O simbolismo enigmático dos girassóis de van gogh 13/07/2025

O simbolismo enigmático dos girassóis de Van Gogh – 13/07/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Quando pensamos em Vincent van Gogh, a maioria das pessoas se lembra na hora de seus icônicos girassóis, executados com ousadia. Um reconhecimento de marca totalmente propositado por secção do artista.

“O girassol é meu”, ele escreveu certa vez, revelando seu libido de ser publicamente associado a essa vegetal audaciosa, que pode atingir o tamanho de um varão, e sua grinalda de pétalas flamejantes.

Os girassóis claramente tinham um significado profundo para ele. Mas, enfim, o que Vincent pretendia simbolizar com seu querido helianthus annuus?

Ao lado de “A Noite Estrelada”, o quadro “Os Girassóis” da National Gallery, em Londres, talvez seja sua obra de arte mais conhecida. Mas o artista também pintou outras 10 telas com foco nessas flores.

Elas surgiram em três breves explosões de inspiração. A primeira foi uma série de quatro pinturas concebidas em Paris em 1887. O segundo lote de quatro telas foi criado em menos de uma semana posteriormente sua mudança para a cidade de Arles, no sul da França, em 1888. A terceira período, no início de 1889, envolveu reproduzir três das composições do ano anterior.

As versões mais famosas de 1888 foram pintadas durante um lampejo de crédito e exaltação sensual, “com o paladar de um marselhês comendo bouillabaisse (sopa de peixe tradicional da região)”, porquê ele disse.

Ainda assim, quando escreveu sobre girassóis em suas cartas, Van Gogh nunca fez declarações claras sobre o que eles realmente significavam para ele.

Por um lado, eles parecem ser um veículo para fazer experimentos com combinações de cores – principalmente diferentes tons de amarelo.

Mas também se destinavam a decorar uma vivenda onde um colega artista, Paul Gauguin, iria morar. Gauguin admirava as pinturas de girassóis anteriores de Van Gogh, portanto talvez elas personificassem a procura irreprimível do artista por solidariedade e amizade – desejos que acabariam sendo frustrados, junto ao vasca de Vincent por reconhecimento artístico em vida.

Gauguin abandonou Van Gogh depois de exclusivamente dois meses de convívio, e Vincent morreria aos 37 anos sem conseguir vender muitas de suas obras de arte.

Mas as pinturas de girassóis de Van Gogh ganharam rapidamente status cult no início do século 20.

Isso aconteceu primeiro entre o movimento avant-garde na Europa. Em 1920, a escritora Katherine Mansfield observou que as “flores amarelas, repletas de Sol, em um vaso” haviam inspirado seu despertar criativo.

Em 1923, o crítico Roger Fry descreveu Os Girassóis de Van Gogh porquê “um dos sucessos triunfantes deste ano”, que expôs a “suprema exuberância, vitalidade e veemência” do artista.

Posteriormente, eles alcançaram o reconhecimento do grande público, ajudando a colocar Van Gogh entre os pintores mais famosos e influentes da história da arte.

A influência de Van Gogh no século 21 é o tema da mais recente exposição da Royal Academy, em Londres, chamada “Kiefer / Van Gogh”, que explora seu impacto em um dos maiores artistas contemporâneos, Anselm Kiefer. E os girassóis desempenham um papel fundamental nisso.

No meio da exposição, está “Danaë”, uma novidade estátua de Kiefer que retrata um girassol emergindo de uma rima de livros. Em outra secção, há uma xilogravura que mostra um helianthus annuus brotando do corpo de um varão deitado.

Elas chamam a atenção para o interesse infindável de Kiefer pelo tema, e nos dão a oportunidade de desvendar o misterioso simbolismo da vegetal tanto na arte dele quanto na de Van Gogh.

“Para Van Gogh, o girassol personifica sua teoria do Sul”, diz à BBC o curador da exposição, Julien Domercq, referindo-se à sua mudança de Paris para Provence.

Mas Van Gogh havia trabalhado porquê negociante de arte quando jovem, e era muito instruído em história da arte. Seu conhecimento cultural transparece na maneira porquê ele representava as flores.

“Ele as retrata de negócio com uma grande tradição holandesa: essas flores murchando e morrendo… as flores que ainda estão olhando para o firmamento, e as que estão lentamente desaparecendo, se tornando mais marrons, portanto é realmente uma reflexão sobre a passagem do tempo.”

“Acho que, com Kiefer, segue uma risca semelhante”, acrescenta Domercq. “Essa teoria do ciclo da vida, dessa flor incrivelmente vital, uma flor do sul, a flor que olha para o fundamento.”

O simbolismo dos girassóis ao longo da história

Todo simbolismo artístico pode ser explicado pela evolução de ideias e associações. O significado dos girassóis tem suas raízes no pretérito, e gerou amplas discussões em diversas áreas.

Van Gogh não foi a primeira nem a única mente criativa da história a ser obcecada por eles. Elas povoaram o imaginário de inúmeros artistas e escritores no pretérito, incluindo, entre outros, Anthony van Dyck, Maria van Oosterwyck, William Blake, Oscar Wilde, Dorothea Tanning, Paul Nash e Allen Ginsberg.

Diferentemente de muitos outros símbolos da história da arte, o girassol é relativamente novo. Ele é nativo das Américas, e só foi introduzido no “Velho Mundo” posteriormente as explorações de Colombo e a colonização europeia no século 16.

Quando foram cultivados e propagados com sucesso na Europa, o vestuário de os girassóis jovens moverem suas faces para seguir o sol (um fenômeno divulgado porquê heliotropismo) se tornou a particularidade mais simpático da vegetal, o que moldou fundamentalmente seus significados simbólicos.

Em 1568, o botânico Giacomo Antonio Cortuso associou a flor a uma antiga personagem mitológica chamada Clície.

Dizia-se que Clície se apaixonou por Apolo, um deus associado ao sol, e se fixou em seu movimento pelo firmamento até que seus pés se enraizaram no pavimento, e ela se transformou em uma flor heliotrópica.

O girassol logo foi associado diretamente a Clície na arte, transformando-o em um ícone do paixão fanático.

Isso pode ser visto em pinturas porquê Flores em um vaso ornamental (1670-1675), de Maria van Oosterwyck, em que um cravo e um girassol se olham com culto supra de uma estátua que parece uma Vênus se banhando, mas que lembra muito a imóvel Clície.

Na obra “Jovem Mulher Segurando um Girassol” (1670), de Bartholomeus Van der Helst, a flor quase certamente simboliza o tálamo dela, mostrando porquê o girassol evoluiu para um símbolo de paixão romântico e apego.


Mas o tema da devoção também estava ligado à religião nas obras de arte. Em “Sota na Fuga para o Egito” (1632), de Anthony van Dyck, a Virgem Maria tem um girassol supra dela para simbolizar sua função porquê mediadora entre o mundo terreno e celestial. A flor agora também tinha conotação de fidelidade religiosa.

Em 1654, o poeta e dramaturgo holandês Joost van den Vondel sugeriu que o girassol poderia ser um símbolo da própria arte. Assim porquê um jovem girassol segue a direção do sol, ele escreveu, “a arte da pintura, por inclinação inata e despertada por um lume sagrado, segue a venustidade da natureza”.

Isso pode ser a chave para outra pintura de Anthony van Dyck, “Autorretrato com um Girassol” (1633), na qual o artista aponta significativamente para si mesmo e para um girassol, porquê se quisesse se confrontar a essa vegetal heliotrópica naturalmente atenta.

No entanto, historiadores da arte argumentam que, na verdade, a obra faz referência à fidelidade do artista ao seu patrono, o rei Charles 1° da Inglaterra, para quem Van Dyck foi contratado porquê “pintor principal”.

Esse simbolismo político dos girassóis reverbera até mesmo em obras de arte contemporâneas.

Na obra “Sementes de Girassol” de Ai Weiwei, de 2010, por exemplo, as 100 milhões de sementes de porcelana pintadas à mão foram inspiradas pela memorandum do artista de cartazes do presidente Mao Tsé Tung (ou Zedong).

Esses cartazes o retratavam porquê um sol sobre campos de girassóis devotos, para simbolizar seu poder onipotente sobre o povo chinês.

Uma vez que os girassóis refletem as preocupações humanas

O significado consistente por trás da heterogeneidade de simbolismos dos girassóis é a fidelidade. É provável que Van Gogh estivesse cônscio de alguns desses conceitos.

Quando escreveu para sua mana que suas pinturas eram “quase um grito de angústia, ao mesmo tempo em que simbolizavam gratidão no rústico girassol”, ele pode ter pensado em sua própria avaliação simples e semelhante a um girassol por colegas artistas, porquê Gauguin.

Mas ele também pode ter pensado em suas crenças religiosas anteriormente devotas, no paixão romântico ou até mesmo em sua obrigação com a arte da pintura.

Outra questão fascinante é porquê Van Gogh influenciou Anselm Kiefer, e a provável convergência de suas ideias sobre os girassóis.

Kiefer já declarou que “o girassol está conectado com as estrelas, porque move sua cabeça em direção ao sol. E à noite, ele se fecha. No momento em que explodem, são amarelos e fantásticos: esse já é o ponto de declínio. Portanto, os girassóis são o símbolo da nossa quesito d’être [de ser].”

Em sua xilogravura “Hortus Conclusus” (2007-2014), os girassóis de Kiefer evocam a decadência com mais ênfase do que Van Gogh, mas também a possibilidade de regeneração. Eles estão escurecidos e ressecados. Mas muitas vezes também mostram suas sementes caindo em cascata no pavimento e, assim, a promessa de uma novidade vida que está por vir.

Kiefer citou porquê sua inspiração outra figura do século 17 – o médico, filósofo ocultista e cosmólogo Robert Fludd.

Uma das crenças de Fludd era a correspondência entre as vegetalidade vivas da Terreno e as estrelas, e uma relação mística entre as formas mais inferiores de vida e uma verdade celestial único.

Em suas imagens de girassóis, Kiefer geralmente os emoldura com o firmamento para nos lembrar da sua relação heliotrópica com o sol.

Quando aparecem crescendo a partir de corpos humanos, é porquê se simbolizassem a crença de Fludd na conexão de nossas almas com o firmamento.

Isso reforça a teoria de que o simbolismo dos girassóis ainda deve muito às crenças do final da Renascença. Os girassóis de Van Gogh também refletem aspectos dessas associações históricas, e aludem ao seu vasca por um paixão mais profundo – seja pela natureza, pela arte, pela religião ou pelo seu libido de uma fraternidade criativa com Gauguin.

Mas nas mãos dele e de Kiefer, o helianthus annuus também transmite preocupações universais – nosso libido de refletir sobre a transitoriedade da vida, e de buscar princípios mais elevados e eternos.

Os girassóis simbolizam a lealdade a conceitos que existem além da nossa compreensão, nos levando a pensar além da nossa verdade cotidiana, e a buscar o calor, a luz e o paixão dos céus. É um tanto para se pensar quando o verão chega, e os girassóis de verdade voltam a prefulgurar, ainda que brevemente, no êxtase da vida.

Folha

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *