Novo 'Silvio Santos' mostra que o personagem é infilmável

Novo ‘Silvio Santos’ mostra que o personagem é infilmável – 19/11/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Em 2024, foi lançado o longa “Sílvio”, de Marcelo Antunez, uma cinebiografia do maior participador da TV brasileira, Silvio Santos. Rodrigo Faro o interpretava com voz que lembrava a de Tony Ramos, sem os trejeitos típicos que fazem a sarau dos imitadores.

Na trama, o sequestro de sua filha Patrícia Abravanel, em 2001, e a ulterior ameaço do sequestrador, que entra na moradia da família para fugir de policiais, dava a chance de relembrar momentos da vida desse ídolo de milhões.

Um ano depois, “Silvio Santos Vem Aí”, de Cris D’Amato, surge com a liberdade de não ser mais tão didático a saudação de sua vida, deixando bastante de lado as lembranças contextualizadoras que praticamente fizeram o filme de Antunez se soçobrar.

Leste novo filme se passa 12 anos antes do sequestro, quando Silvio resolve se lançar candidato à presidência do Brasil poucas semanas antes das eleições.

Foi uma façanha temporária, que na era causou um rebuliço no meio político brasílico. Pesquisas eram feitas e refeitas para entender porquê o fenômeno de popularidade iria mexer com as campanhas dos demais presidenciáveis, que, certamente, procurariam munição para atacá-lo por todas as frentes.

Uma jornalista chamada Marília, vivida por Manu Gavassi, é incumbida por seu dirigente de seguir o apresentador por 15 dias. O que inclui procurar saber de qualquer podre que a oposição possa levantar e usar contra ele.

Bom que mantiveram os nomes dos candidatos que lideravam as pesquisas, Lula e Collor. Nesse sentido, é estranho mudarem a famosa troca de farpas entre Brizola e Paulo Maluf num debate histórico, em que o primeiro chamava o outro de filhote da ditadura e Maluf respondia acusando Brizola de desequilibrado. No filme, as palavras são outras.

Esteticamente, o filme é muito pobre. Basta observar o papeleta, com a pose propriedade do apresentador, vivido por Leandro Hassum, olhando para a câmera. Há muito clarão, as colegas de auditório desfocadas ao fundo e o título num tipo de manancial que parece associar o personagem à série “Star Wars”. Esse papeleta mais afasta do que atrai as pessoas.

A pobreza estética disfarça um pouco a má caracterização do final dos anos 1980, outro problema sério do longa. Uma remontagem de era competente é fundamental para um filme com essa anelo mercantil.

Do jeito que ficou, assistimos ao filme e não lembramos de muita coisa posteriormente a projeção. Ele desaparece de nossa memória, resultado de não ter criado imagens fortes, somente a recriação de uma ou outra situação que já conhecíamos de antemão, porquê a piada do bambu dita pela moço e também modificada no filme.

Não é um horror de se ver porque quase todo o elenco está muito, com destaque para Manu Gavassi, numa espécie de chance dos sonhos para dar um salto porquê atriz.

As cenas em que ela acompanha as gravações do programa Silvio Santos são interessantes porque ela consegue transmitir uma certa surpresa com o magnetismo do apresentador e com a maneira porquê ele controla sua plateia.

Hugo Bonèmer é outro que está muito porquê o publicitário Carlinhos, que se apaixona por Marília. Seu olhar de assombro é suasório, assim porquê o seu libido de ajudar.

Finalmente, vale sobresair a presença discreta, mas certeira de Regiane Alves porquê a mulher de Silvio, Íris Abravanel. Nas cenas em que ela aparece incentivando o marido na façanha política, a atriz transmite força e crédito.

O que provoca o “quase” de alguns parágrafos supra é justamente a versão de Leandro Hassum, que procura a imitação e com isso cai na paródia, deslize que Rodrigo Faro tinha conseguido evitar. Um bom humorista, sem incerteza, mas uma escolha errada para o papel.

Hassum disse em entrevistas que não quis imitar o Silvio, pois levante seria inimitável. Bom, “O Inimitável” é um disco do Roberto Carlos e porquê ouvimos da boca de Marília, todo mundo pensa que sabe imitar o Silvio Santos, justamente porque ele é muito imitável. Essa era a força do participador, e é o que ficou de sua propriedade. Muitos lembravam dele por ser uma pessoa facilmente imitável.

Esses erros de conta desviaram “Silvio Santos Vem Aí” dos trilhos. Sendo o segundo filme sobre o mesmo personagem em dois anos, é triste que seja subalterno ao primeiro, que já não era grande coisa. Talvez o personagem seja, na verdade, infilmável.

Folha

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