Mulheres resgatam arte marajoara e buscam espaço no mercado da

Mulheres resgatam arte marajoara e buscam espaço no mercado da moda

Brasil

Em uma moradia pequena, com paredes ainda no reboco, mora e trabalha Dona Cruz, de 77 anos. A vida simples em Soure, município da Ilhota de Marajó, no Pará, contrasta com o tipo de roupa que ela confecciona todos os dias: um traje de gala marajoara.

A peça, geralmente uma camisa de botão, é voltada para ocasiões especiais, porquê festas. A depender da dificuldade, pode levar de um a três dias para ser produzida. Cada uma é feita à mão em tecido de algodão, e tem fitas bordadas com risca, que seguem grafismos inspirados em cerâmicas indígenas antigas.

Entre os consumidores frequentes, há autoridades políticas e fazendeiros. Depois que o governador do estado, Helder Barbalho (MDB), usou o traje confeccionado por Dona Cruz na Cúpula da Amazônia em 2023, a procura pela vestimenta cresceu.

A modista trabalha sob encomenda e manda via Correios os produtos para diversos lugares do país, porquê Brasília, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

 


Soure (PA), 09/010/2025 - A bordadeira Maria da Cruz mostra o pequeno ateliê onde produz peças reconhecidas nacionalmente. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Soure (PA), 09/010/2025 - A bordadeira Maria da Cruz mostra o pequeno ateliê onde produz peças reconhecidas nacionalmente. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Soure (PA), 09/010/2025 – A bordadeira Maria da Cruz mostra o pequeno ateliê onde produz peças reconhecidas nacionalmente. Foto: Marcelo Camargo/Escritório Brasil – Marcelo Camargo/Escritório Brasil

Tanta repercussão ainda não foi revertida em uma melhoria significativa das condições de vida da Dona Cruz, já que os ganhos financeiros são modestos.

“Geralmente, o que eu proveito da venda das camisas, eu gasto na compra de novos materiais. Para quando o cliente chegar, ter sempre um tanto disponível. Eu trabalho por conta própria, sem empréstimos. E o verba da aposentadoria fica para as despesas da moradia”, explica a modista.

“Os valores de cada roupa dependem do tamanho. Se tem manga curta ou longa, se é P ou G. Logo, ela pode custar entre 290 e 410 reais”. O mercê evidente foi a possibilidade de se manter ativa e obter novos conhecimentos.

“Trabalhava porquê inspetora de escola e depois me aposentei. Quando fiquei viúva, para não permanecer sem fazer zero, eu me dediquei às camisas. É bom para manter a cabeça ocupada e não permanecer pensando em outras coisas, né?”, diz a modista.

Entre as poucas ajudas que Dona Cruz recebeu estão uma máquina de costura industrial, a partir de uma parceria entre a prefeitura de Soure e o governo do estado.

Ou por outra, recebeu um conjunto de orientações do Serviço Brasílio de Pedestal às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), no contextura do programa Polo de Voga do Marajó. Aprendeu sobre formação de preço e estratégias de venda, melhoria na apresentação dos produtos (porquê uso de embalagens adequadas) e porquê acessar novos mercados.

“O Polo de Voga do Marajó tem transformado a vida das participantes ao gerar oportunidades de renda, resgatar saberes tradicionais e fortalecer a autoestima das mulheres envolvidas. Ao profissionalizar a produção, estimular o empreendedorismo e conectar essas artesãs e costureiras a novos mercados, o Polo promove inclusão produtiva, autonomia econômica e valorização cultural”, diz Renata Rodrigues, gerente do Sebrae no Marajó.

No término de outubro, Dona Cruz vai compartilhar os conhecimentos com outras pessoas da ilhota. Ela vai ministrar um curso de camisaria marajoara pelo Sebrae, o que pode ajudar a manter viva uma técnica de bordado que poucos dominam. O professor que a ensinou, divulgado porquê Baiano, morreu em decorrência da covid-19 durante a pandemia. Das dez alunas que ele tinha, somente Dona Cruz concluiu o curso.

Tradição e sustento

Da cerâmica antigo à passarela contemporânea, a arte marajoara ganha novas formas pelas mãos da quilombola Rosilda Angelim, de 56 anos, artesã e modista de Salvaterra, município da ilhota de Marajó.


Soure (PA), 09/010/2025 - A empreendedora quilombola Rosilda Angelim. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Soure (PA), 09/010/2025 - A empreendedora quilombola Rosilda Angelim. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Soure (PA), 09/010/2025 – A empreendedora quilombola Rosilda Angelim. Foto: Marcelo Camargo/Escritório Brasil – Marcelo Camargo/Escritório Brasil

Antes de viver da arte, ela trabalhou porquê professora e funcionária pública. Em seguida perder o tarefa, enfrentou dificuldades financeiras e depressão, até desvendar na costura uma novidade chance.

“Foi porquê um empurrão. Eu comecei na costura há uns 30 anos, mas há 16 me encontrei de verdade no grafismo marajoara”, conta a artesã.

“O meu objetivo é publicar a minha cultura. Quero que o mundo conheça o Marajó”.

Hoje, Rosilda lidera um ateliê com seis pessoas e produz roupas e acessórios que unem voga e identidade amazônica. Suas criações são vendidas em lojas de Belém e atraem compradores de outras regiões do país.

A sustentabilidade também é secção médio do trabalho. O ateliê utiliza tecidos 100% algodão e reaproveita sobras de material.

“Zero fica parado. O que sobra, a gente doa para mulheres que fazem tapetes e outros artesanatos. É bom para o meio envolvente e ajuda famílias”, explica Rosilda.

Com a proximidade da 30º Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), em Belém, a expectativa é de aumento na produção.

“A gente tem que confiar que a COP vem trazer coisa boa. Não só para o clima, mas para a cultura em universal, nossa culinária, nosso artesanato, nossa biojoia. A gente vai se agarrando nisso e preparando um volume maior de peças para o período. O meu objetivo é lucrar verba, simples, não quero ser hipócrita, mas também quero publicar a minha cultura para todos”, diz a artesã.

Marca autoral

Professora de gálico que virou modista e empreendedora. Essa é a história de Glauciane Pinho, de 40 anos, que entrou no curso de costura industrial, “sem nunca ter tocado numa máquina”. A proposta do projeto era voltada para pessoas com experiência, mas algumas vagas foram abertas para iniciantes — e foi logo que ela desenvolveu a novidade habilidade.

“Eu estava desempregada, passando por um momento emocional difícil. Entrei mais para me distrair, mas acabei me encontrando na costura”, relembra Glauciane.

A partir daí, o interesse por estamparia e geração de coleções cresceu. Com pedestal do marido, que lhe presenteou com duas máquinas, ela montou um pequeno ateliê no quarto de moradia e lançou a marca Mang Marajó.


Soure (PA), 09/010/2025 -  A empreendedora Glauciane Pinheiro  Lima produz estampas originais da moda marajoara no Espaço Mang.  Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Soure (PA), 09/010/2025 -  A empreendedora Glauciane Pinheiro  Lima produz estampas originais da moda marajoara no Espaço Mang.  Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Soure (PA), 09/010/2025 – A empreendedora Glauciane Pinho Lima produz estampas originais da voga marajoara no Espaço Mang. Foto: Marcelo Camargo/Escritório Brasil – Marcelo Camargo/Escritório Brasil

A empreendedora começou a produzir roupas com estampas autorais e bordados, secção feitos por famílias e grupos terceirizados da região. Hoje, ela vê no turismo lugar uma oportunidade concreta de prolongamento.

“Desde que começaram os preparativos para a COP30, a cidade está dissemelhante. Tem mais movimento, mais turistas. Eu recebo gente todos os dias, até de noite ou aos domingos”, relata Glauciane.

“A gente acredita que o turismo pode sustentar o Marajó. E eu quero viver disso, da cultura e da arte”.

A esperança generalidade daqueles que vivem de voga no Marajó é que novembro seja um ponto de viradela para o setor no Pará, com maior visibilidade e mais investimentos públicos.

“Os principais desafios ainda são o aproximação restringido a equipamentos modernos, capacitações técnicas continuadas, canais de comercialização e financiamento. Para alavancar a situação dessas mulheres, é necessário fortalecer as parcerias institucionais, ampliar o aproximação a mercados (digitais e físicos), investir em formação empreendedora e prometer políticas públicas que sustentem esse processo de desenvolvimento lugar com identidade”, explica a diretora do Sebrae, Renata Rodrigues.

*A equipe de reportagem da Escritório Brasil viajou a invitação do Sebrae.

 

Fonte EBC

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