Que a vida e a obra de Thomas Mann estavam intimamente ligadas uma à outra, isso é consenso entre literatos. O responsável boche ascendeu ao panteão da literatura internacional porquê uma voz relevante da cultura e alguém que transitou entre mundos. Esse reconhecimento se deve sobretudo aos seus escritos – grandes romances porquê “Os Buddenbrook”, que lhe rendeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1929, A “Serra Mágica” e “Doutor Fausto”.
Mas a relevância de Thomas Mann se deve também ao seu engajamento político, expresso em ensaios e pronunciamentos no rádio. Ele viveu em tempos de turbulência geopolítica, marcados pelas duas Guerras Mundiais, pelo nazismo e pelo Imolação. E muito disso transparece em sua obra.
Gênio da literatura não era nenhum prodígio na escola
Zero disso era previsível em 6 de junho de 1875, quando Thomas Mann veio ao mundo porquê fruto de uma teuto-brasileira nascida em Paraty e de um tratante na cidade portuária de Lübeck, secção do recém-fundado predomínio boche. Ali, onde hoje é o estado de Schleswig-Holstein, criou-se com mais quatro irmãos.
Ainda porquê estudante, escreveu seus primeiros ensaios e rascunhos de prosa. A exemplo do irmão Heinrich, nutria um ardente exalo pela literatura –para dissabor do pai. Apesar disso, o jovem não só teve que repetir um ano na escola porquê não era lá dos mais brilhantes em boche– seus professores nunca avaliaram seu desempenho porquê mais do que “muito satisfatório”.
Posteriormente perder o pai em 1891, Thomas Mann abandonou a escola antes de concluir o ensino médio e se mudou com a família para Munique. Lá, começou a aprender o ofício de corretor de seguros, mas logo abandonou a teoria. Vivendo da legado do pai, virou profissional liberal e foi trabalhar porquê jornalista. Sua primeira publicação, “Obséquio”, saiu em 1984 na revista “Die Gesellschaft”. Tornou-se jornalista.
Ao lado do irmão Heinrich, Thomas Mann passou dois anos na Itália, período em que trabalhou na obra “Os Buddenbrooks”, publicada em 1901, em seguida tornar à Alemanha, e muito recebida pela sátira. O romance de estreia –originalmente concebido porquê um trabalho a quatro mãos com Heinrich– baseia-se na história da família de Mann e trata da decadência de uma próspera linhagem de comerciantes. Dali em diante, o jornalista passou a viver da própria renda.
A “Os Buddenbrooks” seguiram-se outros trabalhos. O próximo, a coletânea de contos “Tristão”, publicada em 1903, inclui também a romance “Tonio Kröger”, que trata do contraste entre artista e cidadão, espírito e vida.
Hipotecado em levar uma existência burguesa, Thomas Mann casou-se em 1905 com Katia Pringsheim, filha de uma rica família de acadêmicos de Munique. O jornalista também se sentia atraído por jovens rapazes, mas isso não pareceu incomodar Katia. Juntos, tiveram seis filhos. Alguns deles seguiriam os passos do pai, tornando-se também literatos.
A eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) expôs as diferenças entre Thomas Mann e o irmão Heinrich e levou-os à ruptura. Heinrich, à quadra também um jornalista bem-sucedido, havia publicado um texto antiguerra. Quatro anos depois, no experiência “Considerações de um Apolítico” (1918), Thomas explicou seus motivos ao fazer uma resguardo do Poderio Boche e de sua política de guerra. Só mudaria de posição em 1922, depois da itinerário alemã e da subida da democracia na República de Weimar, regime ao qual se converteu.
Em 1929, Thomas Mann recebeu o Nobel de literatura por “Os Buddenbrooks” –uma conquista e tanto para o jornalista, e que levou a literatura alemã ao pódio internacional. Mas a justificativa do júri o aborreceu: não fizeram uma menção sequer a” A Serra Mágica”, romance antiguerra publicado em 1924.
Muito antes de a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) escadeirar à porta da Europa, o jornalista pareceu farejar o transe. Mal Adolf Hitler assumiu, Thomas Mann deixou a Alemanha. Ele havia se posicionado contra os nazistas e, em 1930, três anos antes de Hitler elevar ao poder, fizera um apelo inflamado contra o nazismo e em resguardo da social-democracia.
Era a primavera de 1933 no Hemisfério Setentrião quando Mann decidiu não voltar de uma turnê de palestras pela Europa. Fixou residência na Suíça e publicou o primeiro livro da tetralogia “José e seus Irmãos”, obra que reelabora a história do personagem bíblico José.
Mas Mann não se pronunciava sobre o que acontecia na Alemanha –até enviar uma epístola ensejo em 1936 ao jornal Neue Züricher Zeitung em que censurava a política alemã. A resposta não tardou a vir: os nazistas o despojaram da cidadania alemã e revogaram o título de Doutor Honoris Justificação facultado pela Universidade de Bonn. Mas antes mesmo disso o regime hitlerista já havia lhe tirado prestígio e reputação, roubando posteriormente também secção do seu patrimônio.
Exílio nos EUA
A família Mann, logo, resolveu dar as costas de vez à Alemanha. Em 1938, Thomas e Katia migraram para os Estados Unidos, e Mann assumiu um função de professor convidado na Universidade de Princeton, na Novidade Jersey. Indagado por um repórter sobre se considerava o exílio um fardo, respondeu: “Onde eu estiver, será a Alemanha. Levo minha cultura comigo e não me vejo porquê alguém decadente.”
A partir de 1940, Thomas Mann passou a convocar os alemães a resistir ao nazismo. A emissora de rádio britânica BBC contornava a increpação e fazia seus pronunciamentos mensais chegarem à antiga pátria. Foram mais de 60 programas. Neles, o jornalista apelava à consciência dos compatriotas, mencionava o genocídio contra os judeus.
Mas o engajamento de Mann não despertou só simpatia entre os alemães que se opunham à guerra. Depois que o trégua finalmente veio, ele lançou a epístola “Por que não volto à Alemanha” (1945), em que responsabiliza todo o povo boche pelos horrores da era nazista. “Tudo precisa ser pago”, escreveu Mann ao comentar o bombardeio de cidades alemãs. Críticos reagiram negando-lhe o recta de, porquê exilado, fazer julgamentos sobre o que foi a vida sob Hitler.
Sua obra literária também incomodou. Um exemplo é o romance “Doutor Fausto” (1947), sobre um compositor que faz um pacto com o diabo. Parábola da Alemanha hitlerista, o livro é um acerto de contas do jornalista com um país que permitiu a subida do nazismo e renunciou à própria humanidade.
Mas nos EUA do pós-guerra o clima já não era dos melhores naquela quadra. Indiciado de simpatizar com um partido comunista e de se envolver em conspirações antiamericanas, Mann deixou o país em 1952 e regressou à Suíça, onde passaria os últimos momentos de sua vida até a morte, em 12 de agosto de 1955, aos 80 anos.
Com sua literatura, mas também com sua irredutibilidade diante da desumanidade dos nazistas, Thomas Mann deu um sinal corajoso. Essa legado é perene.
