheres para a periferia dos espaços de decisão, elas criam seus próprios espaços e os ocupam com cultura.

Na sua mediação no consulado, dona Luiza contou que tem lançado uma campanha por onde passa, desencorajando brasileiros e brasileiras a falarem mal do Brasil na presença de estrangeiros. Para quem é de fora, a proposta pode tanger esquisita. Mas quem conhece a nossa velha síndrome de vira-lata sabe o quanto essa campanha é bem-vinda.

Pois temos muito de que nos orgulhar e precisamos valorizar lideranças que, a seu exemplo e porquê o de todo o grupo, assumem a missão de declarar seu país e o porvir.


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Folha

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