Oasis volta ao Brasil com química explosiva dos Gallagher

Oasis volta ao Brasil com química explosiva dos Gallagher – 21/11/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

“Tinha me esquecido de uma vez que ele era engraçado”, disse Noel Gallagher à rádio britânica Talksports, sobre a reunião com o irmão, Liam Gallagher, para shows do Oasis depois de mais de 15 anos separados. Há três décadas, o mais velho quebrou um taco de críquete na cabeça do mais novo enquanto gravavam o segundo disco da orquestra.

A turnê de retorno do Oasis aos palcos chega ao Brasil com dois shows neste termo de semana, no estádio do Morumbi, em São Paulo —os ingressos estão esgotados. Além de um reencontro com os fãs brasileiros, as apresentações marcam a reconciliação de uma das mais emblemáticas rivalidades da música pop, a dos irmãos Gallagher, que foi motor da subida e da queda de uma das últimas grandes bandas de rock.

Os shows são aguardados não só porque o Oasis não toca no Brasil desde 2009, ano em que encerrou suas atividades, mas porque Noel passou a última dez reafirmando que a reunião não aconteceria, enquanto Liam mantinha acesa a esperança de um reencontro nos palcos.

Não há dúvidas de que eles são mais fortes juntos do que separados. A curso solo de Noel, mais bem-sucedida, o levou ao Lollapalooza Brasil, palco em que Liam também tocou, e ao mesmo Morumbi —só que abrindo para o U2, em 2017. Zero perto da comoção gerada pelo Oasis.

A história da orquestra é também a história dos irmãos. Eles cresceram em Manchester vendo o pai agredir a mãe, antes de fugir com a matriarca. Para Noel, a saída daquela vida era a maconha e o violão. Para Liam, as brigas na escola e os seus discos de rock.

Se o mais velho era introspectivo e escrevia canções próprias, o mais novo era mais bonito, estiloso e engraçado. Liam foi quem montou a orquestra para virar cantor e convidou o irmão porque precisava de suas composições.

A geração cercada de violência alimentou a postura e os vocais de Liam —quase gritados, cheios de vigor e com um ligeiro ronco— e também as composições de Noel, que era fechado no trato social, mas acessava os sentimentos por meio das composições.

Quando Noel levou “Live Forever” a um experiência do Oasis, todos ali sabiam que poderiam ter um horizonte. Foi o que se concretizou depois que Alan McGee, da Creation Records, viu um show dos aspirantes e os ofereceu um contrato. O hit alavancou “Definitely Maybe”, álbum de estreia da orquestra, de 1994, um dos mais vendidos da história do Reino Uno.

O primeiro e o segundo disco do Oasis —”(What’s the Story) Morning Glory?”, de 1995— chacoalharam o rock. A orquestra se tornou popular no mundo todo e firmou no imaginário coletivo o britpop que logo engatinhava com o Blur.

Era um momento efervescente no Reino Uno, que vivia a vaga “Cool Britannia”. O britpop e as raves embalavam a juventude enquanto o hoje ex-premiê britânico Tony Blair despontava com o novo trabalhismo em seguida mais de uma dez sob Margaret Thatcher.

Quando o Oasis dominou os prêmios no Brit Awards de 1996, Noel Gallagher disse que havia “sete pessoas dando esperança à juventude neste país”. Ele as nomeou —os integrantes da orquestra, o proprietário da Creation Records e Tony Blair. E depois gritou “poder ao povo”.

Essa esperança era patente nos primeiros discos do Oasis. O single “Live Forever” saiu só quatro meses depois que Kurt Cobain cometeu suicídio. Se o Nirvana dominou o rock com melancolia e fragor, do outro lado do Atlântico os irmãos Gallagher respondiam que queriam viver para sempre.

Em “Supersonic”, o Oasis soava uma vez que uma BMW desgovernada, cantando sobre transar num helicóptero e passear num submarino amarelo enquanto pedia um gim-tônica. Musicalmente a orquestra não trazia novidades —estava entre as harmonias dos Beatles e o vigor do punk britânico. A magia estava na capacidade de Noel de criar melodias —”Wonderwall” e “Don’t Look Back in Anger” até hoje comovem multidões— e na de Liam de enunciar as letras com raiva e sede de vida.

O Oasis se comportava uma vez que soava. Povoaram os tabloides com episódios de arruaça, brigas e drogas. No primeiro show nos Estados Unidos, cheiraram metanfetamina achando que era cocaína e passaram dias acordados. A performance acabou com Liam jogando sua meia-lua no irmão.

Noel disse que sairia do Oasis, viajou com uma mulher, compôs “Talk Tonight” sobre a situação e voltou à orquestra. Esse era o modus operandi —o caos de drogas, violência e disputa entre irmãos dava munição ao compositor.

No termo dos anos 1990 e na dez seguinte, o Oasis rodou o mundo tocando em estádios e emplacou outros hits, mas a potência criativa foi se desgastando junto com a relação dos irmãos. Zero teve o impacto dos dois primeiros álbuns, que concentram 20 das 23 músicas do show atual. As exceções são “D’ You Know What I Mean?” e “Stand by Me”, de “Be Here Now”, de 1997, e “Little by Little”, de “Heathen Chemistry”, de 2005.

Em 2009, quando tocou em São Paulo pela última vez, o Oasis estava se despedaçando. Reuniu 15 milénio pessoas, pouco mais de um décimo dos 120 milénio ingressos vendidos para levante termo de semana. A orquestra terminaria semanas depois daquele show —Liam ameaçou disparar uma guitarra em Noel, que considerou aquilo a pinga d’chuva da relação da dupla.

A turnê “Live ‘25” tem sido elogiada pela sátira desde que estreou, no Reino Uno, em julho. Os shows no Morumbi, os últimos da excursão, podem ser também a última chance de ver o Oasis.

Mas são sobretudo o reconhecimento de que a obra resultante da química tão criativa quanto destrutiva dos irmãos Gallagher resistiu ao tempo, uma vez que eles cantam no refrão de “Acquiesce” —”nós precisamos um do outro/ nós acreditamos um no outro/ e sei que vamos desvendar/ o que está entorpecido em nossas almas.”

Veja o setlist do show do Oasis no Morumbi, em São Paulo

  • ‘Hello’
  • ‘Acquiesce’
  • ‘Morning Glory’
  • ‘Some Might Say’
  • ‘Bring it on Down
  • ‘Cigarettes & Alcohol’
  • ‘Fade Away’
  • ‘Supersonic’
  • ‘Roll With It’
  • ‘Talk Tonight’
  • ‘Half the World Away’
  • ‘Little by Little’
  • ‘D’You Know What I Mean?’
  • ‘Stand by Me’
  • ‘Cast no Shadow’
  • ‘Slide Away’
  • ‘Whatever’
  • ‘Live Forever’
  • ‘Rock ‘n’ Roll Star’
  • ‘The Masterplan’
  • ‘Don’t Look Back in Anger’
  • ‘Wonderwall’
  • ‘Champagne Supernova’

Folha

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