O caminho de osmar stabile à presidência do corinthians

O caminho de Osmar Stabile à presidência do Corinthians – 26/08/2025 – Esporte

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Candidato a presidente do Corinthians em 2007, Osmar Stabile teve 14 votos. Dezoito anos depois, chegou ao missão que mirava em uma sequência imprevisível de acontecimentos.

O empresário do setor metalúrgico, hoje um varão de 71 anos, venceu a eleição indireta realizada no Parque São Jorge na noite de segunda-feira (25). Teve 199 votos, contra 50 de Antônio Roque Citadini e 14 de André Castro.

Da noite em que teve 4% dos votos válidos no Parecer Deliberativo àquela em que recebeu 76%, muita coisa ocorreu. Em 2007, o pleito marcou a chegada à presidência de Andrés Sanchez, tal qual grupo político, intitulado Renovação e Transparência, permaneceria no comando do clube até o termo de 2023.

Foi uma dinastia que começou com um rebaixamento no Campeonato Brasílico e teve grandes conquistas antes de um desgaste profundo, agravado por maus resultados em campo e denúncias de devassidão. Na eleição de 2023 –já com a participação dos sócios, não mais restrita a conselheiros–, o grupo foi facilmente derrubado.

Enquanto reinava a turma de Andrés, Stabile se manteve uma vez que um membro relativamente recatado da oposição. Foi candidato a presidente em 2010 e a vice-presidente em 2015 e 2018, na placa de Citadini –seu competidor na última segunda. E compôs, também uma vez que vice, em 2023, a placa que finalmente derrotou o Renovação e Transparência, encabeçada por Augusto Melo.

Osmar, porém, não efetivamente participou da gestão de Augusto. Era um vice decorativo ou, na sua própria vocábulo, “escanteado”. Ele viu uma oportunidade se apresentar quando se erodiu o capital político de Melo, em meio às denúncias de irregularidades no pagamento de comissões do contrato de patrocínio com a moradia de apostas VaideBet.

O presidente virou réu na Justiça e foi ausente pelo Parecer. Os sócios referendaram o impeachment, o que deixou Stabile novamente diante de uma eleição indireta para a presidência do Corinthians. Mas em uma posição muito dissemelhante.

Em 2007, quando Alberto Dualib renunciou em meio a um processo de impeachment, o Parecer se dividiu entre apoiadores de Andrés (175 votos) e de Paulo Garcia (158) para a desenlace do procuração interrompido. Sobraram 14 para Stabile, patinho mal-parecido naquela ocasião.

Em 2025, quando Augusto Melo caiu, havia uma vácuo. Para preenchê-la, ganhou corpo a fluente que defendia a perenidade de Stabile –presidente interino desde o solidão de Melo pelo Parecer, no termo de maio– uma vez que forma de dar alguma segurança a um clube turbulento.

Mostrou-se inefetivo o esforço de Augusto para agarrar-se ao poder –tentou, literalmente, sentar-se na cadeira presidencial depois a votação. E o Renovação e Transparente já não tinha a mesma tração, nem mesmo no Parecer.

É impossível, porém, recrutar 199 votos –compareceram à eleição 264 dos 299 conselheiros– sem suporte de gente que fez segmento das administrações do RT. “Acho que só eu não participei”, sorriu Stabile.

A situação gerou um constrangimento logo na primeira entrevista do empresário uma vez que presidente eleito, até dezembro de 2026, quando terminaria o procuração de Augusto. O presidente da Gaviões da Leal, Alexandre Domênico Pereira, tomou a vocábulo e demonstrou estranheza com uma resposta na qual o dirigente se mostrava crédulo a receber pessoas de gestões anteriores.

“Você tem nosso suporte, sim, mas, a partir do momento em que existirem pessoas do Renovação e Transparência na segmento administrativa, os protestos não vão parar. Para falar em recomeço hoje, presidente, esse grupo político não pode mais comandar absolutamente zero cá no Corinthians”, disse Alê, uma vez que é sabido o dirigente da maior organizada alvinegra.

“Figurinha carimbada não vai ter na governo. Pode permanecer tranquilo, porque não vai ter”, respondeu Stabile, antes de encetar a tartamudear para explicar que chapas que já apoiaram o Renovação hoje o apoiam. “Há pessoas que foram vez ou outra lá no pretérito… Não dá para proferir para você… Bom, não quero ser repetitivo, mas figurinhas carimbadas não participarão.”

Com ou sem figurinhas carimbadas, Osmar tem uma tarefa hercúlea, uma dívida superior a R$ 2,5 bilhões para comandar. Jogadores uma vez que o atacante holandês Memphis Depay têm valores altos em detido. Por inadimplência, o clube está sob um “transfer ban”, veto da Fifa (Federação Internacional de Futebol) a contratações.

“Nós estamos pegando do maior para o menor problema. Já identificamos muitos problemas! São várias prioridades, mas, quando você faz gestão, pega a dificuldade maior primeiro. A dificuldade maior, hoje, é o financeiro. Estamos organizando”, afirmou.

Um dos caminhos cogitados é antecipar receitas com a LFU (Liga Potente União), entidade da qual o clube é associado e negocia direitos de transmissão. O presidente também vê a possibilidade de rescindir o contrato dos “naming rights” do estádio de Itaquera, atualmente chamado de Neo Química Estádio, e buscar um tratado mais lucrativo.

De qualquer maneira, observou Stabile, “o intensidade de dificuldade é enorme”.

Era o que ele buscava desde 2007.

Folha

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