Rodrigo Oliveira e Gabriel Diniz.
Divulgação/ Pedro Lacerda
🎶 De uma mensagem despretensiosa nas redes sociais a trilha de desfiles e festas lotadas pelo Brasil. Foi logo que nasceu o CyberKills, dupla de música eletrônica experimental formada por Gabriel Diniz e Rodrigo Oliveira, ambos de 30 anos, que hoje vive em São Paulo e roda o país produzindo batidas pesadas, remixes caóticos (no melhor sentido) e parcerias com nomes porquê Pabllo Vittar, Jup do Bairro e Irmãs de Pau.
Amigos desde 2018 — quando se conectaram por culpa da Lady Gaga —, eles começaram a produzir juntos pela internet, mesmo morando em cidades diferentes. O projeto ganhou forma, nome e força durante a pandemia, e agora ocupa as pistas da cena underground com um som que mistura fragor eletrônico, funk, distorção e muita personalidade.
E tem oferecido notório: os dois largaram a publicidade para viver exclusivamente de música. Além de seus próprios lançamentos, produzem faixas para outros artistas, trilha de campanhas publicitárias e até de desfiles de voga.
O CyberKills já colaborou com nomes porquê Katy da Voz e As Abusadas, Irmãs de Pau, Jup do Bairro e Pabllo Vittar — e já tocaram com Charli xcx.
A partir desta semana, o g1 SP apresenta o projeto NOVAS FREQUÊNCIAS, uma série de entrevistas com músicos e produtores de São Paulo que estão explorando gêneros, sons e novas maneiras de gerar música na capital.
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O grande hit da dupla é o remix de Descontrolada, tira presente no disco After, lançado em 2023 por Pabllo Vittar.
“Depois do sucesso de Descontrolada, conseguimos nos organizar financeiramente. No meu caso, deixei a sucursal em que trabalhava e comecei a me destinar exclusivamente à música”, afirma Gabriel.
Se a pergunta é “o que o CyberKills toca?”, a resposta é: fragor! Em suas produções, a dupla mistura batidas pesadas e distorcidas com elementos da música eletrônica clássica — só que em uma versão acelerada. 🚀 Nenhuma música é simples. Cada tira é um verdadeiro caos sonoro calculado.
🎧Para ouvir:
Descontrolada (CyberKills remix) – Pabllo Vittar
Sunga Linda – CyberKills e Bia Soull
Catucada – CyberKills
Eles se conheceram em 2018, antes da pandemia, pela internet.
“Nem lembro exatamente porquê a gente se uniu, mas acho que foi por sermos fãs da Lady Gaga. Naquela era, eu achava que produzir música era um pouco muito inacessível. Eu não tinha o mesmo conhecimento que o Rodrigo tinha. Pensava que só dava para fazer em gravadora, com muito verba envolvido. Mas via que ele postava as próprias produções e comecei a crer que também era provável”, lembra Gabriel.
“Foi logo que mandei uma mensagem pedindo para ele me ensinar algumas coisas. Aí começamos a fazer umas produções juntos, de forma despretensiosa. A gente não tinha nome, não tinha projeto, não tinha zero. Só duas pessoas fazendo som”, completa.
Na era, Gabriel ainda morava em João Pessoa, na Paraíba. Até 2021, produziram a intervalo, até que ele se mudou para São Paulo.
Dupla se conheceu pela internet.
Divulgação/ Pedro Lacerda
“A gente não se conhecia pessoalmente. Os dois depressivos, dentro de mansão, sem nunca se ver. Só fomos nos encontrar de verdade em 2021”, afirma Rodrigo.
Mesmo separados fisicamente, lançaram em 2019 a primeira parceria de destaque: um remix da música Buzina, de Pabllo Vittar. A primeira vez que tocaram juntos foi em Manaus, em uma sarau de Ano Novo da cidade.
“Depois disso, não paramos mais. Estamos viajando o Brasil todo”, diz Rodrigo.
Propagação atrelado à música de rua
Dupla já colaborou com nomes porquê Pabllo Vittar.
Divulgação/ Pedro Lacerda
Assim porquê outros nomes da cena, o prolongamento do CyberKills está diretamente ligado à expansão da cena underground de São Paulo, a música de rua. A dupla marca presença estável em festas e festivais que valorizam a música eletrônica produzida na cidade.
“Acho ótimo estarmos em um momento de quebra da lógica da música mercantil, sabe? Aquela coisa limpinha. A gente faz fragor. E esse fragor é para mostrar a gravadoras, festivais e grandes eventos que não é só a gente, mas uma galera inteira fazendo música mais suja, experimental — e que está conquistando espaço, viajando pra fora. É uma forma de mostrar pra quem tem grana que esse som também tem público”, diz Rodrigo.
A dupla não se prende a definições rígidas sobre o som que faz. Para eles, a proposta é produzir fragor eletrônico com possante influência do funk.
“A gente, de certa forma, segue a escola do funk, que nos influencia bastante. Mas não é nossa intenção ser produtor de funk. Fazemos música eletrônica — e o funk é a música eletrônica brasileira. Portanto, no termo das contas, acabamos fazendo funk também”, explica.
“Percebo que há um prolongamento coletivo da cena, sabe? Às vezes, as pessoas acham que existem poucas oportunidades e encaram isso porquê disputa. Mas não é logo que a gente vê. Quando a Clementaum vence, a gente vence. Quando a gente vence, o Caio Prince vence. Quando o Ramemes vence, todo mundo vence. Porque não somos artistas de gravadora, que têm estrutura e equipe por trás. O que conquistamos é só pela música em si”, observa Gabriel.
Falta de investimento
Uma vez que qualquer artista independente, Gabriel e Rodrigo fazem todo o processo de geração de um som — da produção à distribuição. É justamente na última lanço que encontram as maiores dificuldades.
Hoje, os serviços de streaming porquê Spotify, Apple Music e Deezer são o principal meio de distribuição, mas, segundo eles, as plataformas no Brasil carecem de ferramentas que incentivem e deem visibilidade a novos artistas.
“Lá fora, existe uma preocupação grande dessas plataformas em desenvolver nichos. Vemos artistas, entre aspas, menores do que a gente, com menos ouvintes, mas presentes em playlists enormes, com curadoria editorial. Isso é fundamental para aumentar a visibilidade. Já no Brasil, tem playlist que não é atualizada há mais de um ano. Parece que ainda não perceberam o nosso potencial. É porquê se estivéssemos congelados”, afirma Gabriel.
Mixtape
‘DEDO NO CUE’, mixtape do CyberKills.
Divulgação/ Pedro Lacerda
Depois de sete anos de parceria, o CyberKills lançou sua primeira mixtape voltada para os serviços de streaming: Dedo no Cue, com 17 faixas em colaboração com diversos produtores do Brasil.
O projeto adota uma estética de DJ set, com músicas sem interrupções — a chamada “non-stop”. A proposta é justamente harmonizar esse formato para os serviços de streaming, que ainda não oferecem espaço oportuno para conteúdos mixados porquê os que circulam no SoundCloud.
“A teoria do DJ set é justamente por conta da defasagem das plataformas de streaming nesse universo. O Spotify, por exemplo, dificilmente aceita DJ sets. Portanto, sentimos a premência de gerar um pouco que levasse esse formato para as plataformas. Nosso público estava muito no SoundCloud, ouvindo remixes e sets nossos que nem eram oficiais. Com essa mixtape, a galera finalmente pode ouvir um DJ set nosso de forma contínua nos streamings”, explica Gabriel.
A mixtape reúne colaborações com artistas de várias partes do país e reflete as pistas que a dupla vem ocupando nas festas underground.
O motivo da morosidade para lançar o projeto nos streamings tem raízes diversas.
“Acho que demoramos por várias razões: saúde mental, organização da nossa vida além do CyberKills… também levamos tempo para encontrar nosso som, amadurecer nossa cabeça. Produzimos muita coisa para outros artistas nesses anos, e o foco estava nisso. Queríamos erigir uma comunidade antes de lançar um pouco nosso”, conclui Gabriel.
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Fonte G1
