Obras De Artistas Negros Brasileiros Voltam Para O Brasil

Museu na BA repatria mais de 600 obras de artistas negros – 27/01/2026 – Ilustrada

Celebridades Cultura

O Muncab (Museu Pátrio da Cultura Afro-Brasileira), no meio histórico de Salvador, recebeu em janeiro um ror com 666 peças de artistas afro-brasileiros nesta que já é considerada a maior repatriação de obras de arte da história do Brasil.

As obras integravam o ror Con/vida, coleção privada com obras de artistas do Nordeste brasiliano organizada ao longo de três décadas pela artista plástica Bárbara Cervenka e a historiadora da arte Marion Jackson, ambas americanas.

O conjunto abrange artistas de diferentes gerações e linguagens artísticas da produção afro-brasileira, com peças de 135 artistas, sendo 93 afro-brasileiros. Entre eles estão nomes porquê J. Cunha, Goya Lopes, Zé Adário, Lena da Bahia, Raimundo Bida, Sol Bahia e Manoel Bonfim.

O ror foi apresentado nesta segunda-feira (25), em Salvador, em solenidade com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes, que celebrou a repatriação das peças porquê um marco para a memória cultural negra no país.

“Estamos falando de uma ação de repatriação histórica, que dá visibilidade à memória e ao legado de artistas brasileiros, em próprio artistas afro-brasileiros que muitas vezes estavam esquecidos e negligenciados pela arte hegemônica”, afirmou a ministra.

A repatriação reafirma a política do governo federalista, por meio dos ministérios da Cultura e das Relações Exteriores, de identificar bens culturais em posse de museus estrangeiros e governos de outros países que possam ser repatriados.

Foi o caso de um dos mantos do povo Tupinambá, que estava há três séculos em Copenhague, e foi doado pela Dinamarca. A peça chegou ao Brasil em julho de 2024 e passou a integrar o novo ror do Museu Pátrio, no Rio de Janeiro.

“Buscamos evitar a judicialização. Tentamos acordos com os museus e com os governos e conseguir que as próprias entidades estrangeiras doem de volta esses bens culturais brasileiros”, afirmou o legado Laudemar Aguiar, do Ministério das Relações Exteriores.

O ror Con/vida foi construído por meio de dezenas de viagens de Bárbara Cervenka e Marion Jackson para o Nordeste brasiliano a partir de 1992. As obras foram majoritariamente adquiridas com os próprios artistas.

Desde portanto, as peças foram exibidas em museus dos Estados Unidos e Canadá. A exposição mais ambiciosa, batizada de “Bandidos e Heróis, Poetas e Santos: Artes Populares do Nordeste do Brasil”, percorreu 23 museus dos Estados Unidos ao longo de sete anos.

Bárbara Cervenka e Marion Jackson enviaram uma missiva que foi lida nesta segunda-feira na cerimônia de apresentação do ror em Salvador. Elas relembraram o fascínio que sentiram ao saber “a cultura rica e um do Nordeste do Brasil” e justificaram a decisão de enviar as obras para o Brasil.

“Com o passar do tempo e à medida que nos aproximávamos da aposentadoria, sentimos que a coleção deveria retornar a um lar permanente, onde poderá ser visto, estudado e respeitado em seu próprio país, por sua própria gente”, afirmaram.

As obras chegaram a Salvador no dia 12 de janeiro, depois um multíplice processo logístico internacional, que envolveu embalagem especializada, adequação às normas de conservação museológica, trâmites alfandegários e transporte técnico especializado.

Desde portanto, o ror tem pretérito por procedimentos técnicos de museologia, porquê laudagem e conservação preventiva. As peças incluem pinturas, esculturas, fotografias, xilogravuras, arte sacra, gravuras, ferramentas e estampas.

A expectativa é de que as obras repatriadas sejam expostas ao público no museu em uma exposição prevista para março. Também há conversas em curso para que a exposição e as peças do ror circulem por outros museus, explica Cintia Maria, diretora do Muncab.

O Muncab foi criado em 2011 em iniciativa da Amafro (Sociedade Amigos da Cultura Afro-Brasileira), que reunia nomes porquê o poeta José Carlos Capinan, o artista plástico Emanoel Araújo, os historiadores Ubiratan Castro e Jaime Sodré, e os advogados Carlinhos Marighella e Antonio Menezes.

Capinan esteve primeiro do museu até 2022, quando se afastou por problemas de saúde e passou o cajado para a gestão de Cintia Maria e Jamile Coelho, que começaram no Muncab porquê voluntárias.

Posteriormente três anos fechado, o Muncab, foi reaberto ao público em novembro de 2023, no mês da Consciência Negra, abrigando a exposição coletiva “Um Defeito de Cor”, baseada no livro homônimo de Ana Maria Gonçalves.

Folha

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *