O esporte em Minneapolis após a morte de Alex Pretti

O esporte em Minneapolis após a morte de Alex Pretti – 26/01/2026 – Esporte

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“Foi um dos jogos mais bizarros e tristes de que já participei”, disse o experiente Steve Kerr, 60, multicampeão da NBA uma vez que jogador e treinador. “Era verosímil sentir uma atmosfera sombria. Dava para expressar que os jogadores do time deles estavam sofrendo com tudo o que tem sucedido, com o que a cidade tem pretérito. Foi uma noite muito triste.”

O técnico se referia à vitória por 111 a 85 de seu Golden State Warriors sobre o Minnesota Timberwolves, em Minneapolis, no estado de Minnesota, pela liga norte-americana de basquete, no domingo (25). O duelo estava inicialmente marcado para o dia anterior e teve de ser diferido posteriormente a morte de Alex Pretti, 37.

O enfermeiro levou tiros de agentes federais enviados a Minneapolis pelo governo do republicano Donald Trump, que instituiu uma política migratória agressiva e gerou protestos. No último dia 7, Renée Good, cidadã norte-americana também de 37 anos, foi morta por um agente do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA).

“Minnesota não aguenta mais”, publicou o governador do estado, o democrata Tim Walz. “O presidente deve fechar essa operação. Retire os milhares de oficiais violentos e não treinados de Minnesota. Agora.”

Seguiu-se, portanto, a esperada troca de acusações entre republicanos e democratas. O Departamento de Segurança Interna afirmou que Pretti se aproximou dos agentes federais com uma revólver em punho. As imagens disponíveis indicam que ele tinha um celular na mão e exclusivamente reagiu.

De um jeito ou de outro, com as ruas em ebulição, a NBA entendeu que não faria sentido a realização de um jogo de basquetebol naquele sábado. Ficou para domingo, mas a vigor no Target Center parecia “estranha”, uma vez que descreveram os treinadores das duas equipes.

Geralmente contido, alguém que evita assuntos além do esporte propriamente dito, o comandante dos Timberwolves, Chris Finch, falou com a voz trêmula, nervoso. “Nós, uma vez que organização, estamos de coração partido. Eu tenho orgulho de estar cá. Os jogadores se sentem da mesma maneira, e é difícil vê-los passar pelo que estão passando.”

O jornalista Jon Krawczynski, que há mais de 20 anos cobre o dia a dia dos Wolves, apontou que estava “tudo dissemelhante”. Até Draymond Green, fileira dos Warriors historicamente odiado em Minneapolis, foi vaiado exclusivamente timidamente.

“Todos vieram ao Target em procura de qualquer siso de normalidade, de comunidade, de firmeza, enquanto o piso enregelado tremia sob seus pés”, escreveu, no site The Athletic, mencionando as nevascas e temperaturas aquém de zero. “Mas a justaposição do normal e do irregular era avassaladora.”

O jogo foi realizado com gritos e cartazes contra o ICE. Houve um minuto de silêncio em homenagem a Alex Pretti. Os atletas do Minnesota pareciam desconcentrados –foram 25 desperdícios de globo, muito supra da média da equipe, 14,4–, e o público não sabia uma vez que reagir diante dos erros.

Os Timberwolves publicaram uma nota conjunta com outros times de Minneapolis (Lynx, do basquete feminino, Vikings, do futebol americano, Twins, do beisebol, e United, do futebol), pedindo uma “desescalada das tensões”. A NBPA, associação de jogadores da NBA, divulgou uma nota em “solidariedade às pessoas de Minnesota protestando e arriscando suas vidas para exigir justiça”.

Atletas também se manifestaram individualmente, caso de Tyrese Haliburton, 25. O armador, grande figura do Indiana Pacers que avançou até o jogo 7 da final da última temporada (levou 4 a 3 do Oklahoma City Thunder), publicou: “Alex Pretti foi assassinado”.

A direção da NBA monitora a situação e tem fresco na memória o impasse que se apresentou em 2020, quando os jogadores chegaram a interromper os “playoffs” em protesto contra a morte de George Floyd, varão preto assassinado por policiais na própria cidade de Minneapolis. Na ocasião, eles toparam voltar à quadra com mensagens uma vez que “vidas negras importam”.

Desta vez, por enquanto, não há uma paralisação no horizonte, mas partidas de diferentes modalidades vão sendo realizadas em Minneapolis sob “atmosfera sombria”. Porquê o Wolves x Warriors de domingo, tal qual destacou Krawczynski: “Parecia uma reunião de pessoas que, coletivamente, precisava de uma pausa de todo o resto”.

Folha

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