Museu do Recôncavo reabre e reflete passado escravocrata 23/11/2025

Museu do Recôncavo reabre e reflete passado escravocrata – 23/11/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Quem vem pelo mar vê o casarão imponente nas margens da Enseada de Caboto, na baía de Todos-os-Santos, símbolo de da opulência colonial que se construiu em cima da exploração e de contradições.

Por terreno, o ziguezague das vias cercadas por uma vegetação rasteira remonta aos antigos canaviais, base da produção de riqueza de um Brasil que tinha o Nordeste porquê núcleo político e econômico.

Instalado em um casarão colonial com 55 cômodos, o Museu do Recôncavo Wanderley Pinho, em Candeias, a 50 quilômetros de Salvador, será reaberto até dezembro com a proposta de debater o pretérito escravocrata do país e a meta de se tornar um dos principais equipamentos culturais da Bahia.

Com as portas fechadas há 25 anos, o museu fica na sede do velho Talento Freguesia, um dos primeiros engenhos de produção de açúcar do Brasil, criado no século 16. O conjunto arquitetônico é do século 18 e inclui a antiga Vivenda Grande e a capela de Nossa Senhora da Piedade.

“Será museu que contará a história da escravidão de indígenas e negros no Recôncavo baiano a partir da ótica dos escravizados”, afirma Bruno Monteiro, secretário de Cultura da Bahia.

A história do Talento Freguesia se confunde com a do próprio Recôncavo, região com 33 municípios no entorno da baía de Todos-os-Santos que possui possante influência das culturas indígena e afro-brasileira.

O talento foi levantado no século 16 em uma sesmaria cedida a Sebastião Álvares em seguida uma guerra contra indígenas tupinambás. Foi incendiado durante a invasão holandesa, depois foi restaurado e viveu seu auge no século 19.

A produção de açúcar foi encerrada em 1899, mas o conjunto arquitetônico foi tombado em 1944. O casarão foi transformado em um museu em 1971, mas estava fechado desde 2000 por problemas estruturais.

A restauração do multíplice foi iniciada em 2018 e custou R$ 42 milhões em recursos do Prodetur, o Programa Regional de Desenvolvimento do Turismo. Além da recuperação das edificações históricas, foi construído um píer para permitir o aproximação dos visitantes pelo mar.

Com a desfecho das obras em 2022, o passo seguinte foi definir a concepção artística do museu, aproveitando seu montão, que continha 260 peças e achados arqueológicos ligados ao ciclo do açúcar.

A exposição permanente é dividida em cinco núcleos, cuja visitante guiada segue uma ordem específica. O primeiro é o histórico, que apresenta uma risco desde o Brasil colonial, destacando marcos no Recôncavo baiano.

O segundo espaço é devotado aos povos originários e reúne fotografias, vídeos e intervenções artísticas, com destaque para os tupinambás que ocupavam aquela região antes da dominação portuguesa.

Na sequência, o visitante poderá conferir o núcleo dos povos escravizados, que exibe documentos e manuscritos digitalizados do poeta Castro Alves, incluindo trecho do poema Navio Negreiro, de 1868.

O núcleo doméstico apresenta mobiliários, retratos e pinturas do período colônia. Eles são apresentados não porquê uma representação de uma antiga Vivenda Grande, mas estão dispostos por tipos de materiais. “A gente não queria mostrar a moradia do colonizador, do possessor do talento, mas sobresair o trabalho feito pelas pessoas naquela moradia, porquê os marceneiros e carpinteiros”, afirma Daniela Steele, coordenadora do museu.

A cozinha do velho casarão, sem janelas e com um conjunto de fornos a lenha, reflete a vivência dos escravizados que ali trabalhavam.

Por termo, a exposição tem um núcleo da memória que apresenta objetos de tortura e tortura, dispostos em estruturas de madeira no soalho. Os equipamentos formam a chamada sala do silêncio e são um invitação à reflexão.

O trajectória completo de visitação pode porfiar de duas a três horas. Além da exposição permanente, o casarão também terá um espaço talhado a vestígios de arte temporárias sob gestão do Ipac, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia.

A reabertura vai homiziar a exposição “Encruzilhadas”, com obras com temáticas da cultura afro-baiana de 40 artistas, incluindo nomes porquê Rabino Didi, Emanoel Araújo, Pierre Verger, Rubem Valentim, Juarez Paraíso e Arlete Soares.

As obras fazem secção dos acervos do Museu de Arte Moderna da Bahia e do Solar Ferrão. Pela dificuldade logística de aproximação, a teoria é que o espaço abrigue exposições temporárias mais longas.

O espaço também deve sediar residências artísticas, oficinas e atividades com moradores da região, que abriga famílias quilombolas, pescadores e marisqueiras de Caboto e da Ilhéu de Maré. A teoria é manter o equipamento próximo da dinâmica da comunidade sítio, diz Monteiro.

“É um espaço muito incorporado à cultura sítio. Por exemplo, o cemitério do Caboto fica incluído numa extensão vizinha ao museu. Os cortejos fúnebres da comunidade passam pelo museu. Por isso é uma costura sempre delicada.”

Folha

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *