Odisseia recupera oralidade em peça que abre teatroiquè 11/07/2025

Odisseia recupera oralidade em peça que abre Teatroiquè – 11/07/2025 – Ilustrada

Celebridades Cultura

Vários pedestais brancos ocupam a sala de teatro, distribuídos sobre um grande planta que estampa o pavimento. Cada um desses cavaletes expõe um objeto. Uma sandália prateada cá, uma lira ali. Um bonsai e, no outro esquina, uma punhal, uma seta e o sangue que será utilizado em sacrifícios vindouros. Antes de os atores chegarem, o público é convidado a rodear pelo envolvente, mais semelhante a uma exposição de arte.

Para recontar a “Odisseia”, o diretor de teatro e iluminador Caetano Vilela quis trazer de volta a oralidade dos cantos homéricos, feitos para serem entoados ao som da lira. Para isso, leu para seus dois atores, Diego Machado e Thiago Brianti, pedaços da tradução do português Frederico Lourenço, já mais fluente, e escolheu com eles os itens mais memoráveis da trama. Ao estilo do teatro de objetos, cada um deles ajudará Machado e Brianti a recontar a história de Ulisses, enquanto incorporam diferentes personagens da trama homérica.

Atuam, durante boa segmento da peça, em meio a uma névoa, uma vez que a lançada por Atena em Ítaca para ajudar o herói em sua vingança. Um telão de LED disposto no teto, sobre a perspectiva da plateia, complementa os efeitos especiais junto ao escorço de luz. Dois músicos, Ivan Garro e Gylez Batista acompanham os atores no palco.

Num dos momentos mais tresloucados da peça, Machado interpreta Ulisses, atado ao mastro do navio para ouvir com segurança o esquina das sereias, enquanto seus companheiros, ali somente imaginados, entopem os ouvidos com cera. Garro deixa a bateria que tocava até portanto para manipular um teremim, instrumento músico que dispensa o toque, de som hipnótico e extraterrestre, transformado no esquina das quimeras assassinas.

“Odisseia: Instalação para um Retorno” foi pensada para inaugurar o Teatroiquè, estúdio de cinema do produtor Ricardo Grandi localizado no Butantã que passa a receber também espetáculos e eventos.

“Eu queria que as pessoas vissem o teatro uma vez que ele é”, diz Vilela. “Não queria embuçar aquele espaço uma vez que se fosse um palco italiano tradicional. E queria que o público entrasse lá e tivesse essa vivência de um espaço sendo revelado. Acho que tem um pouco isso quando a gente é testemunha de museu.”

O diretor releu a “Odisseia” durante a pandemia de Covid-19 —período que ele diz ter transformado sua visão sobre a arte. Desde portanto, desejava levar a história ao palco. “Eu queria voltar para essa simplicidade de recontar uma história. Temos que nos voltar para coisas que nos toquem, coisas mais simples.”

Apesar de “Odisseia” ser a primeira peça do Teatroiquè, o espaço tem pretérito. Ele já existia uma vez que Estúdio Iquirim e havia recebido gravações de cenas de Shark Tank Brasil, propagandas para grandes marcas e até um peculiar do Caldeirão do Huck. Garin, proprietário do espaço junto com sua família, não descarta a possibilidade de o espaço acoitar novas filmagens quando não estiver com temporadas de teatro em papeleta.

O conjunto não passou, aliás, por grandes transformações para a novidade lanço. A sala de gravações consegue asilar diferentes tipos de espetáculos, e os dois bares disponíveis para o público, no subsolo e na cobertura, muito uma vez que os camarins, já atendiam a eventos e às equipes de filmagem que trabalhavam ali. “Num estúdio cabe qualquer coisa, inclusive um teatro”, ele gosta de manifestar.

Grandi considera, ele mesmo, viver uma odisseia. Trabalhava com audiovisual até tolerar um acidente e permanecer tetraparético, requisito que enfraquece todos os membros e dificulta o movimento. Acabou trocando o set de filmagem pelos bastidores. Passou a cuidar de direitos autorais, a assessorar talentos e, no primórdio dos anos 2000, decidiu investir em seu estúdio.

Seu novo teatro é, também, a tentativa de gerar um lugar hospitaleiro, em que ele possa observar a uma boa programação e tomar uma com os amigos. Na última quarta-feira, ao receber convidados para uma pré-estreia, repetia aos companheiros: a partir de agora, o encontrariam ali. Quer que mais gente também adote seu teatro uma vez que um ponto de encontro.

“Se a entrega for boa, as pessoas vêm. Nós estamos do lado da estação de metrô, num lugar que é fácil de estacionar. Estou tratando uma vez que uma aposta que espero que seja bem-sucedida”, afirma.

Folha

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