De quantas formas a personagem Glória sofre violência em “Nó”? O filme, o primeiro dos seis longas de ficção que estão em competição no 53º Festival de Cinema de Gramado, foi exibido no início da noite deste sábado (16), no Palácio dos Festivais.
Mãe de três crianças, em processo de separação de “uma quarta” (o ex-marido), trabalhadora em fábrica na periferia de Curitiba, ela precisa trocar as horas extras para comparecer a uma audiência de guarda das meninas.
Interpretada de forma potente —a vocábulo mais usada no festival para descrever papéis, amizades, filmes, pessoas— por Patricia Saravy, Glória ainda precisa disputar um missão com a melhor amiga, cozinhar para as crianças posteriormente o dia fora e ver o ex-marido fazer campana na frente da fábrica.
Mas as violências cotidianas não são explicitadas no longa de estreia de Laís Melo, que prefere uma obra celebrando uma estética da honra, na qual palavras uma vez que desvelo e afeto não exclusivamente importam, mas fazem segmento do processo todo.
“Nossa risco tem sido falar desse violento sem necessariamente mostrar essas imagens”, disse a diretora, na coletiva de prensa que aconteceu na manhã deste domingo (17).
“No curta anterior, ‘Tentei’, a cena que revela a violência é o primeiro projecto do filme, em que a gente vê dois corpos e uma maneira em que a câmera se posiciona de uma maneira igual entre eles. Porém, a forma uma vez que cada um está exposto diante da câmera mostra o que aconteceu previamente e uma vez que cada um está sentindo e a narrativa segue dali. Logo, há caminhos possíveis e a gente tem feito algumas escolhas em relação a isso”, afirmou.
Questionada se, ao não expor o sofrimento da pessoa, não se correria o risco de minuir a mensagem que está por trás, Melo admite que não tem uma resposta clara em mãos. “A gente labareda nosso processo de estudo também. Não estamos inaugurando isso, tem muita gente se debruçando sobre pensar esses cuidados no treino de denúncias e anúncios a partir do cinema.”
Segundo a diretora de arte de “Nó”, Bea Gerolin, é importante incluir o testemunha na equação. “Para quem é o filme e quem são as pessoas que a gente quer inferir?”, pergunta ela. “Para corpos que são violentados no cotidiano, ver alguns tipos de imagem é uma repetição do que a gente vive, do que ouve das nossas amigas, das nossas mães, tias, irmãs.”
Já a atriz trans Fernanda Silva deu seu ponto de vista sobre a violência que transcende as telas. “Ao sabermos que temos a estatística mundial do maior número de assassinatos de mulheres trans, estou tão exaurida de a minha honra ser usurpada, do momento em que eu negócio até quando eu vou dormir, diuturnamente… Não é porque sou do Piauí, isso me aconteceu em Paris também, as pessoas acham que têm o recta de barrar minha existência. E eu uma vez que espectadora, uma vez que público do filme, eu pensei nessas milhares, quem sabe milhões, de pessoas que verão esse filme —eu sou ambiciosa, por que não?— e verão esses corpos, felizes, plenos, vivos e humanizados.”
“Milagre” é a vocábulo que resume “Nó”, segundo o produtor Antonio Gonçalves Junior, que custou exclusivamente R$ 1,2 milhão e chegou à competição em Gramado.
O sábado também viu primeiro incidente de uma novidade série da HBO que irá estrear e, 31/8. Trata-se de “Máscaras de Oxigênio Não Cairão Maquinalmente’, de Marcelo Gomes e Carol Minêm, com tradução, me desculpe, potente, ou melhor, potentíssima para ser sincero, de Johnny Massaro, no papel de um comissário de bordo gay que contrai HIV.
A produção, que traz ainda Bruna Linzmeyer, Ícaro Silva e Igor Fernandez, retrata a epidemia da Aids no Brasil dos anos 1980, acompanhando um grupo de comissários que contrabandeia AZT do exterior, formando uma rede de solidariedade diante da ineficiência governamental em importar o remédio.
Na mesma noite, porém em outro sítio, o filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Rebento, recebeu dois grandes prêmios no 29º Festival de Cine de Lima, no Peru.
Foi eleito melhor filme tanto pelo júri solene uma vez que pelo júri da sátira internacional. No proclamação na cerimônia, o júri solene divulgou a justificativa. “Pelo impacto visual, sonoro, autoral e de imagem de produção que incorpora de forma sumptuoso elementos de gêneros inesperados, iluminando tempos traumáticos da história política e social do Brasil, o júri outorga por unanimidade o prêmio de melhor filme.”
O jornalista viajou a invitação do Festival de Gramado
