Olimpíada é ato de resistência, diz organizador de paris

Olimpíada é ato de resistência, diz organizador de Paris – 26/07/2025 – Esporte

Esporte

Esta semana uma série de eventos em Paris celebra o primeiro natalício dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Paris. Um ano detrás, Tony Estanguet, 47, presidente do comitê organizador, viveu um momento consagrador na cerimônia de fecho: 80 milénio pessoas gritaram seu nome no Stade de France lotado. Era um reconhecimento pelo sucesso de organização das duas competições.

Em entrevista à Folha, o dirigente, ex-tricampeão olímpico de canoagem, faz um balanço do legado dos Jogos, relembra os momentos mais difíceis e defende o papel dos megaeventos esportivos porquê exemplo de tolerância: “Para resistir contra aqueles que estão se isolando, com visões talvez um pouco assustadoras”.

Qual é o legado mais importante dos Jogos, tanto para a França quanto para o esporte em universal?

É sempre difícil responder a essa pergunta, porque existem várias formas de legado. Se realmente tivesse que escolher o mais impactante, seria certamente o legado intangível. O que mais me marcou, foi ver o quanto os Jogos permitiram viver emoções muito fortes e inesquecíveis. O poder do esporte de congregar as pessoas, de emocioná-las, para mim, é um legado fundamental. É muito dissemelhante de legados porquê a Vila Olímpica, o meio aquático ou outras formas de legado material. O intangível talvez seja o mais importante. Porque, no final, acredito que tocamos milhões, talvez bilhões de pessoas. E as pessoas saem dos Jogos com essa memorandum positiva de ter vivido grandes momentos em família. Ter visto o esporte inspirar milhões de crianças a praticar esportes. Para mim, essas emoções são o mais importante.

Há alguns dias, o mundo inteiro falou sobre a liberação do mergulho no Sena, que também é um legado dos Jogos. O senhor já mergulhou no rio desde a reabertura? Qual é o significado simbólico?

Não estive em Paris nas últimas semanas para poder nadar. Mas de roupa é um legado muito importante. Eu venho de um esporte, a canoagem, praticado em rios e córregos. Portanto, vê-los despoluídos, ver que um ecossistema procedente pode renascer, acho muito importante. Outrossim, também permite que a população possa nadar. Também acho importante que a poluição humana seja reduzida, por razões ambientais. E foi isso que se conseguiu com todos estes investimentos.

Da participação brasileira, que memorandum mais o marcou?

Com certeza, sem refletir, penso imediatamente em Gabrielzinho, que marcou a mente de bilhões de pessoas. É realmente uma estrela que brilhou e nos conquistou. Acho que ele soube encarnar tudo o que amamos: triunfo, vantagem, alegria de viver, resiliência, superação, solidariedade. Foi incrível ver esse desportista ter tanto sucesso nos Jogos. E o sucesso de Paris-2024 deve muito a ele também pelo sucesso de Paris 2024, porque, no término das contas, são poucos os atletas que se destacam e vão permanecer na memória de todos. Gabrielzinho conseguiu esse feito de marcar a memória de toda a população.

E pessoalmente, qual foi o melhor momento dos Jogos? E o mais difícil?

O momento mais difícil, eu diria que foi o dia 26 de julho, um dia muito intenso, muito difícil. Eu tinha uma série de obrigações com o protocolo, tínhamos a recepção de todos os chefes de Estado, de todas as autoridades com o presidente [Emmanuel Macron] no [Palácio do] Eliseu. Eu também tinha muitos compromissos com a mídia, de manhã no rádio, ao meio-dia na TV. Estávamos fazendo os últimos ajustes, tivemos incidentes durante todo o dia com os trens [uma sabotagem interrompeu parte do tráfego ferroviário], problemas de clima, tivemos que apropriar muitas coisas. Portanto, foi um dia realmente muito difícil, muito fadigoso. Uma vez que já estávamos um pouco cansados nas semanas anteriores, foi uma maratona muito, muito difícil. Eu estava completamente exausto no final da cerimônia. Por outro lado, acho que também foi um grande consolação ver que os Jogos conseguiram principiar em condições difíceis, mas de uma maneira formosa, ter conseguido realizar a cerimônia de início em condições tão difíceis. No término, talvez tenha sido também a emoção mais formosa para mim, porque senti uma pujança muito possante ao pensar : “Se sobrevivemos a isso e conseguimos organizar esta cerimônia agora, a sarau vai ser formosa, porque somos imparáveis e acredito que estamos prontos para grandes Jogos.” Portanto, foi ao mesmo tempo o dia mais difícil e, no final, ao término da cerimônia de início com Céline Dion, para mim, em poucos minutos, foi um pouco de consolação, de libertação e, de repente, a pujança voltou porque senti orgulho de ter conseguido organizar a cerimônia.

Houve um relatório recente do Tribunal de Contas francesismo sobre o dispêndio dos Jogos. O que o senhor responde quando lhe perguntam sobre essa questão?

Essa é uma pergunta recorrente, habitual no balanço dos Jogos em todas as edições. É evidente que sempre há um pouco de debate e polêmica. Eu respondo que não se deve misturar investimentos permanentes com investimentos temporários para a organização dos Jogos. Infelizmente, muitas vezes, querem somar tudo para tentar inflar a conta o supremo provável. Mas não se pode narrar duas vezes os mesmos custos. O dispêndio de construção de um equipamento esportivo que permanecerá por décadas, para mim, não deve ser incluído no dispêndio da organização de um evento. O dispêndio da organização de um evento é o preço do aluguel desse equipamento. Nós alugamos todos os equipamentos com o orçamento do comitê organizador. Foram necessários dezenas de milhões de euros para alugar o Stade de France, o meio aquático e a vila olímpica. Confunde um pouco e gera mal-entendidos quando somam os custos de construção, transporte, ou mesmo de escolas em Seine-Saint-Denis que foram feitas durante o período dos Jogos, mas que, para mim, não são necessidades dos Jogos. Não entendo por que querem somar todos esses custos.

Cada edição dos Jogos tem seus problemas. Para Los Angeles-2028, por exemplo, há a questão dos incêndios florestais, o problema dos vistos para os países que não têm boas relações com os Estados Unidos. Que prelecção Paris-2024 pode dar? O senhor está em contato com os comitês organizadores de Los Angeles e dos Jogos de Inverno de 2030, que serão nos Alpes franceses?

Sim, estou em contato com eles na verdade desde o final de 2024. Já fui duas vezes a Los Angeles e sou membro da percentagem de coordenação. Troco ideias com o comitê organizador e o COI. Para 2030, faz menos tempo. Há tapume de um mês e meio que troco ideias com Edgar Grospiron [presidente do comitê organizador] sobre as lições aprendidas em Pari e porquê podemos ajudá-los a prosseguir. Foi um pouco complicado durante o inverno e no início da primavera. Estamos tentando ver porquê as equipes de Paris 2024 podem ajudar um pouco mais em 2030. Não existe uma receita de verdade. Evito dar conselhos às futuras organizações dos Jogos. O visível é que, para Paris, também não foi fácil e, no entanto, no final, foi um grande sucesso. É sempre difícil organizar os Jogos Olímpicos e Paralímpicos, em qualquer país. Mas vale a pena perseverar, ser resiliente e cobiçoso. Paris-2024, num contexto pátrio e internacional que não era fácil, foi um projeto recebido de forma muito positiva em todo o mundo. Os Jogos Olímpicos e Paralímpicos têm hoje um papel a desempenhar na nossa sociedade, no mundo, para prometer a tolerância e o saudação pelos valores coletivos, para resistir contra aqueles que estão se isolando, com visões talvez um pouco assustadoras. Todos compartilhamos o mesmo planeta. De vez em quando, precisamos reunir a humanidade em torno de coisas positivas. Há poucas oportunidades e os Jogos são uma delas.

Um ano detrás, o senhor disse que iria refletir sobre o seu horizonte. Já decidiu?

Era importante para mim tirar um tempo antes de pensar no que fazer. A última reunião do recomendação de gestão foi em junho, portanto faz só algumas semanas. Pensei muito e decidi permanecer no mundo do esporte. Quero continuar trabalhando nessa dimensão, seja na França ou no exterior. O esporte e os Jogos mudaram minha vida, porquê desportista e porquê organizador de Paris-2024. Acho que ainda acho há coisas a fazer para substanciar o lugar do esporte na sociedade. Tenho a sorte de ter construído uma rede muito importante. Ainda não é zero muito concreto, mas a partir de setembro vou trabalhar no esporte, seja em eventos ou em consultoria. Queria muito aproveitar as férias com meus filhos neste verão, pois faz dez anos que não tiro férias longas com eles.

Folha

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