'Não há debate sobre boicotar a Copa do Mundo', diz

‘Não há debate sobre boicotar a Copa do Mundo’, diz federação alemã – 26/01/2026 – Esporte

Esporte

A Alemanha precisa “pensar e discutir concretamente” um boicote à Despensa do Mundo de Donald Trump, declarou na semana passada um vice-presidente da DFB, a federação de futebol do país. Nesta segunda-feira (26), o presidente da federação declarou que “não há um debate” sobre o tópico.

Propagada por personalidades e políticos em redes sociais em reação às bravatas do presidente americano sobre apensar a Groenlândia, na semana passada, a teoria de reivindicar contra o presidente americano permeou uma entrevista de Oke Göttlich, presidente do St.Pauli, à véspera do clássico contra o Hamburgo, na semana passada.

Ex-jornalista, produtor músico e dirigente do time mais peculiar da Alemanha, Göttlich já havia se manifestado sobre o tópico em redes sociais, perguntando se as seleções europeias deveriam participar de um torneio “em um país que está atacando a Europa indiretamente e daqui a pouco diretamente”.

“O colega ainda não está conosco há muito tempo”, declarou Bernd Neuendorf, presidente da DFB, o função sumo do futebol teutónico, em um pito público no subordinado. “Uma vez que regra universal, discutimos esses assuntos primeiro nos comitês e depois formamos nossa opinião. Infelizmente, ele se precipitou.”

Göttlich está na federação desde o termo do ano pretérito. Ele é um dos representantes da Bundesliga, a liga profissional do país, na entidade. A questão hierarquica não o impediu de criticar a DFB por se manter “silenciosa, quase sem palavras”, diante das reiteradas ameaças de Trump aos países europeus, de tarifas comerciais à invasão do espaço territorial dinamarquês.

De trajo, a primeira sintoma de Neuendorf sobre o tópico ocorreu unicamente nesta segunda-feira, quando participou de um evento público e foi provocado pelos jornalistas. Desde a semana passada, a federação vinha ignorando pedidos de comentários sobre um eventual boicote, inclusive da Folha.

O tópico chegou a provocar uma reação do governo Friedrich Merz, que empurrou o problema de volta para a DFB. Na França, a ministra de Esportes e da Juventude, Marina Ferrari, não escapou do tópico, declarando-se contra. “Sou alguém que acredita em manter o esporte separado [da política]. A Despensa do Mundo é um momento extremamente importante para aqueles que amam o esporte.”

Neuendorf foi por caminho parecido. “Acredito que cada torcedor deve sentenciar isso por si mesmo. Temos da FIFA o número de pessoas que adquiriram ingressos para esta Despensa do Mundo. Os alemães estão entre os primeiros”, contou. “Cada um pode calcular por si mesmo [a questão].”

Recorrer para a procura de ingressos também foi a estratégia de Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante visitante ao Brasil. Para ele, Copas do Mundo “unem as pessoas”.

Dias antes, Göttlich pedia uma reflexão também de outras federações europeias, sugerindo que a Uefa, a confederação que rege o futebol no continente, poderia organizar um torneio paralelo entre as seleções que aderissem ao boicote. Para o cartola do St.Pauli, Trump é um transe maior, sem verificação com Qatar, sede do Mundial de 2022, ou Arábia Saudita, que receberá o torneio de 2034, países associados a violações de direitos humanos.

Ainda que tenham atitudes reprováveis, “pelo menos não emitiram ameaças ou ataques abertos contra a Europa”, justificou Göttlich, afeito a sustentar posições firmes adiante de seu clube, símbolo de embates políticos e sociais.

O St.Pauli, que prevê em seu regime a resguardo da “responsabilidade social” e “os interesses de seus sócios, empregados, torcedores e voluntários para além da esfera esportiva”, sustenta francamente bandeiras da esquerda, porquê a proteção a refugiados e direitos da comunidade LGBT.

Talvez seja o único time profissional do mundo que já teve as cores do arco-íris estampadas no próprio uniforme e em bandeira no estádio. Subiu da segunda ramificação há duas temporadas e frequenta a zona do rebaixamento, esgrimindo um orçamento modesto, pois recusa investidores de “capital suspeito”.

“A vida de um jogador de futebol profissional não é mais importante do que a vida de muitas pessoas, em diferentes regiões, que estão sendo atacadas ou ameaçadas direta ou indiretamente pelo anfitrião da Despensa”, disse Göttlich, ao jornal Hamburger Morgenpost, quando indagado se um boicote seria justo com seus jogadores.

O St.Pauli tem ao menos três atletas com esperanças de ir ao Mundial, os australianos Jackson Irvine e Connor Metcalfe e o nipónico Joel Chima Fujita. Por enquanto, objetivo que só depende deles em campo.

Folha

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *