Ney matogrosso estreia em trilha para espetáculo de dança

Ney Matogrosso estreia em trilha para espetáculo de dança – 01/08/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Ney Matogrosso ficou surpreso ao receber do coreógrafo Alex Neoral o invitação para interpretar músicas para o espetáculo “Entre a Pele e a Psique”, da Focus Cia de Dança. O cantor nunca havia feito isso, porém, resolveu aventurar e aceitou a participação próprio.

“Gostei muito do resultado”, afirma Ney, referindo-se mormente às quatro letras e arranjos dos músicos Sacha Amback e Paula Raia.

A aproximação começou em 2012, quando Neoral, diretor do grupo de dança contemporânea, coreografou o músico “Cazuza – Pro Dia Nascer Feliz”, sobre o cantor e compositor com quem Ney viveu uma relação intensa. Os dois foram apresentados e a teoria de parceria avançou em 2021, depois Ney presenciar “Vinte”, espetáculo da Focus inspirado na escritora Clarice Lispector.

“Entre a Pele e a Psique”, em edital até leste domingo (3) no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, é uma superprodução em dois atos que tem porquê referência o tríptico “Jardim das Delícias Terrenas”, de Hieronymus Bosch. A montagem faz secção da programação da Circulação Petrobras Focus 25 anos.

“Não é uma biografia do Ney, não é um espetáculo que é um documentário, não tem zero a ver com a vida dele”, diz o coreógrafo. O viés é outro. A conexão ocorre entre o corpo liberto e sem pudores do artista com as delícias da obra de Bosch.

“Toda sintoma artística me interessa”, diz o cantor, publicado por suas coreografias sensuais no palco e também por projetos de iluminação, participações em obras porquê ator e, evidente, pela voz impecável aos 84 anos.

Ele conta que começou a testar os efeitos corporais da música quando participou do coro da peça “A Viagem”, baseada na poema “Os Lusíadas”, no Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, na dezena de 1970.

“Pensei em porquê meu corpo corresponderia ao que estava ouvindo. Descobri que era provável”, recorda.

Chegou a fazer uma lição com o bailarino e coreógrafo Lennie Dale, mas percebeu que, para ele, a dança é livre, sem técnicas e regras. “Dali pra frente, toquei o meu navio sozinho”.

“É um corpo mais primitivo, mais bicho, mais instintivo. Busquei com meus bailarinos trazer esse lado mais visceral”, diz Neoral, sobre a inspiração artística.

Essas características aparecem também no cenário, com tecidos pendurados porquê se fossem vísceras, e no figurino, com momentos em que os músculos estão à mostra, em uma referência ao título da montagem, entre a pele e a psique.

“Embora pareça um nome muito frágil e sensível, é a músculos. É o lado mais lascivo, mais bicho que o espetáculo provoca”, diz o coreógrafo.

As músicas cantadas por Ney foram compostas mormente para “Entre a Pele e a Psique”. Elas fazem secção do EP “Pássaro Branco”, lançado em junho.

O espetáculo estreou no ano pretérito, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com elenco de dez artistas em cena. No roteiro, que evoca os sete pecados capitais, aparecem dilemas ancestrais, porquê o recta ao prazer.

“Deus surge nos trejeitos e até em figurinos inspirados em Ney Matogrosso. Ele é o nosso Deus por tudo o que simboliza”, afirma Neoral.

Uma das inspirações é a frase corporal do cantor quando ele canta “Sangue Latino”. Há referências também ao figurino, porquê uma saia de franjas e uma calça prateada.

Os 75 minutos de dança incluem aspectos do Carnaval, números solos e aéreos e nudez parcial.

“É lindo contemplar o corpo íntegro e pleno dos bailarinos ao longo da coreografia, ora sem figurinos, porque é secção da natureza do que nós somos e de extrema venustidade”, declara Ney.

O coreógrafo já criou outros espetáculos inspirados em grandes artistas, porquê “As Canções que Você Dançou para Mim”, com músicas de Roberto Carlos, prestes a completar 400 apresentações; “Saudade de Mim”, que combina a obra de Cândido Portinari à música de Chico Buarque; e a recente “Carlota: Focus Dança Piazzolla”, com 11 composições do prateado Astor Piazzolla.

“É qualquer interesse meu com aquele artista, é alguma afinidade, um tanto que eu enxergue, que eu possa misturar com a minha arte e transformar em um tanto novo”, diz Neoral sobre o processo de geração.

Ney vive uma período de grande repercussão em torno de sua vida, principalmente por justificação do filme “Varão com H”, de Esmir Fruto, em que é interpretado por Jesuíta Barbosa.

Ele não para de receber mensagens e comentários sobre a obra, muitas vindas de outros países, onde o filme é exibido. Tem uma resposta afiada para quem critica as cenas de nudez, uso de drogas e sexo em grupo. “Só quem não sabe porquê era a dezena de 1970 é que reclama. Era logo que a gente vivia”.

O artista está envolvido com outra novidade em sua trajetória, a homenagem da Imperatriz Leopoldinense no Carnaval de 2026.

Ele queria desfilar à paisana, com uma roupa branca, mas foi convicto pelo carnavalesco Leandro Vieira sobre a premência de mais clarão. Portanto, sugeriu um figurino de mestre-sala, simples e bonito.

“Me convidam desde a dezena de 1970 —para ser enredo—, mas esse ano não sei o que deu em mim que estou aceitando tudo”, diverte-se.

Folha

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